sábado, 28 de abril de 2012

Que maldade - Autor: Nêodo Ambrósio de Castro

Derrubaram a casa do joão-de-barro, coitadinho, que maldade o que fizeram com a família do joão-de-barro.
O papai joão-de-barro tentou buscar o ninho dos seus filhotes, não deixaram o pobre do pássaro entrar na casa semi-destruída.
Mamãe joão-de-barro chorando escondia os filhotes sob as asas, tentando protege-los da descabida violência. De longe assistiam a peleja. Atearam fogo em sua casa. Quem foi?
Não sei, respondeu o bem-te-vi, eu estava de costas, não pude ver o rosto do invasor. O pardalzinho, coitado, só viu a roupa, estavam com os rostos cobertos com uma coisa que parecia uma máscara, igual essas que os motoqueiros usam.
E agora para onde irá o joão-de-barro e sua família?
Estão andando pela cidade, não encontram comida nem local para dormir. Estão todos ocupados. Vamos dormir sob a marquise, sugere a mamãe joão-de-barro, pensando na proteção dos filhotes. Mas papai joão-de-barro retruca:
- E se nos pegam dormindo? Se atearem fogo em nós? E se nos expulsarem ou nos chutarem e espancarem? Não. Sob a marquise não é um lugar seguro.
- Para onde vamos então? Insiste a mamãe joão-de-barro.
- Vamos tentar a beira da estrada, talvez nenhum bicho do mato nos ataque durante a noite. Talvez encontremos um ninho fofinho para os filhotes.
- E a comida, onde a conseguiremos? 
- Ora, alguém há de nos dar, se pedirmos. Se ninguém se compadecer de nós, então só nos resta morrer de fome.
Mamãe joão-de-barro se põe a chorar. Que maldade, porque fizeram isso com a nossa casa que levamos tanto tempo para construir?
Responde o pai joão-de-barro:
- É assim mesmo, neste mundo há muita maldade. Só tem vez aqueles que vivem nas gaiolas, embora sem liberdade, têm água comida, segurança e ainda têm veterinário particular. Para nós que edificamos nossas casas em árvores sem dono, nada nos resta, seremos sempre expulsos de um lugar para o outro.
Enquanto isso os filhotinhos, correm para os semáforos, nos cruzamentos e começaram  a pedir moedinhas para ajudar na alimentação da família.
Que desastre, que fim para uma família decente de joão-de-barro que não fez mal a ninguém, viverem assim, como moradores de rua, sem  perspectiva de ver a família crescer na segurança de um lar, mesmo que seja uma casa de barro.
Contudo o Sr. gavião, muito poderoso, parece ter tido compaixão da família do joão-de-barro e prometeu-lhes ajudar a encontrar uma outra árvore onde ele possa edificar sua casa de barro e lá criar os filhotes e até ver a família crescer.
Não esqueçam. Promessas de gavião...

Autor: Nêodo Ambrósio de Castro - Eugenópolis/MG
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Publicação autorizada através de e-mail de 27/04/2012

Dois caipiras famintos e um defunto de barriga cheia - Autor: Geraldinho do Engenho

