sábado, 9 de dezembro de 2017

VIAGEM LITERÁRIA/FOTOS SALINAS-MG


Amigos GANDAVOS, essa minha viagem, cujas fotos nosso editor vem postando, tem objetivo bem mais amplo que o turismo puro e simples. Trata-se, na verdade, de um roteiro literário pelos SERTÕES retratados nos livros "OS SERTÕES", de EUCLIDES DA CUNHA e "GRANDE SERTÃO: Veredas", de JOÃO GUIMARÃES ROSA. Livros bem diferentes um do outro, guardam apenas a similaridade do espaço geográfico de dois sertões deste Brasil, ambos bem diferentes um do outro. O sertão, pano de fundo da GUERRA DE CANUDOS, noticiada por CUNHA é seco, cinza e muito hostil aos seus viventes e, principalmente, aos forasteiros. O sertão rosiano, ao contrário, é verde, chuvoso, mesmo assim não entrega facilidades. Nos dois, os homens lutam a vida diária com todas suas dificuldades e filosofias. Há muito venho escrevinhando um texto de quinta categoria intitulado "OS JAGUNÇOS ESQUECIDOS DO LISO DO SUSSUARÃO", inspirado em GRANDE SERTÃO: Veredas. Espero que esta viagem possa resultar em ideias para concluí-lo. E, se assim for da vontade de Deus e superadas minhas limitações, me lançarei à empreitada de escrever sobre Canudos. Ou seja, ainda vou comer, literalmente, muita poeira. 











































De férias, viajar de carro é sempre uma ótima opção. Pensando assim o nosso querido amigo e parceiro nas publicações de livros da Coleção Gandavos, Augusto Sampaio Angelim, está a gozar da autonomia de seguir roteiro da forma que melhor lhe agrada: Viajar de carro.
Augusto nos enviou algumas fotos de Salinas/MG.
Salinas compõe com outros municípios da região o Alto Rio Pardo. O município é conhecido pela qualidade do requeijão e da carne de sol, pelas tradições, pelo folclore e pela produção agropecuária. Mas nada lhe dá mais notoriedade do que as suas famosas cachaças. Atualmente, o município é o mais importante polo nacional de produção de cachaça de alambique com mais de 50 marcas e produção anual que gira em torno de quatro milhões de litros.



sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

UMA VIAGEM LITERÁRIA




Amigos GANDAVOS, essa minha viagem, cujas fotos nosso editor vem postando, tem objetivo bem mais amplo que o turismo puro e simples. Trata-se, na verdade, de um roteiro literário pelos SERTÕES retratados nos livros "OS SERTÕES", de EUCLIDES DA CUNHA e "GRANDE SERTÃO: Veredas", de JOÃO GUIMARÃES ROSA. Livros bem diferentes um do outro, guardam apenas a similaridade do espaço geográfico de dois sertões deste Brasil, ambos bem diferentes um do outro. O sertão, pano de fundo da GUERRA DE CANUDOS, noticiada por CUNHA é seco, cinza e muito hostil aos seus viventes e, principalmente, aos forasteiros. O sertão rosiano, ao contrário, é verde, chuvoso, mesmo assim não entrega facilidades. Nos dois, os homens lutam a vida diária com todas suas dificuldades e filosofias. Há muito venho escrevinhando um texto de quinta categoria intitulado "OS JAGUNÇOS ESQUECIDOS DO LISO DO SUSSUARÃO", inspirado em GRANDE SERTÃO: Veredas. Espero que esta viagem possa resultar em ideias para concluí-lo. E, se assim for da vontade de Deus e superadas minhas limitações, me lançarei à empreitada de escrever sobre Canudos. Ou seja, ainda vou comer, literalmente, muita poeira. 
































De férias, viajar de carro é sempre uma ótima opção. Pensando assim o nosso querido amigo Augusto Sampaio Angelim, está a gozar da autonomia de seguir roteiro da forma que melhor lhe agrada: Viajar de carro.  Ele já percorreu o espaço geográfico e cultural de Os Sertões, de Euclides da Cunha, e pretende ir a Salinas e também visitar a Chapada Gaúcha.  E por ser um Gandavos de carteirinha, vai deixando livros das nossas publicações durante o percurso. Acima, alguns momentos clicados pela câmera desse pernambucano cabra da peste?

