domingo, 16 de outubro de 2016

¨Escrever talvez seja tornar tangíveis os entrelaçados fios do pensamento. Daí, surge a necessidade de criar histórias e sentimentos em forma de letras. Contá-las é um modo de entreter e viver outras vidas, por meio de cada personagem. Há semelhanças em se tratando de escrita, mas a maneira de apresentar cada fato, muda de uma narrativa para outra, fazendo a diferença entre ser ou não ser lido. Com certeza, a literatura ainda é essencial para muitos, ou seja, um prazer sem explicações. É um universo onde se pode colocar vida e expressar opiniões¨.

Blog Gandavos
Recife PE

Autor: João Batista Stabile

Eu sou casado e tenho um filho de doze anos, nasci em 28 de abril de 1961, em Presidente Alves interior de São Paulo, numa fazenda de café onde morei e trabalhei na lavoura até 1982 quando mudei para cidade e fui trabalhar em outra fazenda de café, onde fui escriturário e depois administrador. Parei de estudar em 1979 quando concluí o ensino médio como é chamado hoje.
Em 1989 mudei para Marília também interior de São Paulo onde moro e trabalho como Funcionário Público Estadual, em 1999 depois de vinte anos longe das salas de aula, ingressei no curso de Ciências Sociais pela UNESP – Universidade Estadual Paulista, concluindo em 2003, bacharelado e licenciatura.