Joca e Juca eram irmãos gêmeos, loucos por macarrão. Nascidos numa cabana plantada num pé de serra nos cafundós do sertão, não tiveram como freqüentar a escola. Assim como os pais; analfabetos de corpo e alma. Viviam mais do que a natureza oferecia do que do próprio trabalho nas lavouras de subsistência que cultivavam juntos aos pais; nas barrancas de um caudaloso rio.
Como selvagens que sempre foram alimentavam da caça e da pesca muito abundante por sinal, e que nunca faltou. Quase não tiveram contato com a civilização, eram de fato como feras mal domadas e ariscas. Mesmo assim prestativos apesar de rudes. Adoravam as maravilhas da cidade que os pescadores lhes doavam, em troca de pequenos favores, na montagem e desmontagem dos acampamentos, por ocasião de suas estadias nas pescarias realizadas por grandes empresários naquelas paragens do imenso sertão.
Ficaram maravilhados quando ganharam vários pacotes de macarrão nunca tinham degustado coisa tão saborosa. Joca logo teve uma brilhante idéia separou um pacote e disse ao irmão: - o qui cocê acha di nois prantá esse macarrão mai miudim? Mode quês negoço é Bão dimai sô! Nois pranta no intrimeio do pé de miiu, nun conta nada pu pai mode quando El vê na coiêta vai ficá danado de filiz e tê muitu orguii de nois. El mais mãe tumem gosta dimais dês trem!
Plantaram o macarrão cortado, esperaram e nada dele nascer disseram um para o outro – cêssabe dun a coisa mode essetrem nascê nois vai tê de ponha aquel tar mõio cusome insinô pra mâe mode ficá mió. Quando nois ganhá mais, nois vai isprementá. As veis vão Cê mió nois prantá aquel cumprido qui parece cas lumbriga dus porco!
Quando os pescadores descobriram a falcatrua dos caipiras plantando macarrão, penalizados resolveram levá-los à cidade para conhecerem a fabrica de macarrão. Os pais não opuseram a viajem, afinal tinham consciência que seus filhos precisavam conhecer as modernidades do mundo.
Na cidade eles ficaram encantados com tanta gente e tantas casas, quiseram conhecer também as fabricas de arroz e feijão, se fabricava macarrão a partir do trigo conforme souberam deveriam fabricar outros cereais também. Era a primeira vez que foram à cidade não conheciam alem do mato. Voltaram contando as novidades aos pais dizendo como eram interessantes as lamparinas feitas de umas cabacinhas brancas penduradas em cipós coloridos de vermelhos.
Passou-se o tempo e o sonho de voltar à cidade era constante e tentador. Um dia ajeitaram sua matula e com autorização dos pais partiram, queriam conhecer mais coisas. Resolveram cortar a estrada por uma trilha, e se perderam na mata a comida acabou e a fome apertou, dois dias revirando o mato sem encontrar uma saída. Em fim descobriram uma via mal conservada que poderia dar acesso a um lugar qualquer, a fome era tamanha que estavam dispostos a comer qualquer coisa até um lagarto servia. De repente depararam com um cadáver de homem. Desovado talvez, por uma quadrilha de assaltantes. Juca logo disse ao irmão; qui tar nois abri a barriga dês morto as vêis da mode cumê o qui tem dento.

E qual não foi à surpresa estava cheia de puro macarrão branco... Nois ta é danado de sorte disse o joca. – ieu num quero num vô cumê ees trem friu - bão dimais-, ocê nu querê pruquê mais mitoca! Respondeu o Juca. Andaram mais um pouco, enojado do que fizera, Juca vomitou tudo, e joca parando o vomitado com o chapéu disse:- Ah agora sim dá mode ieu cumê o treim ta quente... Brigado irmão docê isquentá modi ieu cumê!

Geraldinho do Engenho - Bom Despacho/MG
Publicação autorizada pelo autor através de e-mail de 23/04/2012

terça-feira, 24 de abril de 2012

Eu e os bichanos - Autor: A J Cardiais

             Se não fosse o meu neto, eu nunca teria me aproximado tanto de um gato. Não é que eu não goste do felino, mas justamente por saber da minha preocupação com os animais, eu sempre evitei criá-los. Quando meu neto perguntava por que eu não criava um cachorro, eu dizia que era porque não tinha condição. Dizia que um cachorro precisava de espaço e de muito cuidado. E quando a gente resolvia criar um animal, teria que dar-lhe muita atenção. Dizia para ele que, criar um cachorro, não era só colocá-lo em casa, e pronto: Está criando. Não adiantavam os meus argumentos, ele sempre insistia. Às vezes citando um animal que ele viu alguém criando. Quando não era um animal “doméstico”, o meu “discurso” era maior. Daí o meu neto mudou de estratégia: Em vez de pedir, ele já chegou em casa com um gatinho... Disse que, quando ele vinha da escola, uma senhora que criava muitos gatos, deu-lhe. E já chegou providenciando uma caixa para colocá-lo. Imaginem o rebuliço aqui em casa... De um lado minha esposa: Dizendo que não queria saber de gatos, que o bicho suja tudo, e que isso, e que aquilo... Do outro lado o meu neto: Dizendo que cuidaria do gatinho, que faria isso, faria aquilo... Juro que não me lembro onde eu fiquei nessa hora. Devo ter ficado do lado de fora. Então ficou acertado que no dia seguinte o gatinho seria devolvido à antiga dona. Aconteceu que no dia seguinte, além de ter obrado no banheiro, o gatinho (feio) amanheceu tremendo e vomitando... Aí foi aquela agonia: O que será que ele comeu? Dá leite pra ele! Ele vai morrer! Dá um chá! Chá de quê? E lá vai a agonia... Minha mulher brigava de um lado, por causa da sujeira do gatinho, e se apiedava do outro, por causa do estado dele. A minha filha, que estava em casa nessa hora, aumentou o lado da piedade. Esse rebuliço todo ganhou até um poema: “O Gatinho Está Doentinho”. O certo é que, nessa confusão toda, o gatinho (feio) acabou ficando.

