domingo, 25 de setembro de 2016

Lançamento de livro:

Tenho em mãos, o mais recente livro do colaborador e amigo Geraldo Rodrigues da Costa, lá de Bom Despacho, das Minas Gerais.

O talentoso escritor nos brinda, desta vez, com um livro diferente. Em Paisagens e Lendas que Encantam, tal diz no prefácio: ¨... E como o genovês Cristóvão Colombo, salta os mares em sentido inverso, para descobrir a Europa, em especial duas pátrias: Portugal e Espanha. ¨





Geraldinho do Engenho





Esse é o meu amigo Geraldinho do Engenho!
Um abraço!


domingo, 11 de setembro de 2016

A botija de ouro

João Batista Stabile

Nos bons tempos do café quando a cultura estava no seu auge, existiu um grande fazendeiro que começou sua vida como tropeiro transportando café para o porto de Santos. Homem trabalhador logo conquistou a confiança dos fazendeiros da região e com isso ganhou muito dinheiro, esperto nos negócios começou a comprar terras e depois casou-se com a filha de um fazendeiro tornando-se em um curto espaço de tempo um grande produtor de café.
Desse casamento ele só teve um filho, o menino apesar de inteligente e educado não demonstrava ter o tino do pai para negócios, foi crescendo mimado pela família mais pela mãe, tias e avó que pelo pai que tentava por todos os meios torná-lo um fazendeiro como ele e talvez o chefe político da cidade, mas logo percebeu que sua tarefa não seria fácil, o menino agora já rapazinho gostava mais da vida boa e dos privilégios que a posição do seu pai proporcionava-o.
E como não adianta dar conselho falar que o jovem está agindo errado, ele só vai aprender quebrando a cara, mas quando isso acontece geralmente é tarde para recuperar o que perdeu.  Um dia o pai já convencido que o filho não daria conta de administrar os negócios quando ele morresse chamou-o para conversar, levando-o para um quarto do casarão, abriu a porta à chave e entraram, era um quarto espaçoso com pouca mobília, num canto um armário que estava vazio, duas poltronas velhas   e mais alguns trastes noutro canto.
Esta casa antiga tinha o forro de madeira e no centro do quarto havia uma corda que pendia do forro com um laço na ponta e um banquinho na altura certa para um homem enforcar-se. Mostrando isso o velho disse ao filho, está vendo isso, quando eu morrer e você dissipar nossa fortuna com essa vida de boêmio que você leva, quando tiver sem dinheiro e sem amigos, não desonre meu nome vivendo na miséria venha aqui e enforque-se.
Feito isso o pai chamou o rapaz para sair do quarto e disse que não voltasse ali até que chegasse a hora de acabar com tudo, saíram do quarto e o pai o trancou à chave e a guardou no cofre junto com os documentos mostrando para o filho, o rapaz não levou muito a sério aquela conversa mas não querendo chatear o pai prometeu que faria o que ele pediu, achou esquisito aquele pedido mas esqueceu e foi curtir sua vida.
Depois de alguns anos daquela conversa seu pai morreu, ficando para ele a responsabilidade pelos negócios da família. O rapaz acostumado na boa vida não quis pegar no batente, levantar cedinho como o pai fazia para organizar e acompanhar os trabalhos da fazenda e fazer as compras e vendas, foi deixando na mão de empregados.
Como diz o ditado o olho do dono que engorda o boi, nesse caso não tinha o olho do dono e os negócios já não rendiam como no tempo do velho, o rapaz sem experiência e sem muita vontade de trabalhar, gastando mais do devia e alguns negócios mal sucedidos em poucos anos estava afundando em dividas.
Para piorar a situação no último ano deu uma geada forte na região que queimou grande parte de sua lavoura ele sem saber o que fazer foi abandonando a lavoura, os empregados antigos de confiança foram embora. A situação chegou ao ponto de perder a fazenda só havia uma saída entregá-la ao banco para pagar as dívidas.
Um dia o rapaz desesperado com a situação, sem amigos porque acabando o dinheiro os companheiros de festas o abandonaram, sem ter a quem recorrer foi ao cofre pegar dos documentos da fazenda para negociar com o banco, viu a chave e lembrou-se da conversa com o pai.
Pegou a chave abriu o quarto olhou a corda pendurada pensou não posso dar este desconto à memória do meu pai entregando a fazenda, vou cumprir o que prometi subiu no banquinho pôs a corda no pescoço e pulou, o forro quebrou ele caiu e do seu lado caiu uma botija que se quebrou esparramando pelo chão uma fortuna em moedas de ouro.
Agora já experiente depois de tudo que aconteceu pegou o dinheiro pagou todas as dívidas salvando a fazenda. Daí por diante mudou completamente seu modo de viver, passou ele próprio administrar a fazenda fazendo-a produzir não mais esbanjou dinheiro, tornando-se assim o fazendeiro que seu pai sonhava que fosse.
João Batista Stabile - Marília/SP, 

