domingo, 27 de outubro de 2013

Blog Casal 20


Blog Casal 20


Escrevi dois contos para este livro aí! E já é a terceira publicação da série Gândavos que publica meus textos. Muito legal estar entre tantos outros escritores de todo o Brasil. Muito obrigado ao meu amigo Carlos Lopes.

Fábio Ribas
Região do Araguaia/MT

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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Alma de bailaria

Autora: Mônica Caetano Gonçalves

Há sempre uma bailarina
Na alma feminina.
Desde bem pequenina
Sonha a menina,
Muito antes de entender
O que é ser Mulher

Muita força é exigida
Para na ponta dos pés deslizar
Pelos palcos da vida...
Sem perder a beleza
De sua delicadeza...
Sem se desequilibrar
E no ritmo dançar.

Seja um ‘Pas de deux’ ou ‘Solo’
Para seu consolo
Vence as dores
Dos esforços e desamores
Sempre a sorrir,
Ao interpretar a dança
Da esperança
No porvir!!!!

Autora – Mônica Caetano Gonçalves – Belo Horizonte/MG

Publicações da autora: (http://monicaemversos.blogspot.com.br/) e também semanalmente no Jornal "O Pioneiro" (Linhares- ES) e na Revista CAPITA Global News (Colatina - ES), além de poemas no site Poetas Trabajando e crônicas eventuais no site Debates Culturais.

domingo, 20 de outubro de 2013

Avalanche de amor

Autora: Sonia Biasus


A volúpia de nosso amor
Rompe barreiras com esplendor
Estremece céu, terra e o mar
Uma verdadeira explosão em pleno ar.

Uma tempestade de beijos
Invade com loucura nossos corpos
Ardentes de paixão e desejos
Provocando uma avalanche de amor.

Levando-nos ao delírio
À transcendência total
E provamos algo sem igual
O êxtase transcendental.

Corpos suados...
Realizados...
Transformados...
Imensamente feliz!


Autora: Sonia Biasus

Blog: http://soniabiasus.blogspot.com/(poesias e textos literários de minha autoria)
Blog: http://sb-assessoriapedagogica.blogspot.com/(postagens da escola)
Blog: http://writermontblanck.blogspot.com (Me conta um conto?(conteúdo infantil)
Blog: http://http://transtornodohumoroubipolaridade.blogspot.com/ (informativo)
Cronista/colunista: www.revistasemlimites.com.br
Colaboradora do blog:http://gandavos.blogspot.com/

Publicação autorizada pela autora

Anjo disfarçado de pessoa

Autora Sonia Biasus

Ei...Você está vendo ali?
Onde?
Ali...
O que é?
Olhe bem...
Estou olhando....Mas o que é?
Um anjo!
Anjo?  Mas anjos não existem.
Existem sim, ali está um deles.
Não, não é um anjo.
É sim!
Por que diz que é um anjo?
Porque é um anjo, olhe bem nos seus olhos.
Que tem seus olhos?
Olhe bem dentro deles.
Está bem, deixe-me ver então.
Ah!  Você tem razão, é um anjo.
Sim um lindo anjo disfarçado de pessoa!
Olhe mais uma vez em seus olhos.
Está bem...
E então? Que você vê nos olhos deste anjo?
Hum....vejo  meus olhos refletidos neles.
Ah!  Finalmente...
Que foi?
Finalmente você viu o anjo  disfarçado de pessoa...
VOCÊ!