           Com toda reclamação de minha esposa por causa da sujeira que o gatinho fazia no banheiro; com toda minha gozação dizendo que ele era até educado, pois ia satisfazer suas necessidades no lugar apropriado (quem acabava limpando era eu); com toda preocupação de minha filha em comprar vasilhas para o gato comer, vasilha para fazer as necessidades dele; com todo dengo do meu neto; o gatinho (feio) foi crescendo e transformou-se num bonito gatão. Resumindo: O gatão (Pepe) morreu envenenado. No mesmo dia meu neto trouxe outro “gato”. Eu vi logo que era gata, mas fiquei calado. Quando minha mulher descobriu, começou a reclamar. Entre fica e não fica, a gata ficou (Lara). Lara engravidou, teve três gatinhos. Dois nasceram mortos, só um vingou (Vivi). Lara apareceu grávida outra vez. Minha esposa começou a dizer que botaria ela para fora... Resultado: Lara sumiu. Ninguém sabe o que aconteceu. Minha esposa ficou com remorso, achando que foi por causa das ameaças que ela estava fazendo. Nós percebemos que Vivi ficou sentindo o desaparecimento da mãe por algum tempo, mas depois se acostumou. Agora ela reina absoluta. Minha mulher, que não queria saber de gatos (principalmente de gatas), agora a enche de carinhos. Até ovo de páscoa para Vivi, ela comprou. Quando eu olhei, espantado, ela me disse: O que é? Ele também tem direito! Que mudança...
Autor: Antônio Jorge Dantas – Salvador/BA
Publicação autorizada pelo autor através de e-mail de 21/04/2012

sábado, 21 de abril de 2012

Recife, 1984 - Autor: Jorge Tufic


Quarto de hotel, Recife. Num domingo

de retalhos de mar na luz que invade

o corredor deserto: um breve pingo

do que sonha, lá fora, a eternidade.

Simples quarto de hotel. Aqui distingo

meu corpo horizontal. Ora, quem há-de

visitar-me no beco! Então me vingo

de estar só com este vento e amo a cidade.

Leio os poetas da terra. Os mais alados

cuja semente estala, por sua lavra,

em tambores, violões, nordestinados.

Marcus Accioly é a voz, o canto grave

em território áspero. E a palavra

tira da pedra o que ela tinha de ave.


Fonte: Agendário de Sombras
Autor: Jorge Tufic - Fortaleza/CE
Sonetos, página 24 



Publicação autorizada pelo autor

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Mineirim na ferroviária - Autor: Eurico de Andrade

Esta história todo mundo conta, mas ninguém imagina que ela foi de fato acontecida com o Expeditão, na única vez que o moço viajara a Belo Horizonte. Comprou sua passagem de volta pra Tabuí e, ao encontrar um seu amigo que vinha da Bahia, sujo e mal arrumado, que nem sabia conversar direito com o povo da cidade, ofereceu-se para ajudá-lo. Foi comprar a passagem pra ele também.


- Óia, moço, agora me dá passage pro Esbuí patabuí.

- Ãhn? Cê qué passagem pra ondé? – perguntou, distraído, com a educação característica, o homem do guichê da estação ferroviária.

- Passage pro Esbuí patabuí...