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Amor imortal

Autor: Alberto Vasconcelos

I
Cinquenta anos. Passaram-se cinquenta anos desde que nos vimos pela ultima vez. Era um dia qualquer da semana. Estávamos saindo do cemitério, onde havíamos assistido ao funeral de militar de alta patente com toda aquela pantomima insossa. Salva de vinte e um tiros em funeral... Recolhimento da bandeira que cobrira o ataúde...
Mesclado com o crepúsculo, o toque de silêncio executado pelo jovem corneteiro com o rosto banhado em lágrimas. Era o som da alma do afilhado a se despedir, para sempre, do padrinho e protetor...
Depois disso, apenas o som monótono do pedreiro ajustando a tampa da sepultura.
Abraçados, viemos lentamente até ao portão de entrada. Um beijo rápido no rosto, como despedida, e ela entrou no carro do pai que, impaciente, gesticulava e dizia algo ininteligível.
O peso da emoção proporcionada pela cerimônia nos guiou para casa. Nada a fazer...
II
Dentro do envelope de papel linho, o convite dourado para a cerimônia de premiação dos melhores da propaganda e do jornalismo me foi entregue pelo porteiro do prédio. O velho Anselmo, porteiro desde sempre, conhecia a todos moradores. Sabia da vida de cada um, com os mínimos detalhes.
—Nesse ano eles capricharam no convite, doutor. Nos anos anteriores não havia tanto luxo assim...
—Acho que vou mandar você me representar...
—Quem sou eu doutor? Quem sou eu para participar de evento como esse? E mesmo que pudesse ir, quem é que vai tomar conta de tudo isso aqui?
—Eu lhe empresto meu smoking e fico no seu lugar... (risos)
—Eu magro do jeito que sou doutor, dentro da sua roupa iam perguntar se o defunto era maior. (risos) E tem mais, se o senhor ficar sozinho no meu lugar, dona Genoveva vai trancar a portaria e lhe dar um amasso que só vai restar o bagaço...
—Rapaz acabe com isso. Dona Genoveva é uma mulher séria.
—E o senhor quer seriedade maior do que um amor velho e recolhido sem coragem para se mostrar?
Abriu-se a porta do elevador e quatro garotos saíram de dentro como que catapultados.
—Esses meninos não têm jeito. (comentou o porteiro entre dentes)
—Quem não tem jeito são os pais deles.
A fechadura meio que emperrou outra vez. Amaldiçoei o esquecimento, pela enésima vez, de pedir ao síndico que mandasse um chaveiro decente e de confiança arrumar aquela merda velha. Não era de se estranhar que uma fechadura com mais de trinta anos de uso desse algum problema. Na cozinha, tirei uma lasanha do freezer e coloquei no micro ondas para descongelar. Abri um Chiante Rufino e enchi a última taça de cristal que restava.
As outras, irmãzinhas dela, haviam suicidado, pulando da mesa depois de terem enchido a cara de vinho sujando o tapete e espalhando os cacos de cristal para todo lado.
Bebi um gole generoso e fui tomar banho largando a roupa pelo chão da cozinha, corredor, quarto e banheiro. A água estava gelada.
Eu havia esquecido, outra vez, de mandar arrumar o chuveiro elétrico, comparsa da fechadura na arte de me aborrecer... Mas um banho frio até que é revigorante, depois de passar o dia todo às voltas com montanhas de papel empoeirado. (pensei assim como forma de consolo)
Voltei para a cozinha enrolado na toalha. Para que vestir roupa se daqui a pouco iria tirá-la para dormir? Comi a lasanha com o vinho e fui para o sofá examinar dois processos que trouxera para dar a sentença.
No inicio do ano passado, quando assumi a quarta vara da capital, havia um acúmulo de processos que nenhum juiz do mundo seria capaz de vencer sozinho. Depois de me inteirar do absurdo que me aguardava, fui à Universidade Federal falar com o diretor do curso de Ciências Jurídicas. Eu estava precisando formar uma equipe com dez estagiários. Deveriam ser quintanistas e teriam bolsa de meio salário mínimo. (foi só o que consegui com o miserável presidente do tribunal). Inscreveram-se trinta candidatos. A prova que elaborei, eliminou mais da metade. Inaptos. Pensar que no final do ano essas bestas vão entrar no mercado de trabalho. E o pior, serão meus colegas de profissão...
Ainda bem que existe a prova da OAB.
A segunda prova foi a analise de um processo. Dei uma cópia do mesmo processo a todos. Teriam quatro horas para analisar e dar seu voto. Escolhi os dez melhores, dos quais, seis foram brilhantes. Concisos. Incisivos. Irrefutáveis.
Na primeira semana, analisamos em grupo as peças dos processos. Depois isoladamente e hoje tenho uma boa equipe. Nosso recorde foi prolatar a sentença em duzentos processos numa semana.
Os dois que eu trouxe para casa, me foram entregues por uma estagiária que fatalmente chegará à ministra num tribunal superior, tal a retidão e o embasamento jurídico de seus pareceres. Nesses dois casos, faremos uma representação junto à OAB contra os advogados, por ocupar a justiça com causas banais, que qualquer conciliador de quinta categoria daria um bom final e por acumular erros crassos de ortografia e gramática num linguajar chulo e repleto de vícios.
III
Chegado o dia da festa, voltei cedo para casa. Tinha que me preparar como um príncipe. O interfone tocou. Era Anselmo para avisar que o taxi chegara. Eu não poderia dirigir naquela noite. Geralmente volto embriagado desses encontros. Depois da premiação tem o coquetel, o jantar, a boate... o motel. Não. Definitivamente dirigir estava fora de cogitação. Fui recebido pelo mestre de cerimônia que anunciou a todos, pelo microfone de lapela, que o meritíssimo senhor doutor juiz de direito da comarca da capital estava prestigiando o evento. Entrei sob aplausos e apertos de mãos e tapinhas nas costas dos muitos amigos que tenho na mídia.
Ser amigo de jornalista é uma boa estratégia para se viver bem em sociedade. Ai de quem eles não gostam.
Propagandistas e jornalistas que ao longo dos anos, pelo exercício da profissão, haviam se metido em enrascadas e eu, de certa forma, havia ajudado nos confrontos com a lei.
Envelopes abertos e os vencedores de cada modalidade sendo apresentados aos presentes, sob intensa salva de palmas. O destaque da noite foi um jovem rapaz que conseguiu o primeiro lugar com duas reportagens sobre drogas entre adolescentes masculinos e prostituição como meio de vida entre adolescentes femininas. Alto, louro, vestido com o rigor que a ocasião exigia, chorou ao dedicar os prêmios à sua mãe, aquela senhora vestida de negro, cabelo cinza azulado, ostentando um colar de pérolas, sentada numa mesa de pista.
Inicialmente pensei conhecê-la de algum lugar. Talvez numa audiência. Talvez num júri. Não. Devia ser uma dessas mulheres que aparecem, vez em quando, nas colunas sociais desses jornalecos com os comentários imbecis de colunistas, geralmente, pederastas no fim da carreira homossexual.
Mas não. Esse rosto, essa lembrança, é algo mais marcante. Tem sabor de algo duradouro. Cheira à antiguidade. Remete a algum lugar ou momento muito intenso num passado distante.
Aquele rosto tirou minha atenção do resto da cerimônia. O pensamento dando voltas, revirando os arquivos adormecidos por longos anos.
Olavo Brás, decano dos jornalistas e presidente da associação da mídia estadual, estava em minha frente com o rapaz laureado naquela noite.
—Doutor, quero lhe apresentar nosso mais novo sócio. Com pouquíssimo tempo na profissão, revelou enorme talento e preparo para o sucesso.
—É um enorme prazer conhecer o senhor, doutor. O senhor é muito bem quisto em nosso meio. Tem ajudado aos colegas...
—Não se iluda meu jovem, nem leve em conta o que lhe dizem. Eu apenas aplico a lei. A vantagem fica sempre com a razão mais forte, que por pura coincidência, está com quem eu gostaria que ficasse... (risos)
—Se o senhor permitir, eu gostaria de apresenta-lo à minha mãe...
—Com o máximo prazer, vamos até ela.
Chegados à mesa, enquanto o rapaz esperava que uma jornalista acabasse de entrevistar a elegante senhora, pude observa-la melhor. Sim. Agora eu tinha certeza. Conhecia e muito bem aquela mulher. Ninguém no mundo tinha os olhos daquela cor. Num ímpeto, segurei-a pelos ombros colocando-a de frente para mim e chamei-a pelo nome, Helena de Arrabal...
Surpresa com meu gesto, Helena me encarou e eu vi em seu rosto aflorarem todos os momentos maravilhosos que vivemos na infância e adolescência.
O primeiro beijo... Os dois cachinhos de pelos pubianos amarrados com linha vermelha e azul colocados numa caixa de brincos... O primeiro saco de pipoca manchado de manteiga derretida que comemos juntos, e que ficara guardado com o canudo de papel do caldo de cana tomado no mesmo copo... O comprovante da passagem do ônibus elétrico que nos trouxe para o centro da cidade, quando nossos pais nos deixaram vir sós ao cinema para assistirmos ao filme “Suplício de Uma Saudade”, impresso em papel verde, cuja cor esmaeceu com o tempo, mas que não foi jogado fora. O botão de rosa, roubado do jardim do colégio das freiras, no dia dos namorados, seco e sem cor, guardado no missal...
Não sei quanto tempo permanecemos assim, parados, embevecidos na contemplação mútua. O amor nascido na infância compartilhada, despertado quando os hormônios nos levaram à adolescência pontilhada de carícias proibidas e de beijos ardentes, que fora embotado pela separação e pela obediência cega aos cânones sociais de uma época, diametralmente, oposto aos atuais, ressurgiu vigoroso deixando-nos estáticos pela descarga de adrenalina.
Com os corações batendo acelerados, sentamos.
Toquei levemente seu cabelo, sua orelha, seu rosto. Com a mão trêmula, ela ajeitou um cabelo em minha sobrancelha e correu o indicador pelo contorno do meu lábio superior, como sempre fizera. Por um momento, fomos sugados de volta aos anos 50... e quando conseguimos falar, nossas vozes embargadas pela emoção, foi para dizer em uníssono...
—Meu amor, por que nos separamos?

