sábado, 4 de maio de 2019
domingo, 7 de abril de 2019
Falando de amor - Autora: Maria Olimpia
Falar de amor é chover no molhado. Pois se fala de amor desde tempos que não podem ser relembrados. Como não falar desse sentimento que transforma as pessoas em seus opostos? Tudo já se falou sobre o amor. Mas nada ainda foi suficiente para explicá-lo. Fala-se e cala-se. Porque muitas vezes é o silêncio que mais fala sobre o amor.
Por amor tudo se faz. Por amor tudo se justifica. Por amor se vive e por amor se morre. E também se mata. Sem amor ninguém vive. Mas só de amor, também não.
São muitas as formas para se falar de amor. Falam de amor os artistas em todas as suas manifestações. As manifestações da arte e as manifestações do amor. E o tema nunca se esgota. Fala de amor o homem do povo e o homem da elite. As linguagens podem ser diferentes, o sentimento não. Cientistas, filósofos, o milionário e o sem nada nos bolsos. O crente e o descrente. Não há quem não fale, fala até o envergonhado, o sem jeito, o destrambelhado. Eu falo de amor e você também. Nós todos falamos, de um jeito ou de outro.
Se temos asas, é o amor que nos dá. E é com essas asas que voamos para o mundo da fantasia.. Para o amor tudo é possível.Mas, o amor ao mesmo tempo que liberta, escraviza. Nos faz servos e senhores. Os ouvidos são surdos quando se fala o que parece ser contra o amor. Mas isso não pode ser esquecido: há o amor que eleva e o amor que reduz o ser amante a menos que nada. É preciso escolher, escolher sempre entre essas formas de amor. Quem escolhe a forma rastejante está perdido, sempre estará á sombra, nunca será sol. Quem escolhe a forma que eleva está salvo. Livre para voar, livre para criar. Livre para amar.Mas como escolher se o amor sempre pega de jeito de um jeito que deixa tudo de pernas para o ar?
Amam os que são iguais e os que são diferentes. O côncavo e o convexo. Ama o feio e o belo, o novo e o velho. Não existem regras para os sentimentos embora possa haver para os envolvimentos.
Todos os amores são bem vindos. Mas o maior de todos os amores deve ser o amor a si próprio porque é esse amor que propicia o amor sadio ao outro. Quem não se ama não se respeita. Quem não se respeita também não sabe respeitar o outro. Quem não sabe respeitar não sabe amar. Utiliza em suas relações um arremedo do amor. Um amor cambeta. Um amor que não vale a pena ter. Nem falar sobre ele.
Por amor tudo se faz. Por amor tudo se justifica. Por amor se vive e por amor se morre. E também se mata. Sem amor ninguém vive. Mas só de amor, também não.
São muitas as formas para se falar de amor. Falam de amor os artistas em todas as suas manifestações. As manifestações da arte e as manifestações do amor. E o tema nunca se esgota. Fala de amor o homem do povo e o homem da elite. As linguagens podem ser diferentes, o sentimento não. Cientistas, filósofos, o milionário e o sem nada nos bolsos. O crente e o descrente. Não há quem não fale, fala até o envergonhado, o sem jeito, o destrambelhado. Eu falo de amor e você também. Nós todos falamos, de um jeito ou de outro.
Se temos asas, é o amor que nos dá. E é com essas asas que voamos para o mundo da fantasia.. Para o amor tudo é possível.Mas, o amor ao mesmo tempo que liberta, escraviza. Nos faz servos e senhores. Os ouvidos são surdos quando se fala o que parece ser contra o amor. Mas isso não pode ser esquecido: há o amor que eleva e o amor que reduz o ser amante a menos que nada. É preciso escolher, escolher sempre entre essas formas de amor. Quem escolhe a forma rastejante está perdido, sempre estará á sombra, nunca será sol. Quem escolhe a forma que eleva está salvo. Livre para voar, livre para criar. Livre para amar.Mas como escolher se o amor sempre pega de jeito de um jeito que deixa tudo de pernas para o ar?
Amam os que são iguais e os que são diferentes. O côncavo e o convexo. Ama o feio e o belo, o novo e o velho. Não existem regras para os sentimentos embora possa haver para os envolvimentos.
Todos os amores são bem vindos. Mas o maior de todos os amores deve ser o amor a si próprio porque é esse amor que propicia o amor sadio ao outro. Quem não se ama não se respeita. Quem não se respeita também não sabe respeitar o outro. Quem não sabe respeitar não sabe amar. Utiliza em suas relações um arremedo do amor. Um amor cambeta. Um amor que não vale a pena ter. Nem falar sobre ele.