- Olha, moço, presse lugá aí tem passagem não.

- Causdiquê qui num tem?

- Ó, cê qué sabê? Pra Esbuí não tem passagem e nem trem!

Expeditão, chateado da vida com a desfeita do moço, volta ao seu amigo e dá a notícia:

- Óia, Esbuí, o bietero avisô que procê num tem passage não. E que nem no trem ocê entra.



Autor: Eurico de Andrade - Brasília/DF




Publicação autorizada através de e-mail de 07/05/2012

Talvez ... - Autora: Otilia Cristina

Talvez esta palavra, nos faz pensar nas coisas que já se passaram.

Talvez a vida tenha sido dura comigo. Talvez  eu  tenha sido mole e não dado a atenção necessária para a vida e assim ela tenha talvez ficado mais difícil que  eu achava que seria.

Talvez eu não tenha me olhado mais me cuidado mais me sentindo mais e talvez eu tenha colocado nas mãos das pessoas erradas a minha felicidade ou talvez esse seja nosso maior erro deixar a nossa felicidade nas mãos das pessoas, certas erradas sei lá.

Talvez eu tenha me casado cedo demais, talvez tenha me casado, pra talvez fugir de alguma situação, talvez amasse demais ou talvez amasse de menos.

Talvez olhasse menos do lado talvez tenha me fechado para os olhares e talvez tenha o meu olhar se encolhido pela vida afora.

Talvez nem vi o tempo passar e talvez eu tenha contado os segundos e minutos de toda essa minha vivencia, talvez tenha sorrido menos, talvez tenha me escondido e talvez, por isso ela a felicidade passou e eu fiquei aqui talvez, com medo de ser feliz.

Talvez ainda haja tempo pra viver, talvez o tempo se esgotou, ou talvez ela a tal felicidade bateu em alguma porta, e encontrou alguém disposto à aceita-la talvez por estar tão certo do que quer.

Talvez ainda vá sorrir ou talvez tenha que estampar um riso amarelo. talvez a risada  frouxa, escandalosa ainda fará parte do meu rosto ou então talvez as lagrimas inundarão meu rosto, talvez,  eu pudesse ter sido  tão completa, talvez eu fui e nem senti. Talvez confundi amor com fuga e talvez hoje o amor não confundido não pode ser vivido... talvez   talvez  talvez   são tantos que  hoje sei de uma coisa.

Talvez arrume tempo e forças para lutar por minha felicidade ou talvez deixe a vida passar do jeito que ela esta até um dia talvez tudo se transformar e talvez eu tiver a chance de viver o que talvez sempre sonhei viver...

Beijos

Autora: Otilia Cristina - São Paulo/SP

Publicação autorizada pela autora.