Autora: Sonia Biasus

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Publicação autorizada pela autora

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

As núpcias de Ritinha

Autora: Meire Boni
 
Ritinha  perdeu a mãe muito jovem,  foi criada pelo pai e pelos irmãos maiores.  A  figura feminina mais próxima  era  a madrinha que morava na cidade vizinha que a visitava de vez em quando.  Era ela quem lhe ensinava a  lidar com os trabalhos domésticos e a bordar, mas nunca conversou com a menina sobre certos assuntos.  Achava  Ritinha  muito nova, quando fosse o tempo, teria a tal da conversa com a menina.   
Mas o destino se encarregou de interromper o aprendizado. A madrinha morreu , e Ritinha passou a viver em um mundo de homens, e era com eles passava a maior parte de seu tempo. Ajudava na lida com o gado, na roça e ainda nas tarefas domésticas.  No tempo livre era mais um dos vários moleques da fazenda.
O tempo passou e quando as primeiras chuvas da primavera  chegaram, Riitinha estava trepada nas grimpas de um pé de jabuticabas  quando percebeu que havia sangue escorrendo pelas pernas. Procurou por um ferimento, não encontrou nada. Sozinha, desceu rapidamente, e já em terra firme se examinou, e quando percebeu a origem do sangramento, abriu a boca a chorar.  Não sei se por falta de lágrimas ou por  entender  que o choro não faria o sangue parar, ela  fechou a boca e em soluços  pediu ao Divino Pai Eterno que não a deixasse morrer daquilo.  Correu para o banheiro e ficou lá emburrada.
Já desconfiado do que se tratava o emburramento da filha, o pai tratou de chamar a mulher do vizinho para acudir a menina. A mulher interveio, e conseguiu fazê-la abrir a porta e lá dentro mesmo deu uma aula rápida sobre o assunto. Ritinha de olhos inchados, apareceu na hora da janta , e  nos dias que se seguiram os irmãos notaram  seu andar um tanto estranho, mas  pensaram que se tratava de alguma sequela do acidente que a pobre sofrera no pé de jabuticaba.
Ritinha agora era uma mocinha. Mas apesar disso,  ainda mantinha semblante e atitudes de menina.
Na véspera de  completar  quinze anos seu pai lhe chamou na sala, depois do jantar.  Estava lá um homem que Ritinha já tinha visto algumas vezes na fazenda. Era José, filho de um conhecido da família.  Foi assim que Ritinha soube que seu destino já havia sido traçado pelo seu pai, muito antes dela adentrar-se naquela sala.  
Foi através de um aviso, não de uma pergunta que Ritinha  que a mão de Ritinha foi entregue: “Rita de Cássia, minha fia, este é Zé, fio do compadi Mané,  ele vei pidi sua mão, eu consenti, só falta agora acertar a data, modi o’cêis casá.”   Ela assentiu, e foi chamada a retirar-se.  Até que achou que seu pai falou muito, em seus quase quinze anos de vida, nunca ouviu o velho lhe dirigir mais que uma frase por vez.
Manteve sempre a cabeça baixa, mas antes  de sair, só deu uma olhada no tal do Zé, este  era todo sorriso.
Desde acontecimento  até o  casamento se passaram menos que trinta dias.  Zé arrumou tudo bem depressa,  a pedido do sogro: “Minha fia não teve mãe, a madrinha morreu, e aqui tem homi demais. Ela  pricisa casá logo, ou vai virá machi e fema.”
E tudo correu dentro dos conformes, tirando o fato de Ritinha ter se casado inocente de tudo.
Já casada  e instalada em sua casa cheirando a nova, Ritinha entrou para o quarto, tirou o vestido de noiva, vestiu sua camisola e se deitou. Estava muito cansada, só pensava nos presentes, queria abri-los o mais rápido possível,  mas combinou com Zé que deixariam para o dia seguinte.  Até que ela gostava dele, nas poucas vezes que se encontraram,  sempre foi muito gentil e educado. Mas estava com medo de ficar a sós com ele. “Ele me olha de um jeito...parece que tá me vendo pelada! Curuizz!”