Autor: Alberto Vasconcelos - Santo André/SP

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Carta para Rosinha

Autor: Dermeval Franco Frossard

Rosinha,
Saudades docê!
Estes dias estava vagando sem o que fazê e me ajuntei  com uns parvos aqui, que queriam ir para  Aparecida do Norte, pagar ou fazer promessa, num sei bem o quê,  o cê sabe que nun interesso por estas coisas, num é?
Poisentão, num tinha o que fazê, fiz companhia. Meia caminhada andada quando me deparei cum esta casinha pintada de verde e barrada de azul, já que tava indo pra Parecida, resolvi fazê um pedido pra ela, depois pago a promessa, agora já conheço o caminho, num custa tentá, não é?
 Pedi para Nossa  Senhora, que aprovidencie um modo deu  compra estas terrinhas com esta belezoca em riba. Já vejo ocê lá, cozinhando o feijão e, em riba do fogão peças de porco dependuradas para defumá.
 O dinheiro que tenho da empreita de meeiro não é muito, Rosinha, mas dá pra fazê uma proposta e virar a cara pro outro lado, se de repente sua madrinha (Aparecida) nos ajudá, vai dá.
Eu vi lá, pouca coisa para mexê prá nos acomodá, luz num tem, também não precisa, né? lamparina arresorve! Não!? Tá bem, eu compro um lampião pra cozinha, mas de querosene, o a gás tá mui caro. Geladeira não carece, pois nos fundos da casa desce um ribeirão da serra com as águas geladinhas, onde a gente pode por as garrafas para gelar num instantinho. Vi também que podemos ajeitá nossa cama com as madeiras que a gente tirá lá do matinho e o colchão fazemos de paia de milho desfiada, tirando os umbigo das espigas para não cutuca a genti  de noite. Vamos fazê muito rebuliço lá.
Vou vê se compro as galinhas tamém, a gente põe uma pra chocá todo mês, pra nunca farta o franguinho do fim de semana. Aqui num vai ter televisão e nem computadô, ouviu? O cê pos reparo como as famías diminuíram depois desta tar da televisão? A famia do meu pai era doze irmão e da minha mãe tamém, hoje onde que o cê vê uma famia deste tamanho? Falta tempo pra furunfá? Aqui não! Agora qui tem estas tar de bolsa famia, bolsa escola...vamo pô menino no mundo, so! Outra diversão vai ser pescá lambari, traíra e bagre nos açude dos vizinhos. Vai ser bão, num é?
Rosinha, ocê sempre pede pra fala que ti amo num é? Poisentão, está espaiado por toda esta carta isto aí, é só enxergar de maneira diferente.
Rosinha,
Um beijo debaixo do seu nariz, tá!
Do seu José Raimundo Silva
Eu, mesmo, o Zé Pequeno do Arraiá de Pedra Bela.