Pergunta 1 - Quando e como surgiu seu interesse pela leitura e escrita?
Resposta - Enquanto eu trabalhava na zona rural não tinha tempo e nem interesse em ler, só depois de alguns anos trabalhando no estado já com mais de trinta anos, passei a interessar-me pela leitura. Quanto a escrever foi em 2010, já com quarenta e nove anos com um filho com seis anos, pensei em escrever como era nossa vida na fazenda, como as crianças e jovens viviam naquela época, as diversões, as dificuldades, enfim o cotidiano da vida rural nos anos sessenta e setenta, para que meu filho depois de grande lesse e tivesse uma ideia de como era nossa vida sem a televisão, computador, internet, celular e brinquedos eletrônicos.
Escrevi alguns textos e parei por um tempo, em 2012 por acaso encontrei o site Recanto das Letras e decidi publicar um texto, vendo os comentários das pessoas que leram, principalmente dos colegas do Recanto fiquei animado e escrevi outros. Quero registrar aqui que no Recanto das Letras a primeira pessoa que leu meu texto e fez um comentário carinhoso foi a amiga Maria Mineira, depois vieram outros que ela leu e sempre tinha uma palavra de incentivo, o que ajudou-me a continuar escrevendo.
Pergunta 2 - Quais foram seus livros preferidos quando era criança e os livros favoritos atualmente?
Resposta – Quando eu era criança não lia, na juventude só li os livros de leitura obrigatória para fazer trabalho valendo nota. Destes eu gostei muito de “A Ilha Perdida” de Maria José Dupré e “O Cortiço” de Aluísio Azevedo, depois de adulto os li novamente agora por prazer.
Quando comecei o gosto pela leitura eu li vários livros de José Mauro de Vasconcelos, José de Alencar, Francisco Marins, depois com o tempo muitos outros autores brasileiros como, Machado de Assis, José Lins do Rego, Erico Veríssimo, Jorge Amado, Aluísio Azevedo, Graciliano Ramos, alguns de Rubens Alves e somente “Grande Sertão Veredas e Sagarana” de Guimarães Rosa. Dos estrangeiros eu li Eça de Queirós, Dostoiévski, Tolstói, Charles Dickens, Zola e outros. Atualmente eu gosto de romances e contos nacionais ou estrangeiros.
Pergunta 3 - Quais escritores são suas fontes de inspiração?
Resposta – Quando comecei a pensar em escrever a leitura desses autores que citei e outros, ajudaram a amadurecer a ideia mas o que me inspira são as lembranças do passado, o cotidiano de uma vida simples, principalmente a rural que se perdeu com o avanço da tecnologia e a globalização.
Pergunta 4 - De que forma o conhecimento adquirido, seja pelo senso comum, ou pelo meio acadêmico, ajuda na hora de escrever?
Resposta – Eu penso que o conhecimento acadêmico pode dar a base e até moldar a forma de escrever, mas o conhecimento adquirido pelo senso comum é a bagagem necessária ao escritor, sem esta não é possível escrever.
Pergunta 5 - Segundo o escritor Rubem Fonseca, “a leitura, a palavra oral é extremamente polissêmica. Cada leitor lê de uma maneira diferente. Então cada um de nós recria o que está lendo, esta é a vantagem da leitura". É isso mesmo? Concorda com essa proposição?
Resposta – Concordo. O interessante da leitura é isso a possibilidade de viajar na imaginação, dar características aos personagens e cenários conforme os nossos conhecimentos e ler nas entrelinhas o que o autor deixou implícito no texto.
Pergunta 6 - Ainda segundo o Escritor Rubem Fonseca: “um escritor tem de ser louco, alfabetizado, imaginativo, motivado e paciente.” É o suficiente para ser um bom escritor?
Resposta – O escritor tem que ser alfabetizado, claro não tem como escrever se não for alfabetizado, motivado também, pois a motivação leva a imaginação necessária para escrever e paciente porque nem sempre as coisas saem como imaginamos.
Pergunta 7 - Para qual público se destina sua criação?
Resposta – Escrevo para pessoas comuns que tenha a capacidade de se encantar com as coisas simples da vida.
Pergunta 8 - Como funciona o seu processo de criação? Quais sãos suas manias (ritual da escrita)?
Resposta – Não sigo um ritual fixo para todos os textos, as vezes passa tempo sem ter uma inspiração, de repente uma cena, uma conversa, uma lembrança de um caso acontecido ou contado por alguém, surge uma ideia, aí sento e escrevo ou acontece também de ter uma ideia, aí fico pensando formando mais ou menos o texto na cabeça só depois sento para escrever. Mas nos dois casos eu escrevo tudo de só uma vez, conforme vem à cabeça, depois no mesmo dia ou no outro vou relendo, acrescentando alguma coisa, tirando outra, trocando palavras até ficar do meu gosto.
Pergunta 9 - Em geral, os seus personagens são baseados em pessoas que você conhece, ou são ficcionais?
Resposta – Os personagens dos contos que escrevi são baseados em pessoas que conheci, nos causos são ficcionais mas alguns destes tem características de pessoas conhecidas.
Pergunta 10 - Você tem outra atividade, além de escrever?
Resposta – Sou Funcionário Público Estadual e junto com minha esposa e meu filho fazemos alguns trabalhos voluntários na paróquia que frequentamos aqui em Marília, leio bastante e o pouco que escrevo é somente por prazer.
Pergunta 11 - Você faz parte das Coletâneas Gandavos. Qual a sensação de participar ao lado de escritores de várias regiões do país?
Resposta – Não. Mas gostaria muito de um dia fazer parte das Coletâneas Gandavos, tenho certeza que será uma experiência muito gratificante estar ao lado desses escritores, entre eles tem vários que conheço e admiro muito.
Pergunta 12 - O financiamento coletivo e a publicação independente têm se mostrado a opção das publicações Gandavos.  Quais são os pontos positivos e negativos desse tipo de publicação?
Resposta – Mesmo não tendo participado creio que não existe pontos negativos, o financiamento coletivo é uma forma de divulgar o trabalho do autores desconhecidos por um baixo custo, o que é interessante para todos.
Pergunta 13 – Você já fez publicação de livros sozinho, seja impresso ou virtual? Quais e como o leitor pode adquiri-los?
Resposta – Não.
Pergunta 14 - Qual mensagem você deixaria para autores iniciantes, com base em suas próprias experiências?
Resposta - Se você gosta de escrever, escreva se receber uma crítica aprenda com ela, se receber um elogio, procure melhorar ainda mais e lembre-se pode ter muita gente que não goste do que você escreveu, mas sempre tem alguém que vai gostar.

6 comentários:

Ana Bailune disse...

Uma entrevista bonita, limpa e bem conduzida.

João Batista Stabile disse...

Obrigado. Ana Bailune.

geraldinho do engenho rodrigues da costa disse...

Parabéns amigo João Batista pela bela brilhante entrevista, suas respostas nos mostra sua humildade seu caráter e sua dignidade fazendo de você um escritor!
Abraços de seu amigo//Geraldinho do Engenho...

João Batista Stabile disse...

Obrigado amigo Geraldinho, pela leitura e gentil comentário. Abraço.

Maria Mineira disse...

Muito bom ler sua entrevista! Creio que temos algo parecido em nossa escrita, o fato de ter morado na roça transmite certas características aos nossos personagens!

João Batista Stabile disse...

Obrigado amiga Maria Mineira. Um forte abraço.