domingo, 19 de fevereiro de 2012

¨Canto para um amor sem fim¨, para Yara! - Autor: Carlos Costa


A música “canto para um amor sem fim”, gravada pelo sambista mineiro de Pipapetinga, interior do Estado, Mário de Souza Marques Filho, ou simplesmente ¨Noite Ilustrada” é um hino de amor perfeito para Yara, minha esposa que já me acompanha a sete anos ininterruptos com as minhas mudanças de humor, crises, convulsões, internações, altas e remédios diários.

Minha esposa se preocupa até com a comida que como, separa tudo que não devo comê-lo e não me serve nada sem ter a preocupação de examinar antes.

Esse apelido “Noite Ilustrada” lhe foi dado pelo humorista Milton da Silva Bittencourt, o “Zé Trindade”, nascido em Salvador em 1915 e falecido no Rio de Janeiro em 1990, quando ainda calouro, em função de ser viciado numa revista de passatempo com palavras que tinha esse nome.

Como afirmei, a música ¨canto para um amor sem fim¨, se tornou hino de amor em meus ouvidos e define perfeitamente a relação que mantenho com minha esposa, há 14 anos dos quais sete anos acompanhando-me com meus problemas de saúde. Minha esposa é uma guerreira também! Ao longo de um grande homem, sempre existe uma excepcional mulher. E a ela que desejo homenageá-la.

Devido a isso, tomo emprestado a letra da música para prestar uma homenagem à Yara Queiroz, minha esposa, advogada por profissão.

 “Eu não posso mais viver, sem ela”, a Yara / “Ela (Yara) é minha mania, destino, caminho, meu luar” que define minha rota e me fez chegar clareando meu caminho./ “Na (escrita) sei que levo todo mundo/ Mas não posso um segundo, ao meu peito enganar...” E não engano a ninguém!

 “Minha rua, não é rua sem teus passos”, Yara/ “O meu quarto sem teu corpo é sem calor” (Yara)/ Não adianta ninguém/ Ter os teus traços, teu perfume, teu sorriso (Yara)/ Se não tem o teu amor, Yara.

“Coração, sabe o que quer”. E é a Yara que ele quer, mas se “Machuca, maltrata, reclama/Se eu arranjo outra mulher...”


Autor: Carlos Costa - Manaus/AM


Blog do autor: http://carloscostajornalismo.blogspot.com/

Publicação autorizada através de e-mail de 18/022012

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Meu aniversário no Hospital em São Paulo - Autor: Carlos Costa

(homenagem à Yara Queiroz, minha esposa)

O ano era 2007. O dia era 13 de fevereiro.
Uma torta em uma mão e um girassol na outra.
Foi assim que chegara minha esposa ao Hospital São Joaquim, na Beneficência Portuguesa, naquela manhã fria, na cidade de São Paulo.
Era o dia de meu aniversário!
Havia sido submetido à quinta cirurgia para drenagem de secreção em meu cérebro, pelos médicos Antônio Almeida e Valéria Moio. Era a quinta cirurgia e a segunda realizada pelos profissionais da medicina no mesmo hospital.
Mas era meu aniversário! E eu o havia esquecido por completo!
Eu lá, deitado inerte na maca da enfermaria, olhando para um teto pintado de branco, havia esquecido a data. Sabia apenas que estava frio naquela manhã quando minha esposa entrou na enfermaria, com a torta e uma flor de girassol.
Mas foi lindo – e apaixonante também, vê-la com uma torta na mão e uma flor de girassol na outra.
-Parabéns pra você! Trouxe-lhe este girassol que significa luz e vida – disse minha esposa, ao entregar-me o girassol.
Algumas enfermeiras foram até ao local, ao ouvir minha esposa falando um pouco alto:
- O aniversário dele é hoje?
- É sim. É hoje, respondera minha esposa, entusiasmada.
Eu, deitado na maca da enfermaria, só tive condições de confirmar “é...mas não é que havia esquecido disso!?”
Refeito do prazer e, ao mesmo tempo do susto que minha esposa me causara por ter se lembrado de meu aniversário e eu, esquecido dele, convidei enfermeiras para comer a torta que fora comprada em uma padaria na esquina da rua do hospital. Nem refrigerante tinha.
Pedi uma faca para cortar a torta!
Não pode! Se souberem que fiz isso, serei demitida! – respondeu-me a enfermeira. Eu apenas disse-lhe: “...demitida por uma nobre causa, atendendo ao pedido de um quase moribundo!”
“Eu vou buscar a faca, então!” e saiu da enfermaria a enfermaria.
Trouxe-me a faca, cortei a torta, beijei e guardei a flor de girassol em um canto, na janela, durante dias, até murchar como se ela fosse uma jóia rara – e era para mim. Mas não o girassol como desejei beijar minha esposa, se pudesse, naquele momento.
Devido ao frio que fazia em São Paulo, o girassol permaneceu firme por alguns dias, até que faleceu como quase falecia também devido a um derrame que sofri.