Autora: Maria Olimpia Alves de Melo - Lavras/MG
http://marilim.net/
http://vidasetechaves.wordpress.com/
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http://vidasetechaves.wordpress.com/
Publicação autorizada pela autora através de e-mail de 10/10/2011
domingo, 20 de janeiro de 2019
sábado, 29 de dezembro de 2018
Talvez um dia
Ana Bailune
Estela
examinou novamente suas unhas; queria que estivessem absolutamente impecáveis.
Também retocou a maquiagem, borrifou um pouco mais de perfume e passou uma
escova de leve pelo vestido preto colante - o mesmo que Rogério lhe dera no seu
primeiro aniversário juntos, e que ela estava guardando justamente para uma
ocasião como aquela. Olhou o relógio: Ele estava meia hora atrasado.
Estela
respirou profundamente, sentando-se no sofá e ligando a TV. Estava acostumada
Àqueles atrasos, e até mesmo, a ausências sem quaisquer explicações.
Tentando
manter-se calma, procurou concentrar-se no filme, mas a história penetrava em
seu cérebro como água em uma peneira, o enredo escorrendo sem esforço para o
carpete bege. Ela lembrou-se da última conversa que tivera com Carla, há
algumas horas - aliás, as duas tinham brigado. Carla era sua amiga desde os
tempos de colégio, e não conseguia entender que apesar de serem amigas, quem
mandava em sua vida ela era mesma. Havia certas áreas de sua vida que Estela
não permitia que ninguém penetrasse. Lembrou-se mais uma vez das palavras duras
da amiga; palavras que ela tentava esquecer, encobrir, mas que continuavam a
vir à tona toda vez que ela se distraía.
Pensou em
ligar para sua mãe ou para sua irmã, mas estava nervosa demais para conversar.
Sentia calafrios percorrendo a sua espinha.
Ela olhava
em volta, pensando que em breve ele estaria ali, morando com ela; quem sabe,
ele acharia melhor comprar um apartamento maior para eles? Estela estava cheia
de esperanças.
Porque
naquela noite, ele havia prometido que a levaria a um lugar especial a fim de
comemorarem seu segundo ano juntos. Tentou alegrar-se; afinal, ele lhe
prometera que daquela vez conversaria com a esposa; explicaria a ela que já não
a amava mais, e que deveriam separar-se. Estela varria para longe as memórias
das outras vezes em que Rogério lhe fizera aquela mesma promessa, mas que não
cumprira. Sempre havia um motivo para não fazê-lo: a morte da sogra, a doença
da filha pequena, o aniversário da mãe, mudanças importantes no escritório que
exigiam que ele passasse a imagem de alguém com uma vida sólida e regrada. E
ela chorara todas as lágrimas a que tinha direito em cada uma daquelas
ocasiões, mas daquela vez, ele jurara a ela que seria diferente. Pediu-lhe que
ficasse bem bonita, pois quando viesse buscá-la, já estaria livre, e os dois
poderiam sair para jantar fora como qualquer casal normal, sem medo de serem
descobertos.
Novamente,
a voz de Carla ecoando em seus ouvidos. Estela deixou-a vir mais uma vez ao seu
consciente:
-Será que
você não vê que ele está enganando você? Ele não vai deixar a esposa! Para ele,
é muito cômodo ficar com as duas, já que nenhuma dá um ultimato. Você já tem 35
anos, Estela! Logo sua juventude terá acabado. Você quer ser a outra para sempre?
Ou quer passar seus últimos anos de juventude com um homem que não a merece,
enquanto poderia estar tentando encontrar o cara certo?
-Não se
meta na minha vida, Carla, já lhe pedi isso várias vezes! Somos amigas, mas se
você continuar insistindo nesse assunto, teremos que romper a amizade! Já
disse que sou bem grandinha para fazer minhas próprias escolhas!
Carla havia
pego sua bolsa sobre o sofá e saído do apartamento batendo a porta atrás de si,
enquanto Estela secava o rímel borrado - estivera se maquiando para sair com
Rogério - e tentava parar de chorar para poder reaplicá-lo.
Agora, o
atraso chegava a trinta e nove minutos. Estela tentou acalmar-se. Na TV, o
filme continuava. Ela não fazia a menor ideia do que estava acontecendo naquela
história. De repente, ela pensou que também não fazia ideia do que estava
acontecendo na sua própria história. Só sabia que estava apaixonada por
Rodrigo. Viam-se duas vezes por semana, às vezes, menos. Ela não podia
mandar-lhe mensagens - ele cuidava de comunicar-se com ela quando necessário.