Autor: Dermeval Franco Frossard
Bragança Paulista/SP

Amor de Estudantes

 Autor: João Batista Silva                                                                                                
“Voltando o olhar ao passado”, nas proximidades de 1970 a 1980, ocasião em que se deram grandes aventuras nas vidas dos estudantes, “Joasmyro e Jasmyne”; podem-se recordar juntamente com eles muitas passagens, que ficaram e ficarão na memória de tantos amigos.
Jasmyne muito entusiasmada, estudante do Curso Técnico em Contabilidade. Possuidora de um perfil extremamente encantador, dirige-se ao colega e deixa escapar as sinceras e dóceis palavras, que vão caindo uma após a outra, na mente oscilante e envaidecida do pobre moço. Antes porém, Jasmyne retorce os ombros, muda a fisionomia do maravilhoso rostinho de princesa, fixa bem os olhos do amigo, e na mais sutil delicadeza, pergunta:
— Do que falaremos agora?
Joasmyro, um pouco acanhado e surpreso, tenta despistar do susto que levou e ser firme na qualidade de bom cavalheiro que sempre foi e...
— Agora falaremos de tudo um pouco, inclusive...
Jasmyne, sorrateiramente complementa:
— Então falaremos de nós...
As idéias se complementam com otimismo na alma dos jovens, que sentiam a liberdade do amor falar mais alto.
Joasmyro pensa um pouco. Verifica os olhos brilhantes de sua linda, muda o tom de voz ainda mais, e responde:
— Ótimo, falar a só é o que mais quero.
O silêncio cai sobre eles. A proposta de falar emudeceu. Um olhando para o outro, trêmulos, a suspirar de satisfação, ali mesmo defronte ao jardim da residência dos pais de Jasmyne, naquela praça dos inconfidentes.
Um despistou daqui, o outro despistou dali, até que ouviram alguns chamados de sua mãe. Uma senhora que transmitia os mais exemplares comportamentos de uma família preservadora dos princípios e deveres.
Jasmyne volta-se para o apaixonado e interroga:
— Quando nos veremos novamente?
— Amanhã à tarde, disse lhe o afetuoso namorado, suando e vermelho como um atleta em suas funções. Tremia, ali parado, meio pasmado diante da bela adolescente, que lhe causava as melhores sensações de felicidades na vida.
Jasmyne, muito emotiva, apaixonadinha também, sensual e inconformada com a rigidez dos pais para com os sentimentos do amor, e com a falta de criatividade do namorado, decide por si e pronto:
— Veremo-nos hoje à tarde.
As obrigações do colégio serão feitas com rapidez e depois...
À tarde, à noite...
Combinado. Concordam os dois. E assim a convivência dos apaixonados foi se fortalecendo, se comprovando, se alimentando de esperanças.
No cair da tarde, lá se vai... e se prontifica o herói, defensor das causas justas de seus interesses, defronte ao palácio de sua encantada e brilhante Jasmyne.
Em poucos instantes Jasmyne vai à janela que dava frente para o jardim e fita os olhos no amigo Joasmyro, despertando, em seus pais, algo estranho que foram conferir.
— Olá filha, o que está lhe deixando a tremer assim?
— Nada de importante, meu querido pai, é só uma curiosidade de menina, e nada mais!
— É mesmo, filha! Então chame seu amigo para dentro de casa e não precisa ficar preocupada. Eu e sua mãe queremos sua felicidade. Ela é também nossa.
Jasmyne recebe uma dose de estímulo, que contagiou seu maravilhoso corpinho embonecado das mais belas características encantadoras de uma mulher. Vai até o alpendre e através de sinais convida o ousado jovem, para compor a mesa interna, ao lado dos pais.
Joasmyro, mesmo sem entender o que estava acontecendo, não resistiu ao convite e lá se foi!
— Boa tarde a todos!
Uns responderam, outros ficaram despercebidos diante da televisão.
A namoradinha, como sempre, foi a primeira a responder o boa tarde, cheia de emoções. Os sorrisos tomavam conta de sua alma naquele momento.
Inicia-se um longo período emocionante, que encantou por muito tempo um casal de jovens, que não teve a oportunidade de se realizar, ou de se encontrar no paraíso do grande amor que existiu e ainda existe.
Cada um seguiu seu caminho, mas o verdadeiro amor continua mais forte que nunca.
Felicidades aos dois...!
Joasmyro e Jasmyne, vocês se merecem: o que for da vontade de Deus será feito!