Autor: Carlos Costa - Manaus/AM
Publicação autorizada através de e-mail de 18/02/2012

Aconteceu na noite da missa do galo - Augusto Sampaio Angelim

Tal e qual Nogueira, o estudante ainda metido na adolescência, que saíra de Mangaratiba para estudar no Rio de Janeiro, lá pelos anos 1860 e experimentou um inesquecível encontro, eu também vivi, exatamente na noite do Natal de 1958 algo semelhante. 

Aconteceu na cidadezinha em que nasci, no interior das Alagoas, cujo nome prefiro omitir. Ainda iluminação pública regular, mas, como era noite de Natal, foi acionado um motor a óleo diesel e suas poucas ruas ficaram parcamente clareadas pela primeira vez, o que já tornaria aquela noite inesquecível. Órfão, eu morava com minha avó materna e esta tinha o costume de oferecer aos vizinhos parte das guloseimas que ela preparava para a ceia da própria família. 

Na casa de frente à havia chegado uma senhora de 35 ou 36 anos de idade, que tinha enviuvado naquele ano e passava dificuldades com seus três filhos pequeninos, já que seu marido não lhe deixou nada além da prole.

Pouco antes da Missa do Galo fui destacado pela minha avó para levar um bolo à casa da viúva. 

Devidamente paramentado para a ocasião da Missa do Galo bati à porta e ouvi a voz da dona da casa mandando que entrasse. Entrei e me detive na sala simples, sem saber se ficava em pé ou sentava, já que ela estava ninando uma das crianças. Com um sinal de silêncio, mandou que eu sentasse. Prontamente obedeci, enquanto ela levava o menino para o quarto. Minutos depois ela voltou e aí percebi a beleza de seu rosto branco, ornado por longos e espessos cabelos negros, perfeitamente divididos numa linha reta sobre a cabeça. Disse eu me lembro perfeitamente, já que, passado tanto tempo, faço confusão a respeito do acontecido e, às vezes, até acredito que minha imaginação de velho é muito mais fértil que meus olhos de menino.

Ela tinha uma pele delicada e seus lábios tinham uma leve pintura rosa. Aproximou-se, pegou o bolo e, sorrindo, disse que minha avó não precisava ter tido esse incomodo, mas agradecia, até mesmo porque não tivera tempo de fazer nada para cear, já que os três meninos andavam gripados. Pôs o bolo sobre a toalha branca da mesa, partiu uma fatia para mim e outra para ela. Sentou-se ao meu lado. Hoje fico, realmente, confuso se a perna dela tocou a minha ou se ela pôs uma mão sobre a minha coxa ou se nada disto aconteceu. O fato é que, embaraçado com sua proximidade terminei por derrubar o bolo sobre minha camisa. Menino! Repreendeu ela com graça e disse que eu precisava limpar a camisa, senão ficaria manchada. Segurando-me pela mão direita me levou para a cozinha, pegou um pano molhado e começou a retirar a mancha,  mas, como  não saia fácil mandou que eu fosse ao banheiro, tirasse a camisa e lhe entregasse pela porta. Dentro do banheiro ouvia as batidas do meu próprio coração, mas consegui retirar a peça e entreguei pela porta entreaberta. Logo depois ela disse que tinha retirado a mancha e me devolveu a blusa, da mesma forma. Vesti-me e quando sai do banheiro ela se aproximou, passou a mão sobre o meu peito e disse que tinha ficado bom.