Quando Zé entrou no quarto, ela ainda estava acordada, mas fingiu dormir. Percebeu que ele já havia tirado sua roupa de noivo, que tinha tomado banho, pois cheirava a sabonete e a pasta de dente. Ele se deitou ao seu lado e foi chegando perto.  Na medida que ele chegava, ela se afastava. De olhos fechados e ressonando de mentira, Ritinha chegou tanto para o lado que acabou por cair da cama. Fez um barulhão.  “Ritinha, meu amor, você se machucou?” Ela fingindo acordar naquele instante:  “Que nada, sonhei  e assustei!  É melhor a gente ir dormir, estou muito cansada!” Zé emburrado, resolveu ir dormir no sofá.
Três dias se seguiram, ou melhor, três noites, e nada. Toda noite, quando Zé se aproximava, Ritinha inventava uma desculpa, e ele acabava no sofá.  A paciência  se esgotou na quarta noite. Na primeira tentativa, quando Ritinha recuou, Zé esbravejou  “Ritinha, o que tá acontecendo com você? Nóis casó tem quase uma semana e ocê num deixa eu triscá nem no seu cabelo?  Eu tive paciência até hoje, mas assim num dá né? Sou um homem casado e quero o que é meu por direito!” Quando Zé parou de falar, Ritinha  abriu o berreiro.
Zé, sem saber o que fazer, ameaçou: “Tá bão, hoje num vou mais triscá n’ocê, mas se amanhã de noite num acontecê nada, vou devorvê ocê pro seu pai... Bem que a mamãe me avisou, que fia criada sem mãe num dá muié que presta! Amanhã..”  Disse isso, pegou seu travesseiro e foi dormir na sala de novo.
No outro dia, quando Ritinha se levantou,  Zé já havia saído. Ficou em casa amanhã inteira pensando em uma saída.  Sabia que o pai não a aceitaria de volta, teria que dar um jeito naquela situação. Mas o que deveria fazer? Tinha uma ideia muito vaga sobre a coisa, nunca teve uma amiga, com quem conversasse. “Não sou chucra, tenho educação. Estudei, sei lê e escrevê. Sempre cozinhei e até sei bordá e costurá.  Como a sogra falou isso de mim? Que  eu num presto porque num tive mãe? Eu presto sim! Veia iscumungada, eu presto mais que ela!  O que Zé quer  fazer comigo é feio e eu acho mei nojento! Será que todo mundo que é casado faz isso? Meu pai fez com a minha mãe?”  
Como sempre fazia em momentos de desespero, Ritinha se pôs a rezar e a pedir ajuda a todos os santos que sabia o nome. Criou coragem e tomou uma decisão.
Quando Zé chegou, ela já o esperava no quarto.  Antes que ele  fizesse alguma coisa, ela mandou que se sentasse. Ele se sentou, e ela falou: “Zé, você tá certo, eu não deveria ter feito isso! Sei que te devo e vou pagar.  Pensei que ocê num fosse cobrá, mas já que cobrô. Mas antes, quero que ocê me responda uma coisa.” Zé,olhou para Ritinha que se mantinha de pé, com as mãos na cintura: “Pode falar, Ritinha!” E ela soltou: “Oiá Zé, o’cê sabe que num tive mãe, que num tive ninguém pra me ensiná  essas coisas, intão como eu vou sabê fazê...  Mas é verdade que todo mundo que é casado faz isso?”
“É verdade Ritinha”
“Até sua mãe e seu pai?”
Zé engoliu seco “É, eu acho que eles ainda faz!”
“O’cê vai tê paciência de me ensiná?
“Mas é claro, eu amo o’cê!”
“Num tem outro jeito, tem?”
Ele balançou a cabeça negativamente. E ela acrescentou:
“Então hoje,quando ocê vié  num vou chegá pra lá!”
No outro dia, Zé chegou mais tarde no trabalho, e quem passasse lá por perto notaria que toda a roupa de cama recém lavada, secava no varal.
Tempo depois quando Zé foi visitar sua mãe:
“E sua muié, Zé, tá aprendendo a ser muié casada?”
“Tá sim, mãe! O que ela num sabe, eu ensino. E num é que ela aprende direitinho, tem umas coisa que já ta fazendo mió do que eu ensinei!”