Autor: João Batista Silva
Bom Despacho/MG

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A sereia e o navegante

Autora: Rosana de Pádua

Vivia a Sereia na imensidão do mar. Passava seus dias pensando ser feliz, ora em águas calmas, ora em águas turbulentas.  Distraia-se nadando delicadamente, entre o colorido e a beleza dos corais infinitos, que contrastavam com as milhares de espécies ali existentes. 
Um dia, enquanto ela descansava sobre o mar, aproveitando os raios de sol que aqueciam seu corpo metade peixe, metade mulher, deparou-se com um Navegante que por ali passava. Ele acenou para ela, que fugiu assustada num ímpeto, mas, tomada de um sentimento estranho voltou desconfiada, e ficou ao longe tentando decifrar aquele misterioso ser.
Aos poucos foi se aproximando, e quando seus olhares se encontraram a Sereia ficou totalmente encantada, pois, ele tinha os olhos mais azuis que o mar, e seu sorriso brilhava mais que sol, que ela via nascer todas as manhãs.
Nesse instante o Navegante falou com ela, de um jeito hipnotizador, que de tão irresistível a levou a se aproximar ainda mais, correspondendo ao aceno. Houve um longo silêncio entre eles, enquanto deixaram que só os olhos falassem, depois foram surgindo palavras, e na troca de diálogos perceberam que muito tinham em comum. 
Daquele dia em diante, o Navegante voltava sempre para encontrá-la, e a serena Sereia o esperava ansiosa, contando os minutos para de novo vê-lo. Falavam de tudo, de suas vidas, de seus sonhos... Um dia, ele disse olhando dentro de seus olhos, que a amava, e a Sereia de tão feliz pensou que ia explodir, pois, sentia pelo Navegante algo jamais experimentado, que ela ainda não sabia decifrar, mas, a partir daquele momento soube, que era um sentimento nobre e imensurável, chamado Amor.
Passaram então, a estarem sempre juntos, ele fazia planos para o futuro e dizia que ela faria parte deles, trocavam juras, dividiam sonhos, passaram assim, a fazer parte um da vida do outro, inebriados em momentos de amor e caricias. Eram mais que dois, eram apenas um. Quando o Navegante partia, a Sereia quase morria de saudades, quando ele voltava, a saudade ia-se embora, dando lugar para o amor, que era responsável pela felicidade que contagiava a ambos.

Foi num dia nublado, que o Navegante fez a Sereia despertar de tantos sonhos, dizendo que ia partir para nunca mais voltar. Ele falava de uma tal de “segurança” que precisa ter, e que com ela não teria, e que seria impossível compartilharem o mesmo mundo, eram coisas que ela não entendia.  A Sereia ficou apavorada e confusa, tentando entender essa decisão repentina do ser amado. Ela implorou, insistiu e chorou, numa tentativa inútil de convencê-lo a não deixa-la. Mas o insensível Navegante partiu sem maiores explicações.
Durante vários dias a solitária Sereia esperava em vão pelo Navegante, depois daquela despedida, ela começou a achar que o mar era cinza, e que não havia mais belezas para serem admiradas, resultado de algo que ela jamais conseguiria entender: “Porque quem ama, fere?"   
Conta-se, que a partir daquele desencontro, é possível em noites de lua cheia, ouvir ao longe, o triste canto de uma sereia, enquanto nota-se, que as marés se tornaram muito mais intensas, devido às muitas lágrimas que caem dos olhos, da desencantada Sereia.

Autora: Rosana de Pádua

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Ventos de abril

Autora: Marina Alves

Pela janela aberta do quarto do hospital, olho a tarde que cai lentamente. Gosto desta hora crepuscular, quando retalhos de passado desfilam pelo meu pensamento, reavivando coisas já perdidas no cenário de outros tempos. Como num filme em preto e branco vejo-me saindo de casa para estudar na cidade, indo morar em casa de uma tia. Aos dezoito, me formando professora, começando a lecionar numa escolinha de zona rural, da Fazenda Santa Cruz, onde me hospedava durante a semana, só voltando pra casa nos finais de semana.

Aos vinte, conheci Marcelino: tinha ido à fazenda montar um projeto de engenharia de uma usina de produção de energia para Seu Quincas, meu patrão. Éramos jovens, cheios de sonhos e nos apaixonamos. Foi o tempo de nos conhecermos e dentro em pouco estávamos casados. Depois do casamento, nos mudamos para a cidade onde Marcelino residia e mantinha um escritório de engenharia.

Marcelino construiu para nós uma casa ampla e confortável e eu não podia reclamar da vida que levava. Tinha empregados, chofer para me levar às compras, uma boa conta bancária que podia gastar a meu modo. Às vezes, a rotina era tão previsivelmente tranquila, numa ordem tão sistemática, que eu chegava a duvidar de que tudo estivesse realmente bem.

Mas esteve... De certa forma, tudo esteve muito bem em minha vida até o dia em que, me sentido entediada, convenci Marcelino de que eu deveria voltar a trabalhar. Estava empolgada com a ideia: sempre gostei de lecionar, eu queria dar aulas para crianças carentes, me faria bem voltar a ser uma mulher ativa. Meu marido não se opôs, pelo contrário, me motivou de uma forma que me surpreendeu. Procurei um projeto social na periferia e ofereci meus serviços. Logo fui chamada para entrevista, dali já saindo designada para as aulas.

E, creio, nada teria mudado não fossem os dedos maliciosos do destino. Foi numa reunião de pais que conheci Edgar, pai de um dos meus alunos. E aquele homem, estava escrito, viria para mudar toda a minha vida. Edgar era viúvo, e o filho, na impetuosidade de seus sete anos, talvez por sentir a falta da mãe — morta quando ele nasceu —, se mostrava uma criança extremamente rebelde. Frequentemente, Edgar e eu precisávamos conversar sobre o menino, e foi assim que acabei por tornar-me confidente daquele que seria também o grande amor da minha vida. Aos poucos, fomos nos aproximando e nos apaixonando, e quando percebemos já não sabíamos mais viver um sem outro.