Depois mandou que eu fosse embora, pois já estava tarde e eu terminaria por perder a missa. 

Na igreja, vi seu rosto em outras mulheres e quase não conseguia acompanhar a celebração, o que, também, credito aos meus dezesseis anos.

Dias depois, ela voltou para União dos Palmares, para morar na casa de seus pais, levando apenas seus filhos e a pequena mobília. 

Esta é a lembrança mais persistente que tenho do Natal, passado esses cinqüenta e poucos anos.

Autor: Augusto N Sampaio Angelim - São Bento do Una/PE

Página do autor: http://recantodasletras.com.br/autor.php?id=29657
Publicação autorizada através de e-mail de 27/12/2011

Um amor violento - Autor: Nêodo Ambrósio de Castro

Eu me lembro bem do Valdevino. Eu o conheci, quando morei em Maravilha do Sul. Sujeito que falava grosso, era também um pouco grosso no trato com as pessoas. Tinha uma próspera propriedade rural, que herdou do pai, mas morava na cidade. Era mais cômodo, pois sua esposa, Dona Martinha era professora no Grupo Escolar.

Sempre nos encontrávamos no clube, nos dias de domingo, e ele sempre bebendo a sua cerveja em companhia dos seus amigos.

Vez ou outra levava suas filhas, três meninas que ele adorava, fazia todos os gostos das pequeninas.

Discutia muito política e futebol. Gostava do Vasco da gama, era o seu time do coração, herança de seu falecido pai, se quisesse uma briga com ele era só falar mal do Vasco. Brigava por qualquer motivo, bastava um pequeno desentendimento, um bate-boca e logo partia para a agressão. Diziam que tinha o pavio curto. Coisas lá do Sul.

Com a esposa, dona Martinha, estava sempre em litígio. Qualquer coisa era motivo para uma discussão que algumas vezes acabava em agressão e até em separação.

Dona Martinha não dava muita sorte, seus pais também eram assim, falavam as más línguas que era culpa da mãe dona Santinha que estava sempre aprontando com o senhor Josué, seu marido. Também brigavam muito e às vezes, ela, nem podia sair de casa por causa dos olhos roxos de porrada. Cabra macho esse tal de Josué. Bastava dona Santinha dar uma furtiva olhada para o lado e começava os beliscões e quando chegavam em casa, não tinha jeito, dava logo discussão.

Brigaram tanto que acabaram morrendo juntos e brigando. Por causa de uma besteira a toa, Josué, vinha da cidade vizinha, com dona Santinha e começou a discussão, dentro do carro mesmo, os palavrões os empurrões até que desgovernado o seu carro caiu ribanceira abaixo e não sobrou nada. Morreram os dois, brigando, para não desagradar as más línguas que diziam que nasceram e morreram brigando.

Com Valdevino foi um pouco diferente. Diziam que ele também, era igual o sogro. Ciumento não gostava de ver a mulher conversar com outro homem. Quando isso acontecia, ficava uma fera, chegava em casa já bêbado e começava a quebrar tudo, até que quebrava a cara da própria mulher. Depois disso, já satisfeito voltava para o botequim e bebia até cair. Isso quando não arranjava uma briga, sempre com dois ou três, para mostrar que era cabra macho. Depois de muito machucado era comum passar a noite na cadeia, único lugar que conseguiam levá-lo, mas só depois de beber até ficar pra lá de bêbado. Ninguém era besta de querer arrastá-lo naqueles momentos, para a carceragem, a menos que já estivesse derrubado.

No dia seguinte, morto de vergonha das arruaças que aprontara na noite anterior, metia a cara para a sua roça e lá ficava alguns dias curtindo a dor de cotovelo e a saudade da mulher Martinha. As vezes isso durava dias.