Mineira em terras nordestinas: Mingau de cachorro? - Autora: Celêdian Assis

Um dos grandes prazeres em minhas viagens é a descoberta de curiosidades regionais, dos hábitos e costumes, enfim, da cultura local. O Brasil, nesse aspecto, é riquíssimo, pois cada região, cada Estado e até mesmo cada cidade dentro dele, tem tantas peculiaridades que o transforma em vários “Brasis”.
Numa de minhas viagens no início de 2012 ao Nordeste, mais precisamente em Recife, fui conhecer o Mercado São José. Mercados, feiras, são similares em qualquer região do país, a surpresa fica mesmo por conta dos produtos que são diferenciados. Percorrendo as bancas, ouvindo conversas, propagandas dos feirantes (adoro também ouvir as falas regionais), passou por mim um vendedor ambulante e ele berrava: “Olha o mingau de cachorro...mingau de cachorro...mingau de cachorro quentinho...”
Segui em frente mas descontente, pois aquilo ficou martelando em minha cabeça. Voltei e quase que hilariamente corri atrás do vendedor, gritando: “Moço...moço...”  Muita gente passando por ali e alguns me olharam com aquela expressão de indagação: quem, eu? Até que o próprio percebeu que era por ele quem eu chamava. “Vai querer o mingau, dona?”. Minha filha que me acompanhava, ficou lá atrás, sem entender nada e certamente pensando: minha mãe enlouqueceu.
Confesso que não tive nenhuma vontade de experimentar o tal mingau. Afinal, o que seria aquilo? Um mingau com carne de cachorro? Não poderia ser, mas mesmo assim, senti repugnância. “Não quero não moço, apenas queria saber o que é isto e para que serve.”  Claro que senti certo desapontamento nos olhos dele, ele queria vender, mas assim meio desconfiado, como quem pensava: como pode alguém aqui no Nordeste não saber o que é mingau de cachorro? Santa ignorância! Sei lá se ele pensou isto mesmo, acho que foi a minha consciência que deduziu assim.
Veio a explicação bem econômica, sem revelar os segredos da preparação, apenas as indicações do tal mingau. Olha que são muitas e ouvi dele sobre o remedinho que parece meio milagroso: “Serve pra tosse de cachorro, coquelucha, mal do peito, inflamação da garganta, prá limpar catarro do peito, cansaço, fraqueza e desanino (assim sem acento mesmo) e prá homem que anda fraco também...”.  Essa última indicação, eu entendi como impotência.
Agradeci e saí. Satisfeita de conhecer pelo menos as indicações, mas ainda fiquei pensando, tecendo hipóteses sobre a origem do nome de tal preparação. Associei logo o nome à tosse de cachorro, um tipo de tosse irritante e persistente, como as tosses de coqueluche. Chegando à pousada fui buscar na internet mais alguma informação. Nada encontrei sobre a origem, mas achei algumas receitas, com pequenas variações. Creio que a receita original, aquela com sabor afetivo de mãe, que usa a sua sabedoria para cuidar dos filhos com as receitinhas caseiras, cada uma deve guardar seus segredos.
Bom mesmo é conhecer a diversidade da sabedoria popular, principalmente as especialidades culinárias espalhadas por esses vastos Brasis.
Continuo sem saber que gosto tem o mingau de cachorro do Mercado São José.
Celêdian Assis
Mingau de cachorro
Caldo substancial usado como remédio para pessoas enfraquecidas. Também conhecido como cabeça de galo, o mingau é muito forte e deve ser tomado quente, de preferência no jantar. Uma variação deliciosa do Mingau de Cachorro, para não enfermos, é adicionar mais pimenta, sal e uma colher de sobremesa de manteiga. Quebre um ovo dentro da mistura, quando chegar ao ponto de fervura,  continue mexendo. Deixe esfriar um pouco e tome como se fosse uma sopa. Há outra receita em que acrescentam ½ colher de chá de azeite de oliva extra virgem:
- Pegue um dente de alho, pique e coloque no liquidificador.
- Coloque 1 copo de água.
- Coloque uma colher de sobremesa de farinha de mandioca.
- Coloque uma colher de café de margarina.
- Uma pitada de pimenta-do-reino em pó.
- Uma pitada de sal.
- Bata tudo no liquidificador e depois coloque em uma panela e leve ao fogo.
- Deixe chegar ao ponto de fervura, a aparência vai ser de um mingau ralo.
- Quebre um ovo dentro da mistura e continue mexendo.
- Deixe esfriar um pouco e tome como se fosse uma sopa. 

Autora: Celêdian Assis - Belo Horizonte/MG




Publicação autorizada pela autora através de e-mail em 07/04/2012

O rio das velhas de minha imaginação! - Autor: Carlos Costa


Enquanto a professora de geografia explicava, escrevendo com giz branco em uma grande e imensa lousa verde, que “rio das Velhas” era brasileiro, localizado no Estado de Minas Gerais, tendo suas nascentes na Cachoeira das Andorinhas, no município de Ouro Preto, sendo o maior afluente em extensão do Rio São Francisco, desaguando em Barra do Guaicuí, no município de Várzea de Palma, a fértil imaginação que já possuía em meus 14 anos de vida via, nitidamente, uma porção de mulheres acima do peso, idosas, usando roupas sem manga, com os vestidos levantados acima dos joelhos e presos em algum lugar de seus corpos imensos, levando roupas em pedras que existiriam no leito do rio.