Numa tarde de domingo, tomada pela certeza do que eu queria para minha vida, contei tudo a Marcelino. Nesse mesmo dia lhe comuniquei que iria embora. Minha vontade de viver dignamente meu amor com Edgar era algo do qual eu não abriria mão. Na maturidade, eu, afinal, descobria o que era amar alguém de verdade. E para minha surpresa, ouvi o que jamais esperava: Marcelino confessou-me que também já não nutria por mim o amor dos primeiros anos.  Agora eu entendia seu empenho em me ver voltando ao trabalho: meu marido, já me queria mesmo buscando novos horizontes.

A vida com Edgar era muito diferente da que eu vivia com Marcelino. Não contava mais com as costumeiras regalias, pois de meu casamento eu nada quis levar. Tive que procurar trabalho remunerado, assumir responsabilidades de mãe, cuidar do meu novo lar. Mas aceitava tudo de bom grado, pois mais valia ter ao meu lado um homem que me fazia feliz como eu jamais imaginara. Agora, eu podia dizer que vivia realmente uma experiência de verdadeiro amor.

Por quanto tempo fui feliz com Edgar? Não sei dizer... Nos últimos meses, perdi a noção do tempo, e tudo é muito confuso. Já não sei há quanto estou neste quarto. Só sei que o frio que entra pela janela é frio de abril, e eu o diria sem medo de errar, pois sei bem que quando tudo aconteceu, também era abril e fazia um frio como esse... Não me lembro de muita coisa, mas vagamente recordo o acidente: a pista molhada, o carro rodando várias vezes na estrada, o baque... A escuridão. Quando voltei do coma contaram do carro no fundo do abismo, do pai e do menino que não tinham sobrevivido. E era um milagre eu estar ali... Estar aqui nesta cama, onde estou agora...

Lá fora é noite cerrada. O pessoal do plantão se esqueceu de fechar a janela. Está tudo escuro, e apesar do remédio que me deram para dormir, mantenho meus olhos bem abertos. Estou à espera de Edgar. Sei que ele virá, trazido nesses ventos de abril... Eu já estou bem. Os médicos pensam que vão me dar alta em breve... Mas, estão enganados. Ontem à noite, recebi mais uma visita do meu amor, do meu grande amor, e ele me contou como devo fazer para encontrá-lo. Guardei atentamente tudo o que me disse. Mas isso é segredo, prometi a ele não contar nada a ninguém...


Autora: Marina Alves - Lagoa da Prata/MG

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O Encontro surpreendente

Autor: João Batista Silva

Uma competente secretária estava a trabalhar na praça central de sua cidade, quando ouviu o nome de seu ex-namorado ser pronunciado por outras colegas de serviço, que trabalhavam na parte externa da firma, uma agência de venda de veículos novos e usados.
A secretária, senhorita Nathalia, uma personagem especial, aparência apaixonante, o corpinho de uma delicadeza incomum, dirige-se até a porta principal, que dá acesso ao salão nobre do prédio, e chama pelo moço que passava:
— Olá! Néviton, como tem passado?
Néviton interrompe os passos rápidos que dava, volta-se para o lado da mais encantada senhorita e tenta entender o que acontecia.
Ela complementa de modo mais delicado ainda:
— Olá! Como passa tão rápido! Até parece que está evitando encontrar alguém, ou não está querendo nos ver? Venha até aqui! Preciso falar com você, meu inesquecível amor.
Néviton, muito sorridente, demonstrava personalidade pressuposta de muita felicidade e que, às vezes, era irreal naquele momento. Tenta justificar, mas não consegue...
— Não, minha grande amiga, não tenho nada a esconder, pelo contrário, eu já estava me dirigindo até aí, para cumprimentá-la.
Direcionou-lhe a mão. Foi apertando lentamente a mão de Nathalia sobre o peito, e olhares apaixonados acompanhavam súbitos beijos e abraços. Foram rápidos, mas envolventes.
A saudade, as emoções, as palavras de um e do outro, os delírios satisfatórios do prazer de reverem-se, foram mais fortes e os retiveram por algumas horas ali na praça a conversar. Os dois se esqueceram de outros compromissos, que haviam assumido com outras criaturas, que se iniciavam fracos, desgastados sem perspectivas futuras.
Quando Néviton e Nathalia olham em direção ao pôr do sol, felizes e apaixonados, quase dezenove horas!... E a nobre funcionária, que deixara a sala onde trabalhava as dezesseis, ainda se encontrava no diálogo, onde o assunto não terminava. Foram surpreendidos e nem tiveram o direito de se defenderem do amigo, às vezes, natural da Região Norte do Continente Africano, de uma cidade paulista, de França, ou...
Néviton não era de grandes experiências, mas não deixou se levar pelas intenções improcedentes e o convidou a desfazer do absurdo propósito. E então lá se foram cada um para seu destino e Néviton ao encontro da mais dócil e linda menina, que conhecera na cidade e que assustada havia se retirado, em busca do seu destino.
Muito inquieta, tenta descobrir posteriormente o que havia acontecido, mas não obteve as informações desejadas do amigo sobre o desfecho e toma a liberdade de telefonar para Néviton, que também omitiu-se, para evitar outros aborrecimentos.
A separação do casal apaixonado, Néviton e Nathalia, não conseguiu apagar o amor que ardia em chamas naquele dia à tarde.
Muitas decisões que se tomam, se tornam erradas, às vezes de irreversíveis erros; muitos levam dez, vinte, trinta anos ou mais tentando explicar e não conseguem.
Hoje, de um segredo se pode ter certeza, Nathalia e Néviton são mortalmente apaixonados. Os compromissos de uma e do outro são exemplos de uma vida, onde o amor é permanente, enquanto a vida durar. Nem mesmo a separação física consegue apagar um amor verdadeiro, mesmo à distância. Ainda que o espaço maior do amor está para Deus e aos filhos que têm.