Dona Martinha, gente boa que não guarda rancor, pouco ligava para onde seu marido andava. Sabia que ele curtia a vergonha e se esburrando de cachaça, na fazenda, e dormindo pelo chão. Depois de semanas, quando não agüentava mais, voltava para a cidade, com a desculpa de ver as filhas, das quais sentia muita saudade. Ia chegando, devagar, como quem não quer nada. Parava na venda do Beto e lá comprava aquelas bugingangas que criança adora e muito doce (balas, pirulitos e chicletes). Detestava ver as filhas mascando chicletes, estragavam os dentes, mas naquela hora tinha que fazer vista grossa, senão as coisas ficavam mais difíceis para ele.

Com essa desculpa ia chegando. Abraçava as crianças, distribuía os presentes e quando dona Martinha estava, ia logo perguntando se estava precisando de alguma coisa. Como havia passado aqueles dias e ia falando, justificando, fornecendo detalhes da fazenda. A vaca branca deu cria. Precisa ver que bezerrinho bonito, todo branquinho que nem a mãe. Está dando muito leite. Vamos aumentar a cota. O girardo, (um dos cães da fazenda) coitado, está com bicheira no rabo. Vive se coçando na cerca da horta. Não sei que fim ele terá, pois não deixa ninguém chegar perto para tratar.

Ah! Encontrei com o seu Nenzinho e a mulher, mandaram lembranças.

Assim começava o diálogo entre eles. Dona Martinha, santa mulher, um pouco nervosa – puxou a mãe –,mas não guardava rancor. Sempre acolhia o Valdevino e assim ficavam algumas semanas, às vezes meses sem briga.

Era bom, segundo dona Martinha. - Quando não bebe, é o melhor homem do mundo. Me dá muito carinho, até ajuda no serviço de casa. Mas depois da bebedeira é um inferno. Tenho que agüentar a mesma ladainha. Palavrões e até pancadas. Mas é só uns dias na fazenda e volta que nem gatinho manso.

A vida de Valdevino e dona Martinha era mesmo assim não havia jeito de mudar. Fizeram promessas, novenas, até levaram os dois para o famoso Encontro de Casais com Cristo. Mas igual a tudo que faziam, durou pouco. Alguns encontros algumas reuniões, rezas leitura da Bíblia, conselhos, depoimentos até que um dia o mais animado do grupo, o famoso Amaro inventou uma confraternização no domingo. Churrasco com asinha de frango, lombo e picanha na brasa e cerveja à vontade. Até o padre foi convidado. Antes da festa houve corrente de oração e muita conversa saudável, até que à medida que o estoque de cerveja ia baixando, o clima ia se tornando mais tenso. Dona Martinha não podia levantar-se da mesa nem para ir ao banheiro que o Valdevino torcia a cara. E quanto mais contrariado, mais cerveja tomava. Com a cara cheia de cerveja e mal agüentando-se nas próprias pernas, entendeu que sua mulher estava de prosa com um integrante da turma. Foi alimentando aquele ciúme infundado, até que, num gesto brusco, que lhe era bem natural, sem mais nem menos, agarrou dona Martinha pelo braço, chamou as crianças e gritou vamos embora. Não houve um até logo, até outro dia, tchau. Se mandou arrastando a mulher e as filhas.

Ninguém entendeu, nem o Padre que sempre compreendia as atitudes impensadas dos seus fiéis. Por que eles se foram? Estava tão bom. Será que se aborreceu com alguma coisa? Não, disse o Padre. Ele só teve uma pequena crise de ciúme amanhã estará tudo bem e ele até irá pedir desculpas pela saída inesperada.

Mas isso não aconteceria.

Valdevino, à medida que caminhava para casa, empurrava dona Martinha e gritava com as filhas. Anda moleza parecem lesmas.