O mesmo ocorria quando meu professor de história geral explicava para os colegas sobre uma das sete maravilhas do mundo antigo, os Jardins Suspensos da Babilônia. Visualizava, em minha imaginação, os vestígios de uma monumental obra arqueológica, uma das mais relatadas, mas que menos se conhece até hoje, exceto pelos poucos terraços arborizados, apoiados em colunas de 25 a 100 metros de altura, construídos por Nabucodonosor para guardar e consolar sua esposa preferida Amitis, que nascera no reino vizinho, e vivia com saudades de campos e florestas de sua terra e delirava só em imaginar um monte de plantas em cima de um castelo suspenso. Ah, como eu viajava sem sair de minha sala de aula!

Anos depois, em viagem de ônibus, cruzei uma ponte sobre o Rio das Velhas e fiquei decepcionado, pois não era nada do que meus sonhos a imaginação fértil de meus 14 anos de vida me mostravam e eu chegava a visualizar àquelas mulheres suadas, esfregando as roupas em cima das pedras com seus enormes braços balançando para um lado e para outro, como se estivessem dando adeus para algum desavisado que as estivessem olhando naquela cantoria que também eu imaginava que existisse.

Mas era somente um rio estreito no verão, igual a muitos que conheci viajando de ônibus pelo nordeste do Brasil e sem velhas lavadeiras que existiam em meus delírios adolescentes. Mas desde então, fiquei com trauma de mulheres obesas usando roupas sem mangas porque as imagino todas como se lavadeiras fossem!

Eu as aceito, mas não tolero senhoras idosas, obesas, usando roupas sem manga porque tenho a impressão que meu sonho de menino-adolescente está de novo se concretizando na minha frente!

Talvez, seja também, porque tive uma professora de matemática muito obesa que, quando chamava alguém à mesa para levar bolo de palmatória na mão, o braço dela era tão gordo, mais tão gordo, que a parte debaixo dele, o famoso “tiauzinho”,balançava. E ela costumava usar vestidos sem mangas.

Quanto aos Jardins Suspensos da Babilônia ainda não os conheci, mas acho que vou me decepcionar também, como foi minha decepção ao conhecer o Rio das Velhas. Antes não tivesse conhecido!

Eu ainda teria em minha imaginação de adolescente e o mesmo sonho infantil!

Autor: Carlos Costa - Manaus/AM

Blog do autor: http://carloscostajornalismo.blogspot.com/
Publicação autorizada pelo autor através de e-mail de 28/04/2012

terça-feira, 17 de abril de 2012

Des,con,ti,nui,da,de - Autor: Jorge Tufic

A vida, o que é?
Alguns acordam para morrer.
Outros morrem
para entender.

A vida é o que sonha.

Fonte: A insônia dos grilos
Autor: Jorge Tufic - Fortaleza/CE
Poesia - Página 24

jorgetufic@hotmail.com

Publicação autorizada pelo autor

Um poeta para cada momento - Autora: Zélia Freire


Um poeta para cada momento e o meu momento pede Álvaro de Campos, por estes versos: ...Devagar, porque não sei /Onde quero ir. / Há entre mim e os meus passos / Uma divergência instintiva./ Há entre quem sou e estou / Uma diferença de verbo / Que corresponde à realidade.

E para entender essa diferença de verbo vou eu “arrancar da alma os bocados precisos”, nem sempre consigo, nem sempre tenho respostas, a vida é confusa, é uma mistura de sonho e realidade, é bifurcação e eu acabo sempre sem saber qual caminho seguir, até lembrar que ela, a vida é feita de momentos e se pede agora versos de Álvaro de Campos, daqui pouquinho eu posso me encantar com versos de Vera Mussi que diz: “Só Deus pode explicar / o milagre de um recomeço.

Autora: Zélia Maria Freire - Natal/RN

http://sentimentoszeliafreire.blogspot.com/
Publicação autorizada através de e-mail de 17/04/2012

Sem palavras - Autora: Vanice Ferreira

A mesa estava arrumada; as xícaras de porcelana com detalhes florais e dourados se sobressaíam na toalha branca em acabamento de crochê rosa, combinada com os bordados dos guardanapos em tons de vermelho, quase tudo em ordem, aguardando o café.