Tinha cadastrado seu nome como sendo um tal Jean Carlos, gerente de outra
filial de sua companhia. Jean Carlos realmente existia, caso a esposa
desconfiasse e fosse checar, porém os dois nunca tinham se falado. Rogério pediu
a Estela que, caso a esposa tentasse passar-lhe alguma mensagem por aplicativo,
ela respondesse como se fosse Jean. E que jamais atendesse ligações. Mas a
esposa de Rogério nunca tinha tentado se comunicar com ela, ou com Jean.
Rogério era
cuidadoso, e tinha certeza que a esposa não desconfiava de seu caso com Estela,
mesmo após dois anos. Se ele pensava em deixar a esposa? Às vezes; mas, na
maior parte do tempo, ele gostava do calor do lar, e da companhia da mulher e
da filha, que lhe transmitiam segurança. No fundo, amava a mulher e sua vida.
Amava a casa confortável e ampla onde viviam, e a ideia de sair dela não o
agradava. Mas também estava apaixonado por Estela. Ela era para ele o sal da
vida, o tempero, o que lhe dava forças para enfrentar um dia difícil no
escritório.
Estela era
o seu segredo mágico, sua fonte de vitalidade e prazer.
Duas horas
mais tarde, Estela estremeceu ao ouvir o celular bipar. Mensagem de Rogério:
-"Oi,
amor. Não vai dar. Estamos com visitas. Te vejo amanhã. Beijos."
Simples
assim.
As lágrimas
caíram uma a uma, molhando a saia do vestido.
fim
Autora
Ana Bailune - Petrópolis/RJ
Autora
Ana Bailune - Petrópolis/RJ
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
Em breve: Gandavos - Contando Novas Histórias
Coletânea de contos
Autores:
Suzo Bianco - Celêdian Assis de Sousa - Maria Marcondes Alves - Willes S Geaquinto - Ana Bailune - Maria do Rosário Bessas - Alice Gomes - Augusto Sampaio Angelim - Maria Mineira - Elizabeth Vargas Marcondes - Erick de Oliveira e Silva - Socorro Beltrão - Cristhian Dias - Michele Calliari Marchese - Gerson de Carvalho Silva - Geraldinho do Engenho - Alberto Vasconcelos - Denise Coimbra - Oliveiros Martins de Oliveira - João Batista Stabile - Jussara Burgos - Patrícia Celeste Lopes Jesuíno - Carlos A Lopes - Tadeu de Araújo Teixeira - Viviane Rodarte - Conceição Gomes - José Batista de Lima - José Soares de Melo - Adão Nhozinho - João Batista Silva - Ronan Tales de Oliveira
Ficha Técnica
Ilustração da capa e miolo do livro
SUZO BIANCO
Diagramação
JOSELMA FIRMINO
Revisão ortográfica
MARIA DO ROSÁRIO BESSAS
CELÊDIAN ASSIS DE SOUSA
MARIA MINEIRA
Organização do livro
CARLOS A LOPES
Uma publicação
BLOG GANDAVOS
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
terça-feira, 20 de novembro de 2018
Os telefonemas
Escritor: João Batista Silva
Os telefonemas e suas repercussões no mundo das
comunicações no início do terceiro milênio.
Milhares de pessoas usufruindo do direito de
habilitar seus aparelhos celulares e expandir no universo as invenções
tecnológicas, que chegaram para globalizar a face da terra e seus bilhões de
habitantes.
Os continentes, países e cidades, vilas e
bairros, regiões distritais, fazendas, caminhoneiros, viajantes e todas as
classes sociais, têm se manifestado favoráveis ao uso do aparelho celular, nas
facilidades de se comunicar, de se tornarem próximas umas das outras, na
ocupação do planeta terra.
Não se deve descartar grandes dificuldades de
muitos na aquisição do aparelho, principalmente na sua manutenção, que pesa em
muito na receita de cada família. Muito embora um avanço em massificação obteve
êxitos nos últimos anos através da evolução natural de todos os seguimentos
envolventes das sociedades.
O telefone celular foi e é grande potencial nas
comunicações. Foram passos dados à distância, que elevaram os sistemas de
telefonia fixa aos sofisticados aparelhos modernos, que se espalham por esse
mundo afora de modo assustador.
A humanidade ganha em muito na geração de
empregos, nas elevações de idéias e projetos de expansão, das reformas em
abundância das velhas redes e tantas outras vantagens, que merecem especiais
atenções.