Autor: João Batista Silva - Bom Despacho/MG

domingo, 7 de agosto de 2016

Entrevista: Maria Mineira

¨Escrever talvez seja tornar tangíveis os entrelaçados fios do pensamento. Daí, surge a necessidade de criar histórias e sentimentos em forma de letras. Contá-las é um modo de entreter e viver outras vidas, por meio de cada personagem. Há semelhanças em se tratando de escrita, mas a maneira de apresentar cada fato, muda de uma narrativa para outra, fazendo a diferença entre ser ou não ser lido. Com certeza, a literatura ainda é essencial para muitos, ou seja, um prazer sem explicações. É um universo onde se pode colocar vida e expressar opiniões¨.

Recebi o livro Ao Pé da Serra – Contos e Causos da Canastra, da escritora e amiga Maria Mineira. O lançamento do livro aconteceu no dia 16 de julho, na sua cidade natal São Roque de Minas/MG. Trata-se de um livro bem elaborado e bastante pensado, um livro maravilhoso. O que mais dizer sobre os seus 52 textos, divididos entre contos e causos? Trata-se de sementes que germinaram do próprio solo e da população da Serra da Canastra. Feliz daquele que consegue com o seu dom natural registrar a história da sua gente... e isso Maria Mineira conseguiu da melhor maneira, através da literatura. São histórias que guardam sempre uma reviravolta a cada final. Muitas delas cobertas de afeto e mistérios, com o tempero que remete a uma criança familiar a cada um de nós. Por conhecer o trabalho de Maria Mineira, posso afiançar que a autora está destinada a ser uma das melhores escritoras de uma nova safra, num espaço de tempo relativamente curto, pois consegue captar aquilo que há de mais interessante nos fatos cotidianos da vida das pessoas, sobretudo, da sua gente.

É uma honra publicar no Blog Gandavos, algumas fotos do lançamento do livro de Maria Mineira: ¨Ao Pé da Serra – Contos e Causos da Canastra.¨ A seguir, uma brilhante entrevista com a escritora.

Escritora Maria Mineira
São Roque de Minas/MG




Autografando no lançamento do livro

Marina Alves na cerimônia do lançamento do livro

Autora com as amigas Dona Naíme e Chiquita



Amigos e populares 







Sucinto perfil da autora:





Entrevista com Maria Mineira: Autora do livro: Ao Pé da Serra - contos e Causos da Canastra.

Pergunta 1- Quando e como surgiu seu interesse pela leitura e escrita?

Maria Mineira: Desde menina eu amava ouvir histórias, lidar com livros, mesmo antes de ser alfabetizada. Primeiro, tive contato com a coleção: "As mais Belas Histórias" de Lúcia Casasanta. Em cada página imaginava tudo, criava um mundo diante das ilustrações. Folheava revistas de fotonovelas da minha tia. Adorava a coleção do "Almanaque Fontoura" do meu avô. Quando entrei na escola, descobri Monteiro Lobato. Fui uma criança tímida e os livros sempre foram uma espécie de refúgio na minha vida. Apesar de ter tido notas boas nas redações que escrevia na escola, o interesse pela escrita surgiu muito tempo depois, como uma consequência do gosto pela leitura.

Pergunta 2 - Quais foram seus livros preferidos quando era criança e os livros favoritos atualmente?

Maria Mineira: Os livros de Monteiro Lobato, na infância. Na adolescência, Machado de Assis, Jorge Amado, Raquel de Queiroz, Érico Veríssimo, José Lins do Rego, Sidney Sheldon, José de Alencar. Na fase adulta eu gosto de Gabriel Garcia Marquez, Dostoievski, Rubem Alves, Eça de Queirós, Florbela Espanca, José Saramago, Clarice Lispector, Adélia Prado. Dedes sempre, em todas as fases: Guimarães Rosa.

Pergunta 3 - Quais escritores são suas fontes de inspiração?

Maria Mineira: Apesar de ter escritores que adoro, a minha maior influência foi o meio em que cresci, as histórias que ouvi dos avós quando criança.  Talvez um conjunto de tudo que vivi, ouvi e li. A minha maior influência é a vida. Estou sempre alerta e atenta a uma boa história.

Pergunta 4 - Segundo o escritor Rubem Fonseca, “a leitura, a palavra oral é extremamente polissêmica. Cada leitor lê de uma maneira diferente. Então cada um de nós recria o que está lendo, esta é a vantagem da leitura". É isso mesmo? Concorda com essa proposição?

Maria Mineira: O ato de ler alcança múltiplas dimensões e significados. Toda leitura apresenta-se como uma estrutura possível, aberta às inúmeras possibilidades de atribuição de sentidos.

Pergunta 5- Ainda segundo o Escritor Rubem Fonseca: “um escritor tem de ser louco, alfabetizado, imaginativo, motivado e paciente.” É o suficiente para ser um bom escritor?

Maria Mineira: Responderei estas com uma frase de Pablo Neruda: Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias. Para mim é assim e desse modo incentivo meus alunos a se embrenharem nos caminhos da escrita.

Pergunta 6 - Para qual público se destina sua criação?

