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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Novos amores - Autor: Marcio Jr

Adolescência, fase adulta ou idosa. Não importa muito a idade quando o assunto é amor. Ele chega de vários jeitos, seja de mansinho, sem que o procuremos, ou num rompante estrondoso, tomando-nos totalmente despreparados. E nessa hora, o que menos importa é a idade.

Cada pessoa tem um jeito próprio de lidar com a paixão e o amor. Alguns fingem que nada está acontecendo, e resistem o máximo possível, mas pouco adianta. E quando se dão conta, já estão tomados por completo. Outros, no entanto, se entregam logo, ávidos por vivenciar as benesses que isso pode trazer. E assim a vida segue, com amores surgindo todos os dias. No entanto, os amores também acabam, cessando muitas vezes da mesma forma como começaram: de mansinho ou abruptamente.

Alguns defendem que “se o amor acabou, é porque nunca existiu”. Não pretendo entrar nesse mérito, mas sim no que diz respeito a amar novamente. Raramente, as relações amorosas terminam de forma tranquila, e num grande número de vezes, alguém absorve traumas profundos, e se sente receoso ou incapacitado para amar novamente. A amargura aparece e essas pessoas entristecem, fechando completamente as portas do coração para qualquer sentimento mais profundo que possam vir a sentir por alguém. E por quê? Pelo medo que sentem em se “ferir” de alguma forma num novo relacionamento.

No entanto, o amor não liga muito para isso, e do nada, ele brota novamente, seja nos corações mais abertos para ele, ou naqueles trancados e fechados para balanço. A diferença é que todo aquele que aceita um novo amor em sua vida, o aproveitará em sua plenitude, e saberá absorver cada momento de felicidade que se apresentar com a nova relação. Já aqueles que se sentem receosos, irão sofrer. Tentarão repudiar cada assédio de outras pessoas no sentido de uma nova paixão, e se por acaso se sentirem presos por esse sentimento (que não pede licença), lutarão de todas as formas para se livrar dele, tentando se manter na solidão. E isso, unicamente na intenção de se eximir de possíveis sofrimentos, que podem sequer vir a existir. No fim das contas, sofrem da mesma maneira ou até mais, pois passarão a enfrentar duas novas brigas, a paixão por alguém, e o medo de amar novamente.

Nunca vi o divórcio como um pecado, e nem entendo aqueles que consideram seu par como uma propriedade ou uma posse. Ninguém é dono de ninguém, e todo aquele que tenta obrigar o parceiro ou parceira a ficar ao seu lado, mesmo quando infeliz, é a pessoa mais egoísta do mundo. Vejo isso como um desvio profundo de caráter e uma atitude doentia. Casamento indissolúvel? Somente enquanto o amor estiver presente. Se ele deixar de existir, somente duas pessoas muito educadas (em todos os sentidos) é que conseguirão manter a relação. E caso o amor e o respeito mútuo deixem de existir, o melhor a fazer é separar ou optar pelo divórcio, para evitar confrontos mais árduos e até a insensatez.

Todo aquele que teme um novo relacionamento, pelo motivo que for, deveria rever seus conceitos. Sei das dificuldades de superar um medo, ainda mais quando a ferida provocada por relacionamentos antigos ainda está aberta, mas também sei o quanto um novo amor ajuda a cauterizar essas feridas. Cicatrizes sempre existirão, claro, mas é mais fácil lidar com elas do que com as feridas latentes. Então, procure orientação psicológica, ou tente se abrir para a vida e para novos relacionamentos. Não é vergonha alguma admitir que precisa de ajuda, ainda mais quando o assunto é amor. E saiba que ninguém, ninguém mesmo, tem o direito de cercear a felicidade de outras pessoas, ainda mais por motivos toscos, doentios e mesquinhos, como o ciúme e a possessão.

E amar novamente, além de trazer felicidade, é rejuvenescedor. É muito comum as pessoas dizerem que seus hormônios “enlouqueceram”, que seus corpos começam a reagir mais rapidamente a impulsos que antes sequer eram percebidos, que os dias ficaram mais claros e quentes, mesmo no inverno. Enfim, as pessoas se percebem mais ativas, como se estivessem vivenciando bons tempos passados.