Autora: Meire Boni - Bela Vista de Goiás/GO

 

Publicação autorizada pela autora

O matador de assombração - Autora: Meire Boni


Tião passava sempre por aquela estada, ele nunca tinha visto nada, mas no fundo tinha um certo receio daquele lugar.

A estrada nasceu do calor das patas dos bichos que zigue-zagueavam  acompanhando a margem do riacho buscando o melhor lugar para tomar água fresca.  Seguia rasgando duas serras ao meio. De certa altura em diante, ganhava a companhia de um riacho, que nasce lá no alto e vem  serpenteando. Em um mesmo lugar, a estrada é cortada pelo riacho e por uma  cerca. Havia uma velha ponte e uma velha porteira.

O único barulho que quebrava aquele silêncio, como uma faca afiada era a batida da porteira. Por causa do desnível do terreno, a força da gravidade se encarregava de fechá-la. Era só abrir, passar, soltar e esperar. Geralmente eram três batidas, a primeira, um estrondo que podia ser ouvido a quilômetros de distância, depois outra menos forte, ia diminuindo até voltar ao seu estado inicial.

O lugar que não tinha um aspecto agradável durante o dia, a noite se tornava assustador. Muitas histórias estranhas o cercavam. Há os afirmam terem visto bolas de fogo saindo do rio e desaparecendo por detrás da serra. Outros juram terem ouvido vozes, choros e gritos vindos de debaixo da ponte. Até uma mulher, que aparece sentada na ponte de quatro metros de altura,  balançando as pernas e molhando os pés nas águas do riacho lá embaixo.

Era um dia de seca,  chovia fuligem do céu, pois uma grande queimada ainda ardia lá no alto da serra. Tião estava na cidade, como era de costume,  tinha ficado até tarde na jogatina e na bebedeira, pegou seu cavalo que de tão ensinado já sabia o caminho de casa, e seguiu pela velha estrada. O álcool agia em Tião como um escudo, era só beber que ele ficava metido a valente. Era acostumado a passar naquela estrada, falava nas rodas de conversa que tinha vontade de se encontrar a tal da mulher de pernas compridas, dizia isso enquanto batia a mão em seu trinta e oito na cintura.

O único barulho que se ouvia era o que o casco do cavalo fazia ao tocar o chão batido e o  estalar da vegetação que era engolida pelas labaredas no cume da morro. Tião passou pela ponte, pela porteira e a soltou. O barulho estrondoso de sua da batida ecoou serra acima.  Antes da segunda batida, Tião ouviu um barulho anormal. Alguma coisa descia a serra em sua direção. Antes que a porteira batesse pela terceira vez,  arrancou o revólver da cintura e esperou até que o barulho chegasse mais perto. Nada se via.  Não havia como mirar, acertar ou errar era questão se sorte.  Não dava para esperar mais, Tião apontou em direção ao barulho  e descarregou sua munição em seja lá o que for que  já estava a poucos metros dele, bem a sua frente.

Estava tão escuro que não fazia diferença ficar de olhos abertos ou fechados. Ele preferiu a segunda opção. Cavucou a espora em seu machador, queria sair dali o mais rápido possível. Depois dos tiros pode ouvir o barulho de alguma coisa tombando. E se houvesse outros? Não tinha mais munição, só lhe restava rezar o Credo e correr. Assim o fez.

Chegou em casa muito assustado, o efeito do álcool já tinha passado, e a coragem também.

Ao clarear do dia, quem passou por aquela estrada pode ver um enorme tamanduá bandeira caído, com uma ferida mortal na cabeça.  O danado estava fugindo do fogo, e se assustou com a batida da porteira.