Ao colocar o bule com leite à mesa, derrubei boa parte do seu conteúdo. Observei, então, o líquido branco em câmera lenta espalhar-se em suaves, mas incontroláveis ondas, na linda toalha e guardanapos, indo desaguar no chão. Quem ficou feliz foi meu gato, que a tudo observava, curioso. Por uns segundos, fiquei sem ação, sem palavras...

Quantas vezes temos a sensação de perder o rumo, de ficar sem saber o que fazer e não acreditar no que vemos? Desejaríamos ter uma máquina do tempo para poder voltar os ponteiros do relógio e mudar algumas de nossas atitudes e situações.

É difícil conviver com essa realidade, perceber e não se desesperar com o "leite derramado", que pode ser desde um simples atraso, um relatório perdido no mundo virtual, até a perda de um grande amor, de amigos e também de animais que nos fazem companhia.

Não podemos mudar o que aconteceu, contudo devemos buscar soluções, novas possibilidades... Encontrar a esperança escondida junto ao nosso bom humor!


Autora: Vanice Ferreira - Curitiba/PR


Publicação autorizada através de e-mail de 11/04/2012

A saga de um Pedro - Amor e luta traçando destinos


Esta é uma obra em cujos textos há a marca da trajetória de vida real de um homem, que traçou seu destino à custa de muita luta. Às vezes adquire características de ficção, por toda a intensidade que ele vivencia cada uma das situações, com ousadia e às vezes com extremo bom humor. Vencer na vida, proporcionar melhores condições a si e a sua família, foram motivos suficientes para movê-lo com obstinação na busca pelos seus sonhos e ideais.

O autor teve o devido cuidado em narrar a história com fidelidade e utilizando do recurso de tornar o próprio protagonista em narrador, conferiu maior veracidade à história, tornando-a intensa, forte, emocionante, divertida, sobretudo, uma história humana de luta e de amor, traçando o seu destino.

Celêdian Assis de Sousa - Belo Horizonte/MG

Livro:
A saga de um Pedro - Amor e luta traçando destinos
Autor: Carlos Lopes
Preço: R$ 25,00 (livro+envio)
Adquirir através do e-mail:

sábado, 14 de abril de 2012

Pau de bosta - Autor: Chagoso

Não se trata de conotação alguma. Podem ficar tranquilos os mais conservadores!...
Era uma brincadeira contemporânea da outra sobre a qual escrevi uma crônica aqui mesmo: "Mão no bolso". Muito menos violenta, infinitamente mais nojenta, mas muito mais engraçada, até porque tinha plateia e tudo.
Geralmente à noite e em locais pouco iluminados, dois moleques começavam a discutir com muito xingamento e provocação até que se juntasse em torno deles vários outros garotos. E como nesse caso quase todos queriam ver uma, ao invés de apartar a molecada até incentivava mais a briga. E assim discutiam até criar um clima de briga mesmo e, nesse instante um se afastava dizendo "Espera aí que tu já vai ver..." e voltava com um pedaço de pau roliço mais ou menos do tamanho de um cacetete policial.
O moleque desarmado xingava o outro de covarde, por estar portando o cacete. Nesse momento o menino armado fala pra outro moleque que estivesse próximo, mas sem nenhuma participação na discussão:
- Segura esse pau aqui que vou mostrar pra esse viado quem é covarde aqui - e estendia o cacete de forma que o outro o pegasse no local bem próximo de sua mão.
Quando o garoto segurava o pau o que tinha a posse puxava com toda a rapidez de forma que o coitado esfregasse a mão sobre todo o restante da superfície do cacete.
E aí estava o segredo da brincadeira: o pau estava todo sujo de fezes de cachorro, gato ou mesmo de gente. Então os que tinham armado a brincadeira gritavam eu uníssono "Pau de Bosta!" e disparavam a correr.
Normalmente a brincadeira parava por aí. Apenas eventualmente acontecia alguma represália mais nada que merecesse sequer a interveniência dos pais dos envolvidos.
Eu nunca participei, como também nunca foi pego na tal brincadeira. Mas confesso que gostava de ver aquilo tudo da mesma forma que gostaria que hoje as brincadeiras fossem tão somente violentas quanto aquelas.