Foi só fechar a porta da casa e começou, de novo o tal inferno, tão temido e esperado por dona Martinha. Palavrões, socos nas paredes, quebra-quebra, até que veio aquele punho em direção ao seu rosto e ela sentindo um impacto violento, como uma batida contra uma parede de pedra, desabou e lá ficou estendida no chão da copa e as filhas gritando por socorro. Apavorado, Valdevino se mandou.

Na fazenda fez o que lhe era costumeiro. O garrafão de cachaça, os palavrões que falava com ele próprio e foi bebendo e a cabeça rodando até que caiu desmaiado no meio da cozinha da casa.

De manhã a mulher do caseiro o encontrou e logo foi chamar o marido, o Murilinho, a quem pediu ajuda. Colocado na cama só levantou lá pelo meio dia. Estava muito envergonhado e desconsolado o Valdevino. Foi para a varanda do casarão e lá passou a tarde toda, não quis conversa com ninguém nem saiu para o pasto ou para a roça.

Ficava de olho fixo naquele pé de goiaba que havia na frente da casa. Quem o visse, naquele estado, diria, logo, que havia parado de pensar.

Mas lá ficou até o anoitecer. Quieto, sem falar nada. Só pensando.

No outro dia, bem cedo, foi até o porão da casa, onde guardava os arreios dos cavalos e outras tralhas. Escolheu uma corda, dessas usadas para amarrar cavalo brabo e encaminhou-se até a frente da casa. Subiu no tal pé de goiaba. Bem lá em cima. Amarrou, com bastante cuidado, a corda, experimentou a sua resistência e a do galho, certificou-se que agüentava o seu peso e depois de tudo pronto, fez um laço na outra ponta, engatou no próprio pescoço e se atirou. Esperneou um pouco, mas logo ficou imóvel. Ali ficou não se sabe por quanto tempo, mas quando o acharam já estava frio.

Chamaram todos os vizinhos, Murilinho, o caseiro e o seu Nenzinho o vizinho mais próximo, conseguiram cortar a corda e o corpo despencou lá de cima. Levaram para a copa da fazenda onde havia uma mesa enorme feita de taboas grossas e lá o deitaram. Nem precisa de médico, para ver que está mortinho, disse o seu Nenzinho.
Dirigiu-se ao caseiro e disse: - Vá até a cidade e comunica os parentes para ver o que vão fazer com o corpo.

E lá foi o Murilinho de olhos arregalados, ainda não acreditando no que tinha acontecido, foi logo à casa da viúva e, sem rodeios, contou como achou o corpo do Valdevino.

Deu-se, então, o enterro, a choradeira, que foi mais dos estranhos do que da família, cessou rapidamente quando o corpo desceu à sepultura que foi tampada com a terra. Dali, cada qual para a sua casa, uns um pouco assustados outros aliviados, com uma certeza, não haveria mais quebradeira, palavrões e manchas roxas nos olhos da dona Martinha.

Autor: Nêodo Ambrósio de Castro - Eugenópolis/MG

Páginas do autor:
http://www.escritorneodo.net/index.php
http://cronicasreunidas.blogspot.com/

Publicação autorizada através de e-mail de 06/11/2011

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sexta-feira santa...! - Autor: Carlos Costa

Para Iraides Costa

Minha esposa entrou em casa e decretou: “hoje, vamos fazer jejum de pão também”. Dito isso, entrei em um turbilhão de lembranças de um passado não tão distante e recordei com saudades de quando:

...comer carne vermelha, varrer casa, quintais ou terreiros? Nunca!

Era sexta-feira santa e todos respeitaram as tradições do passado! Rezar, ver filmes de Cristo e nos emocionar quando deixávamos as salas de projeções, eram as únicas coisas possíveis e permitidas. Era Sexta-Feira da Paixão e ninguém fazia nada! Nada mesmo!

Rádios trocavam músicas das “paradas de sucesso”, que lhes davam audiências, por outras orquestradas, ou religiosas!

Era um dia quase fúnebre! Não se podia nem fazer barulho!

Nós, os adolescentes e eu pelo meio, sempre encontrávamos ou dávamos um jeitinho de entrar nos matos abundantes que ainda existiam em Manaus naquela época, nos anos 70, para escolher árvores que seriam cortadas para montar uma festa de “Judas”, que vendera Jesus por 30 moedas.