Autora: Meire Boni - Bela Vista de Goiás/GO
Publicação autorizada pela autora


domingo, 13 de outubro de 2013

A filha do Coronel (Texto Registrado no INL: 610.545 Livro 1.170, folha 321)


Autor: Jussara Burgos

Percival Matos era um sujeito que tinha uma forte personalidade, visão empresarial e muita disposição para o trabalho. Ele viveu na década de quarenta, no sertão de Pernambuco. Era casado com Edith e tinham seis filhos. Entre eles, apenas uma meiga menina de olhos da cor de mel, Gerusa era seu nome. Ela era o xodó do pai.
Percival comprou terras às margens da rodagem, esse era o nome das estradas de chão que ligavam a Capital ao interior do estado, pois naquela época não havia pistas asfaltadas. Havia um rio e a localidade era favorável ao cultivo de caroá ou caruá, como dizem os sertanejos. Os negócios prosperavam, Percival construiu uma confortável casa para sua família e se mudaram para Santa Felicidade. Logo veio a necessidade de uma escola para suas crianças e para os filhos dos seus empregados. Ele construiu uma escola e trouxe um professor do Recife.  Depois construiu uma usina de beneficiamento, uma vila de casas geminadas para os seus empregados, um hotel para atender os caminhoneiros que escoavam a produção, uma igreja e um posto de combustível. Percival ficou tão importante na região que ganhou o titulo de coronel, o que o deixava muito envaidecido.
Quando Gerusa ficou mocinha, ficou acertado que ela se casaria com o Antônio Matias, filho de um rico fazendeiro da Lagoa de Baixo. Ela casou no dia do seu aniversário de quinze anos e foi a maior festa da região. Quando terminaram os festejos, o noivo levou Gerusa embora, montada na garupa de um burro. O Coronel respirou sossegado, tinha cumprido a missão de casar sua única filha.
No dia seguinte na hora do almoço, a família estava reunida em torno da mesa, quando o Coronel Percival ouviu Antônio lhe chamar, do terreiro da casa. Esse ficou intrigado com a visita fora de hora. Chegando à porta, o Coronel escutou seu genro dizer: “Coronel vim devolver sua filha, ela não é moça”. Essa foi a maior desfeita que o Coronel sofreu na vida. Gerusa era a imagem da desolação. Cabisbaixa,  ficou parada diante do seu pai, que a surrou com chicote de cavalo, até ela ficar ensanguentada e desfalecer. Depois que ele saiu bufando feito um bicho, Edith levou a filha para dentro de casa e lavou os ferimentos com água de sal. Gerusa quando acordou do desmaio, falou para a mãe que jamais tivera contato com um homem. Edith aconselhava a filha dizer a verdade, para o próprio bem, mas ela negava veementemente, nunca tinha estado com um homem. De volta para casa, o Coronel deu ordens que não queria ver Gerusa enquanto vida tivesse. Ela iria viver trancada dentro de um quarto. E assim foi.
Gerusa foi tornando-se a cada dia, mais acabrunhada, sentia falta do convívio paterno, das brincadeiras com os irmãos e das amigas do vilarejo. Um dia enquanto a família estava na igreja assistindo à missa, ela foi até a usina e se enforcou com uma corda de caroá. A missa foi interrompida com o grito de um operário que dizia: - Acuda Coronel, Gerusa se matou! Foi aquela correia e desolação. Ninguém esperava por isso em Santa Felicidade.
Edith era prima do Dr. Célio, médico da cidade vizinha que apareceu para trazer suas condolências. Ela vivia inconformada com a situação da filha. Seu coração dizia que havia alguma coisa errada nesta história e quis tirar isso a limpo. Chamou o doutor no canto e pediu que ele examinasse Gerusa antes do sepultamento, pois ela havia criado a menina nas barras de sua saia, conhecia bem o seu temperamento calmo e jamais presenciou algum assanhamento.  O corpo da jovem estava sobre a cama para  vestir a mortalha, Edith pediu que as mulheres presentes se retirassem,  ficando apenas ela e o seu primo médico.
Após o exame o médico chamou Coronel e Edith e explicou que Gerusa era virgem, ela tinha hímen complacente. O Coronel prostrou-se diante da filha, pedindo perdão.
Junto com Gerusa o Coronel enterrou sua vontade de viver, deixou de cuidar da usina, dispensou os empregados, não quis mais ir à igreja, se isolou de tudo e de todos. Dizia sempre que o caroá lhe rendeu fortunas, mas também serviu para tirar a vida do seu maior tesouro.  Viveu corroído pelo remorso até o dia de sua morte.
Santa Felicidade ficou abandonada, não havia ninguém na região com recurso financeiro para comprar todo aquele patrimônio. A viúva e os filhos do Coronel Percival Matos  foram embora para São Paulo, sem nem mesmo vender as terras. As construções viraram ruínas ao longo das décadas e estão lá até hoje, a chamar a atenção dos que por ali, raramente, passam e até se benzem, ao perceber que Santa Felicidade tornou-se uma cidade fantasma. Entretanto, nem sequer imaginam que ali se enforcou a filha de um Coronel, para tornar-se para sempre na vida dele, o fantasma da tristeza e desilusão. 