Autor: Chagoso – Porto Velho/RO
Comentário do autor no blog Gãndavos:

Seus textos são excelentes. Vou procurar lê-los com mais frequência. Quanto ao meu "Pau de Bosta", do Recanto das Letras. Fique a vontade para usá-lo como melhor lhe convir.
Abraços
Chagoso

terça-feira, 10 de abril de 2012

Sabores da minha infância - Autora: Veralis

"Chora menino pra comer japonês o menino que não chora é um menino muito "fei"..." Ainda me lembro do "cantador"  vendedor de japonês, carregava o tabuleiro sobre uma rodilha,  no alto da cabeça, nas mãos os pés do tabuleiro feito de madeira e que se abriam  em forma de X logo que ele arrumava sua central de vendas, nós o cercávamos. Alguns com centavos de cruzeiros, outros apenas com a esperança de ganhar a amostra grátis que naquela época ja era uma excelente propaganda para as vendas posteriores. Ah! os sabores: coco, batata doce  amendoim, amendoim com coco, goiaba. Ah!sabores de minha infância!

Dias desse passou um vendedor de japonês  _japonêeees, japonêeees.

Já não tem mais cantoria, os sabores são os mesmos: coco, batata doce,goiaba... Infelizmente os "sabores" não são os mesmos, ou são e minha língua de tanto experimentar gostos novos, acabou esquecendo os velhos gostos...

Ah! Sabores de minha infância! Agora "tô"  na tocaia  do algodão doce de bacia. Desse eu também ganhava amostra grátis.

Autora: Vera Lúcia Alves do Nascimento - Olinda/PE
Publicação autorizada pela autora

Enfim o outono - Autor: Sonia Biasus

Afinal, hoje começa oficialmente o outono (20/03). A tendência é de refrescar, mas as previsões são ainda de calor intenso para os próximos dias. Aproveitando os últimos calorões para aquecer a alma e tentar aceitar o (in) previsível de maneira que possa provocar um crescimento natural deste ser que luta por manter a mente em alta, mas que nem sempre consegue. Com sabedoria, e muita calma nesta hora, vejo os desafios vindouros como parte de minha vida e se for para melhorar que venha, pois estou determinada a enfrentar tudo com força e coragem.

As folhas começam a amarelar e a cair e com elas o meu ânimo também parece não suportar as intempéries dos últimos acontecimentos. Entretanto, venho recebendo vários estímulos e forças vindas de onde nem imaginei que poderia vir. São gestos que nos fazem refletir e ver que ainda há razões para lutar. Nem sempre são atitudes, porém algumas palavras parecem soar em nosso íntimo fazendo com que busquemos impulso para reagir e ao menos aceitar o que, num primeiro momento, parece sem solução.

Talvez seja um pouco de exagero natural de quem está fragilizada pelos fatos, ou talvez seja a descrença de quem não consegue ver que pode ter alguém em pior situação e insistir em ver apenas o próprio umbigo. Quando paramos para pensar vimos que tem fatos muito mais tristes e sem solução. Quando ainda há solução é porque é hora de lutar com todas as forças possíveis, porque Deus dá o peso conforme a força.

No entanto, não me sinto culpada por pensar momentaneamente no pior, pois a vida tem sido muito dura comigo, tenho buscado forças para viver incessantemente e, me parece que, quanto mais eu luto mais desafios aparecem. Conquisto as cosias que pretendo a duras penas, e não estou me lamentando, afinal eu faço minhas escolhas, mesmo que impulsivamente, mesmo que me arrependendo depois, mas as escolhas são minhas.



E novamente Deus me põe a prova, apresenta o problema e eu soberbamente me desespero, me fragilizo, fico sem chão. Daí surge o desânimo e a desesperança. Depois da tempestade, já com a razão de volta á vida, percebo que há pessoas com problemas e sofrimentos ainda maiores que os meus. Vendo isso sinto vergonha por ter perdido a fé, por ter medo de lutar. Mas que venham os desafios, que venham as intempéries, me armarei com todas as armas possíveis e enfrentarei a cada uma com altivez e determinação.

Autora: Sonia Biasus

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Publicação autorizada através de e-mail de 10/04/2012