Tão comum ver adultos agindo como adolescentes. Chegam a ser criticados por isso, mas, quer saber? Às favas com o quê as pessoas pensam ou deixam de pensar. Se você está amando, e se sente um adolescente, aja assim mesmo, saia, brinque, passeie, ande de mãos dadas, dê aquele beijo cinematográfico na pessoa amada, em público mesmo. Tem algo de errado nisso? Pense bem antes de responder. Você pode ser tachado de recalcado, e não será culpa minha.

Amar não é pecado, e muito menos é restrito a alguma faixa etária. Amor não vem em dose única, e nem deixa de existir dentro das pessoas. Ele só fica esquecido, ou muitas vezes preso, por medo de se amar novamente.

Ame sim, ardentemente, e jamais tenha medo de demonstrar esse amor, de corresponder o sentimento de quem lhe dá amor. O amor é um sentimento abstrato, mas é físico também, e que me perdoem aqueles que carregam mais pudor do que eu, mas não existe nada melhor do que “fazer amor” com a pessoa amada. O corpo fica leve e o cérebro mais ativo. Lamento por aqueles que se prendem em sentimentos de culpa, medo, ou argumentos religiosos, na intenção de bloquear novos amores. Estes tenderão a se tornarem solitários e mais amargos. Eu quero mais é amar novamente, e amar sempre.

Autor: Marcio JR - Curitiba/PR

Publicação autorizada através do e-mail de 16/04/2012

domingo, 1 de abril de 2012

Lá não tem mar - Autor: Marcio Jr

Minas Gerais não tem mar. Ao menos, não aquele de água salgada e com uma faixa de areia, que maravilhosamente contorna esse nosso Brasil de norte a sul. Mas lá em Minas tem um mar de gente batalhadora, honesta e hospitaleira. Lá, tem um mar de riquezas inenarráveis nas artes, independente qual seja essa arte. Lá tem um mar de povo amigo, que recebe seus visitantes com pão de queijo e café quentinho. Lá em Minas, além desse mar todo que falei acima, tem o José Cláudio, ou simplesmente Cacá para quem o conhece a mais tempo.

Você não sabe quem é o Cacá? Bom, segundo palavras dele mesmo:


“Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe
Eu só levo a certeza
De que muito pouco sei,
Ou nada sei”



Ainda não se antenou sobre quem é o Cacá? Vou pedir ajuda para duas blogueiras e amigas que guardo no coração para me ajudar a defini-lo:

“Para mim ele (Cacá) é uma pessoa que trata a literatura com afagos fortes e bonitos, e isso me encantou ainda mais, além da simplicidade que ele esbanja.
O tempo, esse que chega sempre e nos faz esquecer uma tristeza forte, corre veloz e nos presenteia com pessoas assim sinceras, corretas e sem papas na língua pela verdade.
Cozinheiro de plantão na essência, a sinceridade que há em ti (Cacá) são hierarquias fortes.
Ser intelectual é isso, ser simples, sábio e prudente, e empregar a cautela, a cultura em prol de algo que valha a pena lutar.”

“O Zé é um inominável talento literário por inúmeras razões: é um leitor voraz e muito atento; um grande pensador com referências morais e éticas de coerência ímpar; um cronista que retira do cotidiano detalhes ínfimos que passariam despercebidas aos menos atentos, mas que em sua visão, transforma a nossa; um poeta fenomenal, embora insista em não expor muito este lado, além de contar com um senso de humor apuradíssimo. A figura humana? Esta é a parte mais interessante, é fantástico. Um pessoa agradável, gentil, amigo e extremamente generoso. Tímido, sabia?”

Preciso dizer mais? Sim, preciso dizer.

Cacá é um ser único. Um homem com H maiúsculo e que habita este planeta com uma missão nobre. Ser amigo, companheiro e um descobridor de talentos fora do comum. Mesmo que ele esteja um tanto afastado da web nesses últimos tempos, suas crônicas e ensaios estão atualíssimos, e dão norte para muitos autores que ele mesmo fez emergir. E eu me considero um deles. Se hoje sou um “escrevinhador” de minhas mal traçadas linhas, muito disso devo ao Cacá e aos seus comentários e críticas sempre pontuais e zelosos aos meus contos e crônicas.