Outras circunstâncias se agregam aos anseios e
desejos do povo em se comunicar com rapidez, segurança e liberdade, através do
veículo condutor, o maior processo de comunicação no espaço aéreo.
Nos campos da política, dos negócios comerciais e
empresariais, das culturas religiosas, dos governantes e do povo de modo geral,
é sem dúvida, uma conquista atrativa aos impulsos sentimentais.
Não creio ser uma medida correta, idealizar
métodos comprobatórios, de pessoas a usufruir do sistema de comunicações mais
usado nos dias atuais.
Mas, pode-se e deve-se avaliar que é muito alto o
índice em demanda, tanto das companhias operadoras, quanto das pessoas, na
liberdade do uso de uma outra prestadora de serviços, que tem a felicidade de
atender a maioria dos clientes, nos momentos emocionais de muitos que acreditam
no amor, como forma única, satisfatória e correta de ser feliz, ou ao menos,
tentar aproximar.
Quantos são os diálogos e mensagens espalhadas no
espaço através dos sistemas de telefonia, que usam as pessoas nesse início de
século, de milênio? Os indecisos, os ciumentos, os apaixonados, os namorados,
noivos e casados, todos que se acham no direito de se comunicar; das mais
lindas palavras, até as tristes e vazias situações, que muitos não gostariam de
transmitir ou receber.
A evolução tecnológica eleva em muito, os
recursos alimentadores dos mais sonhados objetivos do passado, que se alastram
no presente, em função das complementações sentimentais de cada um, em função
de suas aspirações. As comunicações telefônicas abastecem os anseios
sentimentais de todas as camadas sociais e faixa etária nas mais diversificadas
dos tempos.
É um alô que vai, outro que vem, e assim vão se
complementando os sentimentos da saudade, da paixão, do amor sem fronteiras,
sem rancores, das aproximações das distâncias no mais curto prazo de tempo em
que duas ou mais pessoas se podem comunicar.
São muitos momentos tristes e felizes que se
abraçam, se cumprimentam, se beijam, se desejam, manifestam emoções e
aspirações infinitas do amor, que viaja universo afora através dos telefonemas
dados, dos mais simples aparelhos fixos e sofisticados instrumentos musicais,
fotográficos, de deixar os encantos nas mãos dos apaixonados do mundo atual.
A vida continua direcionando a humanidade em
busca de suas aspirações, de seus desejos na complementação dos momentos felizes,
diante das repercussões de seus telefonemas, nas avaliações sentimentais.
Vejam um casal apaixonado que vive sua emoção à
distância:
- Olá menina, como vai?
- Vou bem, obrigada!
- Tudo extremamente favorável ao encontro de
hoje, não é?
- É..., ou melhor, só deveremos nos encontrar
logo mais, após às doze horas e trinta minutos.
- Que pena!
- Pena..., por quê?
- Eu gostaria que fosse agora!
- Agora, como assim? Se estou a trabalhar aqui,
não posso me ausentar, ou ao menos recebê-lo aqui.
- Por que não?
- Porque é incompatível com as normas
estabelecidas para a função!
- É mesmo?
- Sim, sempre foi assim!
O tempo passa, as tristezas também. As saudades,
às vezes, apertam um pouco mais, esperando os momentos de se libertar das
paixões e se encontrarem definitivamente no amor.
- Muito em breve, poderemos nos libertar do
distinto profissional, que parece mais um astronauta bem equipado e chega a
usufruir dos assuntos.
- Por que afirma ser esse senhor um astronauta
bem equipado?
- É fácil. Verifique os traços físicos!
- É um funcionário respeitado, que o município
coloca em disjunção aos serviços estaduais e se habilitou a essa nobre função,
que identifica o meu eu.
- Não se preocupe, disse-lhe a menina.
Ele passa de um lado para o outro, entra e sai
como se nada está querendo e a amizade é fruto de nosso trabalho, disse-lhe
ainda a secretária a sorrir, enquanto aguardava o momento desejado, para
prosseguir o diálogo.
- Enquanto existirem aparelhos de telefones
funcionando no mundo, nós nos comunicaremos...
- Até breve!
Desliga o aparelho feliz, por acreditar no amor
que ainda existe.
Autor: João Batista Silva
Bom Despacho/MG
segunda-feira, 12 de novembro de 2018
Breve: Gandavos - Contando Novas Histórias
Já temos a ilustração da capa do livro Gandavos 9
(um belo trabalho do ilustrador Suzo Bianco); já escolhemos a cor de
fundo da capa e o título GANDAVOS – CONTANDO NOVAS HISTÓRIAS. A votação aconteceu entre os dias 11 e
12/11/2018. Esta semana os arquivos serão encaminhados para diagramação e criação
da capa e em seguida para editora.