Ao centro, colocávamos sempre uma árvore grande para colocarmos o Judas. E a farra começava sempre depois da meia noite, hora em que tudo era permitido!

Minha irmã Iraides, certa vez, inventou uma brincadeira para incrementar à cremação de Judas: deitou-se embaixo de jornais, mandou pingar um monte de mercúrio cromo por cima destes e ainda decidiu que velas deveriam ser acessas para imitar um cadáver. Todos os meninos adolescentes deveriam demonstrar desespero e chorar.

Os raros carros fuscas que passavam pela rua, eram parados, o motorista descia e perguntávamos se ele poderia identificar a “defunta”.

A pessoa, ao levantar o jornal para nos ajudar a identificar a “defunta”, saía erguendo os braços, gritando:

-Ôooooo!

Deve ter motorista correndo até agora pelo que minha irmã aprontava. E tudo era motivo de risadas! Ah, quantas lembranças dos anos em que se podia brincar no meio da rua sem medo!!!!


Autor: Carlos Costa - Manaus/AM
Publicação autorizada em 05/04/2012

Só mesmo você, Otávio! - Autor: Carlos Lopes

Madrugada de muita chuva em Olinda!
Pela manhã, atropelei a porta do carro da vizinha no estacionamento; no caminho do trabalho despercebi o limite de velocidade e ainda tive a suspensão do carro comprometida numa boca de lobo.
Enfim, e até que enfim, o dia acabou.
Acabou mesmo? (...)

Material retirado para compor livro

O castelinho - Autor: Carlos Lopes


Estive no Mercado São José, no Recife!

A pedido de uma tia teria de levar para Iracema um vidro de Mingau de Cachorro e lugar melhor para encontrá-lo não havia, senão naqueles pavilhões destinados ao comércio de diversos produtos, a maioria regional, além de comidas típicas, tapiocas, peixes e crustáceos.

Material retirado para compor livro

Quem ama o feio, bonito lhe parece - Autor: Carlos Lopes


(... A convidei para dançar. Dançamos noite adentro! Eu me sentia tão leve ali bailando, quem girava era o céu e as estrelas e não minha cabeça embebecida de álcool e de vontade de me conceder.

E, finalmente, a beijei!

Me vi envolvido em um mundo de alegria e paixão. A fase do grude ocasionou viagens, diversões e fugas maravilhosas durante o horário de trabalho. Naquele tempo eu pensava ser o céu na terra e acima de nós somente aviões e condores).