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Escrever - Autor: Gilberto Dantas

Gilberto Dantas

Já me conformei em ter um monte de dúvidas e também não entender muitos pensamentos, com os quais às vezes me deparo. Querem ver um? Esse é do meu amado poeta português Fernando Pessoa: “ escrever é esquecer”. Eu, na minha santa ignorância, achava que escrever era recordar. Ontem, comentando com a Míriam, minha esposa, sobre esta afirmação, ela, que nunca leu o Pessoa, sem o menor desassossego, me instrui: “claro, ao botar pra fora suas lembranças, você as esquece!” Pode ser. Mas acho que o Pessoa estava pensando em outra coisa, que não consigo atinar. Já o escritor amazonense Milton Hatoum nos afirma que escrever é se salvar, como fez Sherazade, que inventou uma fábula para não morrer decapitada. Em um esforço de interpretação, guiado pelo seu pensamento, imagino que ao relatar nossas vivências, estamos salvando essas histórias da corrosão do tempo, tornando-as novamente vivas, salvando-as da morte simbólica, se acaso não pudessem mais se expressar, através do narrador. E é por isso que escrevemos, como pensa o escritor amazonense/libanês. Acho correto o pensamento de Horácio: “Muitos heróis viveram antes de Agamenon, mas todos estão mortos, enterrados, desconhecidos porque lhes faltou entre os soldados um poeta.” E eu acrescentaria que é preciso, além do poeta, e, talvez mais importante, um leitor, esse eterno desconhecido. Não é raro o leitor, como intérprete, enxergar mais longe que o próprio escritor.

Já a portuguêsa Agustina Bessa-Luís nos fala que “o escritor é aquele que protege os homens do medo: por audácia, delírio, fantasia, piedade ou desfiguração.” Desculpe, mas não acho. Muitos escritores me encheram de medo. Kafka foi um deles, só para ficar neste único exemplo. Isaac Asimov dizia: “ escrevo pela mesma razão que eu respiro, se não fizesse eu morreria”. Felizmente, minha respiração não para quando deixo de escrever. Quanta diversidade de opiniões, começo a suspeitar que entrei num tema assustador, logo eu que fui tão assustado na infância e em quase toda a adolescência. Mas hoje, me encho de coragem e enfrento esses luminares da literatura. Se cheguei até aqui, muitas vezes açoitado pelas intempéries da vida, na fronteira da velhice, é porque, mesmo sem saber, fui sempre um otimista e como um iconoclasta, derrubando todas as crenças, lendas e mitos e passando por cima de todas essas opiniões, bem irreverente, afirmo triunfante: escrever é simplesmente um ato de prazer.





Autor: Gilberto Dantas - Miracema/RJ



Publicação autorizada através de e-mail de 07/05/2012

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Lampião no oratório (e santificado) - Autor: Rangel Alves da Costa


Rangel Alves da Costa

Quando Padre Gerômio chegou ao batente da Velha Titoca carregando Bíblia, um frasco de água benta, uma cruz de madeira e vários outros apetrechos de exorcização, ouviu da dona da casa que se desse um passo adiante ela tacaria o cabo de vassoura nas fuças.

O sacerdote recuou indignado, escandalizado com a reação da mulher diante de um representante divino na terra. E ele que estava em missão das mais importantes, pois havia chegado aos seus ouvidos, em segredo na sacristia, que a velha senhora mantinha no oratório, ao lado de figuras sacras, uma imagem feita de barro de Lampião.

Esse mesmo, Lampião, batizado Virgulino Ferreira da Silva, mas também conhecido por Lampião, Capitão, Rei do Cangaço e muitas outras portentosas alcunhas. Mas um bandido, um verme sanguinário, um bandoleiro cruel, na concepção do Padre Gerômio. Por isso mesmo que estava ali para expulsar esse cangaceiro da companhia dos outros santos. E quem já viu Lampíão ser devotado, santificado, adorado, mantido fervorosamente num oratório?

Do lado de fora, sob a ameaça da vassoura da velha, tentou argumentar a todo custo, afirmando ser uma heresia, um pecado descomunal o que ela havia feito ao colocar um bandido ao lado de santos, até da imagem do Nosso Senhor Jesus Cristo. Se benzendo a todo instante, ainda disse que ou ela o deixava limpar o oratório daquela coisa ruim ou seria impiedosamente excomungada.

E disse mais que até aceitava, por força da religiosidade e misticismo do povo sertanejo, que houvesse devoção ao Padre Cícero Romão Batista e ao Frei Damião, forçadamente reconhecidos como santos por aquele povo, porém era contra todos os princípios da igreja pretender santificar um cangaceiro, um homem que tanta tristeza havia trazido para toda a região nordestina.

Sinhá Titoca baixou a vassoura, mas não sem antes cuspir no chão logo embaixo, afirmando que se passasse dali, se desse ao menos um passo adiante, poderia ser considerado um padre descadeirado, sem poder rezar missa mais nunca. O padre tentou levantar a cruz, porém ela mandou baixar na hora, tirando de dentro do bolso uma pequena Bíblia e dizendo que ali estava escrito o porquê de Lampião ter todo o direito de estar e permanecer dentro do seu oratório.