Previsão de lançamento do livro: fevereiro 2018.
Sugestões de
títulos com votos (citados os participantes que enviaram voto)
|
Número
|
Votante
|
Pontuação
|
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01 – Traços & Retraços
|
Carlos A Lopes, José Soares de Melo
|
2
|
|
03 – Contando novas histórias
|
Elizabeth Marcondes, Ana Bailune, Cristhiano,
Joselma Firmino, Maria Marcondes, Alberto Vasconcelos, João Batista Silva
|
7
|
|
08 – Nas trilhas das prosas
|
Geraldinho do Engenho, Marina Alves
|
2
|
|
10 – Contando mais histórias
|
Maria Mineira, Denise Coimbra, Tadeu
Araujo
|
3
|
|
12 – Histórias pra se contar...
|
João Stabile, Augusto Angelin,
Viviane Rodarte, Michele Calliari Marchese, Jussara Burgos, Gerson de
Carvalho
|
6
|
|
15 – Na trilha de outras histórias
|
Alce Gomes, Celedian Assis, Edmar
Sales
|
3
|
|
16 – Um Canto de Contos no Recanto
|
Patrícia Celeste, Socorro Beltrão,
|
2
|
O rio das pedras
Autora: Lenapena
Caminhava a passos cansados para o leito do rio de pedras. O sol alto e quente, lhe fazia escorrer gotas de suor pelo rosto macerado pela exaustão da labuta.
As margens do rio, pousou o filho pequenino, debaixo de uma frondosa árvore, aos outros três, recomendou cuidado, pois nenhum deles sabia nadar, e as águas eram profundas e perigosas.
Tirou a grande trouxa de roupa da cabeça e devagar desatou o nó. Saltaram do imenso volume, as gastas e simples roupas que a família possuía.
Começou a separar as peças, e com carinho passou a mão por entre os pontos de um lençol feito de alvo algodão. Ali, as inicias dela e de seu marido, foram carinhosamente bordadas por ela. Lembrou-se de um tempo, onde ainda havia espaço para os sonhos, de uma menina moça, que só conhecia da vida, o trabalho, a pobreza, e a dificuldade.
Sem mãe, desde os sete anos de idade, enfrentou a dura realidade da solidão. O pai, saia cedo para capinar a roça, e somente voltava com o sol se despedindo do dia. Cedo aprendeu a lavar, passar, cozinhar, limpar, e a ouvir as reclamações do pai, sempre calada.
Aos quatorze anos, casou-se com Eucrides, e nos poucos meses de namoro, sonhou que com ele a vida seria diferente.
Seus dedos correram devagar sobre o pano gasto e macio, e descansaram sobre as inicias ED. Lágrimas mornas correram de seus olhos doces e tristes. Eucrides, era tão grosseiro e mandão, quanto fora seu pai.
O filho que crescia em seu ventre, seria o quinto, e ela nem vinte primaveras completara.
Os folguedos das crianças, a trouxeram de volta a realidade. E seu olhar passeou pelos rostinhos sem cor de seus filhinhos, e o amor imenso que nutria por cada um deles, fez seu coração se incediar por um calor imenso. Não havia muita comida, para dar a eles. Seu leite os alimentava, e nunca chegara a secar, desde que o primeiro nascera até agora, pois antes que o leite secasse, ela, já estava grávida de outro.
Chegara a amamentar dois deles de cada vez, suprindo a falta de alimento na pobre choupana que moravam.
Enquanto passava a barra de sabão de cinzas feito em casa, em cada peça de roupa, deixava que as lágrimas corressem livres, parece que elas tinham pressa de libertar-se da tristeza que as aprisionava, e ansiavam misturarem-se as águas calmas do imenso rio.
Doroti, gostava de vir lavar as roupas, era a hora em que dava livre curso as lembranças e ao pranto.
Na dura tarefa de ensaboar e esfregar as roupas nas pedras do rio, curvada sobre si mesma, de joelhos, ela sentiu quando a nova vida em seu ventre, mexeu suavemente, como se lhe beijasse a parede do útero.
Com as mãos molhadas, afagou com carinho a barriga volumosa, e cantou com voz suave, linda cantiga de ninar, que um dia ouviu a mãe cantar para ela.
Ao final, repetiu baixinho: "fique tranquilo, eu vou cuidar de você com amor, nem que tenha que te dar a última gota do leite que verte de meus seios, e com ela a minha vida".
Autora: Lenapena - São
Paulo/SP
Publicação autorizada pela
autora
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