Quantas vezes, ainda no Recanto das Letras, eu aguardava o comentário do Cacá aos meus textos, para que assim pudesse ter parâmetros para o que ainda pensava em escrever. O que sentia, quando ele comentava, era algo como se fosse um aval para poder continuar. Outros nomes como Daniel Monge (nosso querido André), Celêdian, Chica, Ana Marly, LenaPena, entre outros, também compunham essa casta fantástica que me comentava e criticava, mas o Cacá sempre foi especial.

Lembro que em algumas madrugadas, ao abrir minha caixa de e-mail, lá estava uma mensagem do Cacá, indicando um ou outro novo talento que ele “adotava”. Sim, o Cacá adota autores. Ele adota e orienta, e tolo daquele que tem esse moço ao seu lado e não sabe (ou não quer) se beneficiar do zelo que ele tem com os novatos. Outra coisa que me faz tirar o chapéu a este mineiro de coração enorme, é o fato dele sempre estar disposto a receber os talentos que lhe são indicados. Lembro de ter passado, pelo menos, dois nomes a ele, e sempre que eu passava pelo blog dessas pessoas, lá estava o Cacá com seus comentários e incentivos.

Cacá, meu querido amigo e companheiro desse tempo todo que nos conhecemos. A web está meio chata sem você. Sei do trabalho que dá o lançamento de um livro, e sei também das demais circunstâncias que te envolvem, mas cá pra nós... volta logo, meu amigo. Vamos pensar a web como uma cozinha. Sem o cozinheiro, até nos alimentamos, mas os bons pratos, esses estão a espera do mestre para saírem do forno.

Meu grande abraço, Cacá.

Marcio Jr - Curitiba/PR

http://abismodasvaidades.blogspot.com.br/

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Quer conhecer mais sobre o Cacá, ou ver o que outros blogueiros estão falando sobre ele? Dá uma passadinha nestes blogs:

Anne Lieri



Otília Lins


Chica


Neno


Fernanda


Majoli


Toninho Bira


Sam


Celêdian



segunda-feira, 5 de março de 2012

Pode me chamar de medroso. Mas que elas são perigosas, isso elas são - Autor: Marcio Jr


Não negue. Você tem medo de algo. Pode ser de assalto, de altura, do boi da cara-preta, de gato preto, ariranha, pinguim azul, borboleta de quatro olhos... sei lá. Sempre tem alguma coisinha, lá no fundo, que deixa a pessoa, no mínimo, receosa.

Um fato estranho aconteceu no dia de ontem (30 de janeiro de 2012), e que por pouco não me leva para a delegacia. Dos males, o menor. Apenas quebrei um dente. Resultado de tudo, e para variar, paguei o maior mico.

Faz algum tempo, brinquei com uma pessoa de minha estima que morro de medo de... velhinhas. É. Senhoras inocentes, daquelas que passeiam por aí com seus amados guarda-chuvas pretos e longos, que estão sempre prontos pra acertar nossas cabeças caso elas pensem que estão sendo assediadas (não existe somente assédio sexual, seu mente poluída).

Desde minha infância, convivi com senhoras idosas que, de boas almas e caridosas, não tinham nada. Educação mais austera, tias muito mais velhas do que minha mãe, e a maioria delas adoravam dar uns beliscões nos sobrinhos quando eles aprontavam. E eu aprontava muito. Com o passar do tempo, uma professora de matemática invocou comigo e com todo o restante da turma. Era uma ranheta, que usava um cabelo grisalho e vivia dando cascudos em nós. A matéria? Matemática. Ela falava que era para tirar a “serragem” da cabeça dos alunos. Doía demais.

Mais um pouco de tempo e noivei (oh! trem; não noivei com a professora de matemática não). Nessa época, conheci uma senhora muito pequenina e de cabelos alvos, que morava próxima à casa de minha noiva. Risonha, a diversão dela era matar gatos e jogar nas pessoas. Santa velhinha. Certa vez, eu passando perto da casa dela, cai em minha cabeça um gato morto. Eu, ainda sonolento, quase morri do coração, e desci o verbo. Além de ter que aguentar a cena do gato, ainda tive que escutar outro tanto de um cidadão desavisado, que achou estar eu ofendendo aquela “bondosa” senhora. Na semana seguinte era ele xingando a dita.