Mas antes de entrar nas explicações bíblicas, disse que não cabia a nenhum padre ou pastor dizer quem ela deveria devotar ou não. A sua fé e a sua religião competiam somente a ela, que tinha como santo e acreditava somente em quem ela queria. E foi logo dizendo que a história de Lampião não era muito diferente de um monte de homens que foram pecadores, guerreiros, ladrões, tiranos, mas que com o tempo a igreja foi reconhecendo alguns dos seus méritos e santificando-os como verdadeiros mártires.

Em seguida perguntou se Lampião só havia praticado crueldade na vida, se era essa monstruosidade toda que os ignorantes diziam, se era um homem sem fé, sem religião e entregue somente ao mundo do pecado. Pelo que sabia, era um homem normal, como todos os santos da igreja, que um dia foi batizado, era apegado demais às coisas divinas, devoto de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Virgem Maria, temente a Deus acima de tudo, e que sempre rezava fervorosamente ao anoitecer e amanhecer.

E levantando a Bíblia disse que o padre deveria ler melhor suas entrelinhas, os verdadeiros fundamentos de suas palavras. E isto porque estava escrito em Eclesiástico 13,4: “O rico comete uma injustiça e em seguida se põe a gritar; o pobre, ofendido, guarda silêncio”. E Deus queria que Lampião deixasse toda aquela opressão sem resposta, sem esbravejar, sem lutar?

Por isso mesmo que foi perdoado por Deus pelos erros cometidos em nome de uma nobreza maior, que é lutar contra as injustiças. Ademais, está escrito em Hebreus 9.22: “conforme a lei, o sangue é utilizado, para quase todas as purificações, e sem efusão de sangue não há perdão”. Daí, padre, que se Lampião cometeu crime de sangue foi procurando purificar a região da crueldade dos verdadeiros bandidos. E há muito que foi perdoado. Argumentou a velha senhora.

E continuou dizendo que como a igreja havia reconhecido seus mártires e os tornado santos, bem assim ela reconhecia Lampião como um grande mártir do sertão. Lampião sofreu perseguições e tormentos até a morte; se sacrificou em nome daquilo que acreditava, que era ver sua terra sem tantas injustiças sociais; e não se desumanizou, pois morreu com Deus no coração.

E por último disse que como sua casa era sua igreja, daquele momento em diante já não era nem mais igreja, mas sim o Vaticano. E ela a sucessora de Pedro, e nesta condição acabava de promover aquela imagem de barro em santidade, em São Lampião. E se o padre estivesse achando ruim que botasse o pé adiante da porta.

Temeroso, o sacerdote deu a volta e saiu apavorado e sem direção. O pior não foi nem seu insucesso exorcizatório, mas sim o temor de que aquela conversa se alastrasse e parte do povo sertanejo chegasse ali em procissão buscando auxílio aos pés do santo bandoleiro.

Autor: Rangel Alves da Costa - Aracaju/SE

Poeta e cronista

e-mail: rac3478@hotmail.com


Publicação autorizada através de e-mail de 30/06/2012

sábado, 21 de outubro de 2017

Aviso:

Prezados autores,
O prazo para recebimento dos textos que irão compor nosso oitavo livro da coleção Gandavos, cujo tema é “Assombração”, esgota-se no final do mês de outubro.  Sendo assim, aguardo suas histórias dentro do prazo previsto, pois entraremos na segunda fase do processo: diagramação.
É fundamental que me informem sobre o envio dos textos.
Grato pela gentileza e atenção.
Abraço Carlos A Lopes /Blog Gandavos

sábado, 14 de outubro de 2017

Desejo de mulher grávida - Autor: Dilermano Cardoso

Autor: Dilermando Cardoso

Aceite o palpite de um sujeito que apanhou mais da vida, que cachorro em procissão! Jamais pronuncie a pequena frase: - Desta água não beberei! Você acaba bebendo, e antes do que imagina. Que o diga meu amigo, Marcão. Em outros tempos quando sábado à tarde, reunida, a turma curtia conversa de boteco, ele que casou ‘Galo de São Roque’ - como dizia minha avó, passados os trinta -, para todo assunto, durão, tirava onda: “Lá em casa não vai ter disto, não!” Até se encantar, e apaixonado casar com a Adriana. Romântica leitora, imagine uma destas mocinhas aparentemente frágeis, meigas, que quando conversam a gente tem que pedir ao beija-flor que não bata asas, para lhe ouvir a voz... Foi exatamente com alguém assim que o Marcão da Lotérica tirou a sorte grande!
Se não é fácil para nós homens um convívio harmonioso com namoradas e esposas, naqueles cinco fatídicos dias para elas, e de tabela para seus companheiros - quando engravidam o bicho pega pra valer! Neste aspecto o folclore é variado e somos chantageados, pois se lhes não atendemos aos caprichos o neném nasce com a boca torta, zarolho, orelhas de abano...