Maria Mineira: Escrevo para adultos e crianças. Não acredito na fala de quem diz: Escrevo só para mim! Quem escreve gosta de ser lido. Penso que escrever é desnudar a sua alma para que todos possam julgar e afirmo que isso assusta um pouco. Eu escrevo porque muitas pessoas me afirmaram que gostam de ler os minhas histórias. Leio isso nos comentários e quando os leitores me dão esse tipo de feedback, eu me sinto feliz e aprendo com eles e me animo a continuar, pois escrever é transformador.

Pergunta 7- Como funciona o seu processo de criação? Quais sãos suas manias (ritual da escrita)?


Maria Mineira: Creio que não tenho nenhum. Às vezes, começo pelo final, outras vezes alguém me conta um fato que enche apenas algumas linhas e inventar um meio ou um final para isso me diverte muito.

Pergunta 8 - Em geral, os seus personagens são baseados em pessoas que você conhece, ou são ficcionais?

Maria Mineira: A maioria dos causos que escrevi são de personagens reais. Mudei apenas os nomes, mas tenho boa parcela de ficção também.

Pergunta 9- Você tem outra atividade, além de escrever?

Maria Mineira: Eu fui dona de casa a maior parte de minha vida. Faz apenas cinco anos que concluí a faculdade de Letras/ Literatura. Hoje em dia, sou professora de Redação do Sexto Ano ao Ensino Médio, de Artes e Literatura Brasileira no Ensino Médio. Em outro período sou bibliotecária e dou aulas de Contos para Ensino Fundamental 1.  Escrever ficou para as "horinhas de descuido".

Pergunta 10- Você faz parte das Coletâneas Gandavos. Qual a sensação de participar ao lado de escritores de várias regiões do país?

Maria Mineira: Uma grande honra estar ao lado de gente que sabe escrever bonito. Sem dúvida nenhuma, participar das Coletâneas Gandavos foi um divisor de águas na minha vida. Eu escrevia no Recanto das Letras, mas o que me fez realmente acreditar que eu podia publicar um livro em papel foi ver meu trabalho em uma coletânea Gandavos.

Pergunta 11 - O financiamento coletivo e a publicação independente têm se mostrado a opção das publicações Gandavos.  Quais são os pontos positivos e negativos desse tipo de publicação?

Maria Mineira: Não vejo pontos negativos, pois dividindo as despesas fica bom para todos e além disso,  um autor desconhecido tem oportunidade de apresentar seu trabalho a leitores de todo o país.

Pergunta 12 - Você acabou de publicar seu primeiro livro, qual a sensação de ver o seu primeiro livro publicado?

Maria Mineira: Foi  uma sensação  imensa de felicidade que  pude sentir na noite do lançamento, quando  mostrei  o livro a família e aos amigos. Eu vi no olhar de cada pessoa presente um grande apoio. Foi uma noite inesquecível!  É uma grande  emoção  ver seu sobrenome estampado na capa. Foi uma chuva de  lágrimas felizes,  então  compreendi que uma nova estrada  surgia  em minha vida.

Pergunta 13 - Como foi a receptividade do seu livro pelo público nesses primeiros dias?

Maria Mineira: Foi excelente! É uma alegria conversar com as pessoas, tanto crianças quanto adultos  e vê-las comentando sobre as histórias. Perguntando sobre os personagens, reconhecendo parentes nos causos.  Todo dia vendo livros, pela internet, em casa e alguns lugares que coloquei a venda aqui na minha cidade. É tudo muito gratificante!

Pergunta 14 - De que fala seu livro?

Maria Mineira: O livro fala essencialmente da vida, dos costumes e tradições do povo que viveu e ainda vive  na região da  Serra da Canastra. São 52 histórias,  entre contos e causos. Alguns escritos em linguagem formal, mas grande parte  deles  em linguagem coloquial, ou seja, o "Mineirês", a fala caipira, pois era assim que falavam meus antepassados. Desta maneira  fiz uma homenagem a eles.

Pergunta 15 - Qual mensagem você deixaria para autores iniciantes, com base em suas próprias experiências?

Maria Mineira: Gosto da resposta de Rubem Fonseca a esta pergunta:  “Gostar de ler e digitar palavras, seria suficiente para a pessoa se tornar um escritor"? Creio que o mais importante requisito e a motivação, pois se não tiver uma motivação forte, fará algumas tentativas  e logo desistirá. A escrita  está essencialmente ligada à  experiência de cada pessoa, à sua vida, desejos e seus sonhos. A escrita é uma grande aliada, pois através dos textos  compartilhados podemos levar alegria, esperança e tentar  tocar a alma do leitor.

Pergunta 16 - Com até 08 (oito) linhas digite o seu perfil?

Maria Mineira: Uma Maria, uma  mulher mineira, amante da vida, da Serra da Canastra, das cachoeiras, do canto dos pássaros, do cheiro do mato, do caminhar na chuva, da prosa-poesia de Guimarães Rosa.
Alguém que Acredita na  esperança, pois  tudo é possível quando vamos em busca dos sonhos. Acredito na leitura  como algo  libertador. Creio  na importância   da solidariedade, da família, do amor ao próximo.

Pergunta 17 - Como o leitor pode adquirir seu livro?
Maria Mineira: "Em julho de 2016 realizei um sonho ao lançar meu primeiro livro impresso: AO PÉ DA SERRA - CONTOS E CAUSOS DA CANASTRA".

Para adquirir um exemplar, entre em contato no e-mail: mariamineiracontato@gmail.com ou via mensagem in box em meu perfil no Facebook “ Maria Mineira”. O pagamento pode ser realizado por depósito bancário ou por cartão de crédito/boleto.