Passou mais um pouco, me separei, abri uma empresa e, ao lado da minha loja, uma linda e miudinha senhora de seus 70 anos (elas sempre são miudinhas, não é?). Adorava conversar com ela. Ria descabidamente, e o namorado dela, um senhor de seus sessenta e tantos anos, parecia andar nas nuvens. Certo dia, tristeza. O coitado do namorado morrera naquela manhã. No caixão, ele mostrava um sorriso enorme. Alguns dias depois, fiquei sabendo que aquele não era o primeiro distinto defunto daquele doce senhora. Era o quinto que morria, e nas mesmas condições. Uma semana depois, quando me dou conta, era o avô de um amigo que “conversava” alegremente com esta senhora. O velório dele foi no mês passado.

Sei que, no fim das contas, meu pior pesadelo é com a vovó do Piu-piu. Aquela mesma que vive “guardachuvando” a cabeça do Frajola. Já caí da cama ao sonhar com ela, e o pior, ela sempre me persegue. Se eu corro, ela vem de patins, se eu pego uma bicicleta, ela vem de moto. Um inferno, ou melhor, um pesadelo atrás do outro.

Resumindo, e respondendo a pergunta de todos. O que meu medo de velhinhas tem com meu dente quebrado e o fato de eu quase parar numa delegacia?

Como todo mundo, preciso ir ao banco para pagar minhas contas. Aquelas portas giratórias sempre, mas sempre mesmo, se invocam comigo e travam. Mas passei. Fui até minha gerente e estava eu lá, conversando, até que olho para a porta giratória e vejo o vigilante “liberar” a porta para uma inocente senhorinha de cabelos grisalhos (pequenina, para variar) e seu enorme e assustador guarda-chuvas. Do nada, dispara um desgraçado dum alarme...

...o reboliço foi geral. Minha gerente conseguiu, em dois segundos, se enfiar debaixo da mesa, e ligou para a polícia (nem precisava, pois o alarme dispara diretamente na delegacia). A balburdia continuava, e ninguém se entendia. A única pessoa a ficar em pé foi a velhinha, que carregava o guarda-chuva como se fosse uma espingarda.

Não me aguentei e pensei: “ela tá assaltando, e tá de costas; vou passar uma rasteira nela”. Mas não deu tempo. O alarme parou de soar, e dos males o menor, era só uma falha no sistema. Foi só o susto.

Só não deu tempo para refrear minha boca. Quando desligaram o alarme, estava eu lá, acusando aquela senhora de tentar assaltar o banco. Eu estava cego de “sei lá o quê”, e falando pelos cotovelos. Saí completamente do meu estado normal de lucidez. Piorou ainda mais quando o vigia tentou me conter.

--Essa mulher é um perigo. --falei, assustado.

Nem bem terminei de falar e a senhora, quase surda ao que tudo indicava, pois não entendeu patavinas do que eu falei, se virou para o lado, e a ponta do guarda-chuva pegou diretamente em minha boca. Detalhe, a boca estava aberta, e o dente quebrado voou para dentro... do meu estômago.

Resultado de tudo. Perdi um dente, queriam me acusar de agressão verbal a um idoso, e minha dentista, tirando o maior sarro da minha cara, ainda fala a seguinte pérola:

--Me traz o dente que eu colo ele.

Engraçadinha ela, não é?


Autor: Marcio JR - Curitiba/PR

Publicação autorizada através do e-mail de 22/02/2012

É claro que tudo o que foi descrito acima não passa de brincadeira, com exceção de eu ter quebrado, realmente, um dente. E tudo se deu num descuido caseiro, num instante de pura desatenção e uma porta de geladeira esquecida aberta. Até acho que a geladeira me agrediu, a bem da verdade. Mas nem tente imaginar a cena comigo batendo contra a geladeira e caindo de boca aberta sobre as costas de uma cadeira. Foi hilária para quem assistiu e muito, mas muito dolorida para mim.

Que me desculpem a enormidade de senhoras idosas que conheço, e são muitas, muitas mesmo. Adoro todas, se bem que, depois dessa crônica, elas vão me odiar. Mas tudo bem, desde que a dona Maria, aquela viúva por seis vezes não venha me perseguir... eu eu não conseguiria passar esse episódio do dente quebrado sem alguma risada. Perdão a todas.

Abraço a todos.

PS.: meu livro já está a venda, mas somente na livraria virtual.
livro ABISMO DAS VAIDADES - Coletânea de Crônicas