De volta ao meu casal de amigos, eles estão grávidos, como se diz hoje por força de modernismos. Pois não é que uma noite destas, ao sonhar que chupava jabuticaba a Adriana acordou com tal desejo, obrigando o pobre Marcão em plena madrugada telefonar para parentes e amigos, pedindo a fruta? Embora no meio do ano, por aqui, jabuticaba a gente só veja em fotografia, sonho, e desejo de grávida? Ao lembrar-se que possuo um sitiozinho com meia dúzia de jabuticabeiras no quintal, ele veio bater à minha porta pedindo “até pelo amor de Deus”, que lhe arranjasse nem que fosse uma mãozada de fruta, ou ele, despejado da cama de casal e temporariamente no sofá da sala, dividiria a casinha do cachorro, com o dito cujo!

A esperança é a última que morre... e mesmo assim morre! No domingo, um filho meu que mora em Paranavaí ligou (tarifa telefônica aos finais de semana é mais barata! Tio Patinhas!), me perguntando: - Pai, adivinha o que é que eu estou fazendo? - Ora, conversando comigo ao telefone. Respondi dando uma de bonzão. - Deixa a ficha cair, sô! Prosseguiu ele. Estou chupando jabuticabas! E me explicou o ‘milagre’. É que no Sul as estações do ano são ligeiramente antecipadas, e mesmo não sendo Outubro, mês oficial de colheita da fruta, por lá ela já pode ser encontrada. Na mesma hora pedi que adquirisse uma caixinha de isopor, e enchendo o quanto cabia, despachasse via Sedex! Animado, o Marcão só não contava com a greve nos Correios, quando elas chegaram...

Como desejo de mulher grávida não passa nem a poder de reza, meu amigo pôs anúncio no jornal, na rádio, se torturando que o herdeiro pagaria por sua incompetência, quando o João Tavares lhe socorreu. Aguando muito, um pé na sua casa dera frutas temporãs. Chegou, enfim, a hora que a Adriana realizaria seu desejo de grávida; se comparado ao de outras, era até razoável. Sei de uma futura-mamãe a quem coisa nenhuma servia, que não fosse o pobre do marido comer cacos de telha cozidos no feijão. Ele, não ela!... Caixa de papelão embaixo do braço lá se foi o amigo, em busca do seu resgate!

Com o país quase no primeiro-mundo, temos novidades todo dia, tal qual a estória de marido assumir gravidez, ao lado da esposa. Radiante de felicidade o Marcão embarcou na onda junto com a Adriana, devorando, ele mais do que ela, as encantadas jabuticabas. Seu entusiasmo foi tanto que não perdoou caldo, casca, caroço... Ontem, de semblante triste, preocupado, me confidenciou: se antes seu problema fora encontrar as frutas; agora era livrar-se delas!

Autor: Dilermando Cardoso - Bom Despacho/MG
Página do autor: http://recantodasletras.com.br/autor.php?id=73941
Publicação autorizada através de e-mail de 12/10/2011

domingo, 3 de setembro de 2017

Escolha a capa do Livro: Gandavos - Histórias de Assombração

Ilustrar a capa de um livro de vários autores, talvez seja um grande desafio, pois há a necessidade de soltar a imaginação, ir além, para que a imagem represente da melhor maneira possível cada uma das histórias presentes na obra e preencha as expectativas. Sendo assim, o amigo Suzo Bianco tem feito a sua parte de maneira impecável, como ilustrador e também participando como autor.

Solicito aos autores e leitores dos livros “Gandavos”, que apreciem as ilustrações abaixo e escolham nas duas categorias:

O tema da próxima coletânea: “Histórias de Assombração. ” O voto pode ser registrado como comentário no face ou nos comentários da página do próprio Blog Gandavos. 

Exemplo do voto: Ilustração n 1; desenho letra C.


 1- Ilustração para capa: Escolha uma entre as 6 ilustrações. Qual delas seria a capa ideal do livro (escolha citando o número da ilustração);


 2- Desenhos para parte interna do livro: Escolha um desenho. Qual desenho (escolher citando a letra), você entende ser o ideal para compor o miolo do livro.


ILUSTRAÇÕES PARA COMPOR A CAPA DO LIVRO

Ilustração 1



Ilustração 2




Ilustração 3


Ilustração 4



Ilustração 5



Ilustração 6



DESENHOS PARA O MIOLO DO LIVRO


Desenho A



Desenho B





Desenho C






Desenho D


Desenho E


Desenho F


Desenho G


Desenho H



Desenho I


Desenho J


Desenho K




Desenho L


Desenho M


Desenho N


Desenho O