Autora: Jussara Burgos - Luziânia/GO 

O texto ¨A filha do Coronel¨, foi Registrado no Instituto Nacional do Livro (Fundação Biblioteca Nacional), em nome de Jussara Burgos, número de Registro 610.545, Livro 1.170, folha 321.


 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Boi fantasma salvou da morte o carreiro


Autor: Geraldinho do Engenho

Esta estória ocorreu há muitos anos, quando a agricultura era praticada com as ferramentas rudimentares. E a força motora se restringia a base da tração animal. No tempo dos coronéis.

Em uma mega fazenda, havia muitos bois, vários carros e carreiros. Dentre eles, Maneco, um mulato de fala mansa que tratava os animais com muito carinho. Desaprovando os métodos usados pelos demais colegas na jornada de trabalho, ele criticava a crueldade no uso de ferrão e chicote para tanger os bois na labuta diária nos carretos.

Enquanto seus colegas massacravam os bois para transpor os obstáculos, nos atoleiros e nos aclives, deixando-os sangrando, picados de ferrão na maior crueldade, apenas conversando com os animais ele realizava sua tarefa com toda facilidade. Seu procedimento e sua critica irritava seus colegas. Enciumados vez por outra se queixavam ao patrão.  Querendo uma punição para o colega. A resposta sempre à mesma. -- Desde que sua tarefa seja executada, não importa os métodos usados por ele, dizia o patrão.

A afinidade entre o carreiro e os animais, se tornou admirável chamando a atenção e cobiça de vários vizinhos, fazendeiros, querendo contratar Maneco. Ele sempre afirmava, jamais deixaria aquela fazenda, por fidelidade ao patrão e apego aos bois.

Ao término da tarefa diária o carreiro acariciava cada animal, que o retribuía lambendo-lhe as mãos. Todos carinhosos, mas o boi malhado parecia mais afetivo, acompanhava o amigo até seu casebre, que situava a margem da estrada cortando a pastagem, onde eles viviam. Pela manhã ao despertar, Maneco deparava com o malhado à sua porta, já a sua espera, seguiam juntos, como dois seres humanos pasto afora, juntando os demais bois.

Certo dia malhado não apareceu. A noite anterior fora tomada por um temporal muito forte e a chuva torrencial prosseguiu por vários dias interrompendo as atividades na fazenda. Passada a chuva, ao retomar sua atividade Maneco não encontrou seu fiel companheiro. Avisado, o patrão colocou toda a peonada no seu campeio, e nada, nem sinal. Vários dias de busca, sem nenhum sucesso. Triste e deprimido o carreiro nem se alimentava mais, naquela busca incansável.  Por fim desistiu. Abatido, como se a perda fosse humana, entrou em profunda depressão. O patrão tentava reanimá-lo de todas as formas, em vão, sem resultados. Na cidade em cujo município situava a fazenda, residia um amigo do patrão, sabedor da estória, querendo ajudar o carreiro, solicitou ao amigo seu empréstimo. A lhe pastar serviços em seu sitio, nas proximidades da cidade. Seriam apenas alguns dias. Tudo arranjado entre amigos. A finalidade era reabilitá-lo de sua depressão.