Texto retirado para compor livro

Autor: Carlos Lopes - Olinda/PE

¨Menino jornaleiro¨ - Autor: Carlos Costa

O “menino jornaleiro”olhava para o alto e via tremular ao vento folhas de frondosas palmeiras imperiais; olhava para baixo e visualizava, em suas lembranças, os trilhos de bonde que rasgavam a rua de paralelepípedo que enfeitava a Manaus de outrora.
Ah, quantos homens e mulheres apaixonados não devem ter sido transportados pelos bondes que o “menino jornaleiro” não chegou a vê-los!?
Nunca o “menino jornaleiro”há de saber por que tudo que ele escreve só ficou mesmo na sua imaginação de adolescente, pois as palmeiras, os trilhos de bondes, os paralelepípedos foram impiedosamente arrancados e deram lugar ao “progresso” com a construção de uma grande estação de ônibus na Praça da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a padroeira.
Foi sob aos olhos da Padroeira de Manaus que o progresso chegou sem lhe pedir a bênção. O prefeito Jorge Teixeira de Oliveira, em nome do progresso, mandou arrancar tudo e colocou um asfalto negro, como negra era a noite que embalava o coração dos apaixonados que se dirigiam à Matriz.
Foi-se embora o romantismo e chegaram os problemas sociais que acompanharam o progresso! Prostituição, tráfico, ambulantes, bares e tudo o mais onde antes havia apenas zoológico, flores, palmeiras, trilhos de bondes...Ah, como era gostoso passear e tirar “retratos”na grama verde que cobria meu passado! Restaram apenas um relógio e um obelisco que marcaria o local da fundação da cidade.
Mas, hoje, vá saber se foi o local exato da fundação de Manaus, mesmo?
Desconfio que lá não teria sido porque uma cidade não surge com local demarcado, com certidão de nascimento e tudo. As pessoas simplesmente chegam, constroem suas casas e depois se procura um local para registrar, na história, onde teria se iniciado. Só que no Marco Zero existe uma única edificação. Como ter certeza que Manaus surgiu naquele local mesmo? Não teria sido em outro?
O “menino jornaleiro”caminhou muito pela Praça da Matriz, o tabuleiro da baiana, o pavilhão São José, na década de 70. O menino sempre volta a esses locais para reencontrar sua juventude perdida, mas não a reencontra porque ela também se foi sem lhe dizer adeus!
Simplesmente se foi para dar lugar a um progresso que invadiu sua bucólica Manaus de apenas 270 mil habitantes para dar lugar aos graves problemas sociais em uma cidade de 1,8 milhões de habitantes.
Fica atônito, meio abobalhado e começa a recordar os ônibus de madeira que estacionavam de um lado e do outro do Pavilhão José! Eram duros, pulavam muito, mas pertenceram a uma época romântica de uma cidade que se viu sendo destruída pelo progresso!
O menino não era contra o progresso, até por que o sabia inevitável, mas este deveria chegar, ao menos, vir de uma forma ordeira, planejada e não desplanejada como ocorreu, destruindo tudo e não permitindo sequer que a geração de hoje relembre pelo menos, como era linda e bucólica a Manaus que o “Menino Jornaleiro” conhecera em 1969 a vira sendo destruída aos poucos.
Primeiro arrancaram as palmeiras, depois os trilhos de bondes, logo em seguida todos os paralelepípedos. Aliás, onde foram replantadas ou recolocadas todas as lembranças do menino jornaleiro?
Ah, que saudades sente do chafariz que existia em frente ao Olímpico Clube, retirado para dar lugar também à implantação de um projeto de corredor de ônibus pela antiga João Coelho, e nunca mais fora reencontrado!
Ah, tudo isso o “menino jornaleiro”sente falta hoje em suas lembranças e em seu coração! Foi um pedaço da história que foi arrancada, mas permanecerá viva em sua memória do menino que se tornou cronista!
Autor: Carlos Costa - Manaus/AM
Publicação autorizada através de e-mail de 12/04/2012

Amiga Celêdian Assis ... - Autor: Carlos Lopes

Como diz o ditado: ¨Quem nunca comeu mel, quando come se lambuza¨. Abri a embalagem e sem maiores conhecimentos troquei a velha câmera fotográfica pelo celular de última geração e me danei pra VIII Bienal Internacional do Livro no Centro de Convenções, aqui no Recife.
Quanto ao evento, a oitava edição da Bienal Internacional do Livro trouxe para o Estado, a partir do final de setembro, grandes escritores do país e do exterior; este ano presta homenagem ao centenário de Mauro Mota e a Ronaldo Correia de Brito.

Sendo o tempero da comida a fome, passei o dia remexendo nos pequenos editores, lá geralmente encontro publicações caseiras e muito ao meu gosto. Quanto às fotos, não sei quantas cliquei, mas foram dezenas ... inclusive uma especialmente para você, apontando para o estande da UFMG, aí da sua terra.

Infelizmente nenhuma foto foi armazenada. Acostumado com o acionador na parte superior da máquina não usei o touchscreen. O danado é que aparecia no visor um quadrado verde. Estranhei não carecer daquele tempinho de milésimos de segundos para fixar a imagem, mas imaginei ser o equipamento acima da normalidade, então deixei pra lá.

Somos um povo que aprende com os próprios erros e na próxima bienal, quem sabe, levo a velha máquina fotográfica, esta nunca me deixou na mão.

Autor: Carlos Lopes