Tudo combinado lá se foi Maneco com sua trochinha apanhar a jardineira que o conduziria até a cidade. Caminharia cerca de dois quilômetros, atravessaria o ribeirão até à estradinha mal conservada por onde trafegava a famosa jardineira.

Qual não foi sua surpresa, ao chegar à ponte, bem na entrada la estava o seu amigo, o boi malhado. Feliz da vida jogou sua trochinha de lado e correu a abraçá-lo. Recebeu uma cornada, caindo a vários metros distantes. Mugindo e babando, malhado parecia louco. Impedindo sua passagem. Amedrontado Maneco correu até a fazenda, avisou ao patrão. Julgando ser hidrofobia, lá se foram armados para abatê-lo. Mas encontraram apenas os vestígios do animal. Saíram pasto afora a procura dispostos a eliminá-lo a fim de evitar a disseminação da raiva.  A esta altura, o carreiro já nem mais lembrava da viagem, aliás, nem queria mesmo. Naquela incansável busca, avistaram certo numero de urubus sobrevoando muito além, onde havia uma cratera enorme provocada pela chuva. Dirigiram até lá. Sabe o que encontraram? - O boi malhado morto há vários dias em adiantado estado de putrefação.

Boquiabertos ninguém aceitava aquele fato, imaginado terem sido tomados por uma loucura coletiva, Voltou á ponte, e confirmaram os vestígios e rastos do animal muito visíveis.

No dia seguinte desvendaram o mistério. Proveniente da cidade chega um mensageiro a cavalo, a mando do amigo, convocando o coronel a irem resgatar Maneco. A jardineira caiu dentro do rio bem próximo à cidade, ao estourar um pneu, e ninguém se salvou. Somente ele, o Maneco, que a esta altura já havia ganhado até missa encomendada pelo amigo da cidade.

Acredite se quizer!... Escrevi o que deu na teia!



Geraldinho do Engenho - Bom Despacho/MG




Publicação autorizada pelo autor

domingo, 6 de outubro de 2013

Somos pessoas sozinhas


Autora: Sonia Biasus

Nascemos, somos uma só.
Depois que viemos ao mundo precisamos de aluguem para nos conduzir.
Começamos a caminhar e lá está a mão que precisamos para caminhar.
Adolescentes, achamos que já podemos seguir sozinhos...doce ilusão, mal sabemos que ai precisamos mais ainda de uma mão para nos guiar.
Enfim crescemos...em tamanho... espiritualmente...parece que ai não precisamos de mais ninguém, somos uno, fortes e nossas pernas podem, muito bem, nos conduzir onde queremos ir.
Outro engano...precisamos de “muletas” para nos conduzir novamente e atribuímos isso à outras pessoas, que podem ser amigos, parentes ou até mesmo um Ser que nos dê um pouco de atenção.
Mas o que se percebe é que lutamos para nos manter em pé e andando por nossa conta e, no entanto, não conseguimos.
Tentamos, caímos, levantamos , tentamos outra vez e lá vamos nós... cambaleando é bem verdade, mas caminhamos sozinhos.
E ai surge o vazio, vazio este que nos faz refletir: Somos pessoas sozinhas realmente? Acredito que tentamos ser, mas as respostas sempre nos conduzem ao que realmente queremos.
Posso estar sozinha em um determinado tempo, porém não todos.
Vamos precisar sempre de  “muletas” para andar,  quer seja amigos, parentes ou um animalzinho.
Esta é a verdade de nossas vidas, NÃO NASCEMOS PARA SER SOZINHAS.



Autora: Sonia Biasus

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