Mostrando postagens com marcador Dilemar Costa Santos - Ipirá/BA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dilemar Costa Santos - Ipirá/BA. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Onde fica Brejo Santo?

Autor: Dilemar Costa Santos

Você sabe, por acaso, onde fica Brejo Santo?  Alarico perguntou a um homem, ao chegar em Altamira - Cidade muito bem falada -, que se situa no interior de Pernambuco. Ele disse:
Sei não, mas já vi falar. Dizem que era no agreste, e que acabou-se por causa da ganância de uma famíla de “graúdos”, que era dona de quase tudo, e queria mais. O sinhô percure na Bomba de Gasolina, que eles lhe informa.
Alarico foi até o Posto. Um caboclo, que estava de cócoras, na sombra de uma gameleira, pitando um cigarro de fumo de rolo, puxou uma baforada e falou:
Vá dizendo moço.
Alarico fez a mesma pergunta. O Caboclo, respondeu:
Já passei por lá, mas hoje em dia é uma tapera. O sinhô queria o que por essas bandas?
Alarico respondeu:
Quero conhecer o Lugar, para poder contar.
Então o Caboclo se levantou, deu uma espriguiçadela, botou o chapéu de couro de bode na cabeça, e disse:
Eu lhe levo lá por cinqüenta conto (cinqüenta reais). O sinhô aluga a caminhonete do Vadim, e nóis vamo. Eu conheço um véio de nome Severino que ainda mora lá, e sabe lhe contar tudo. Tim, tim, por tim, tim.
O Alarico disse:
Eu topo. Vá chamar oVadim.
Em pouco tempo Vadim chegou. Ouviu a proposta, disse que era longe. Mas acertaram o frete, e partiram.
Ao final da tarde, após percorrer uma estrada poeirenta, Vadim apontou um pé de serra, e disse: estamos chegando. Olha lá!
Então chegaram e entraram na Cidade Fantasma!
Umas crianças barrigudinhas, com os narizes correndo, se achegaram, estenderam as mãos, e pediram:
A bença, seu home...
Deus lhes abençoe, respondeu Alarico. Levou a mão ao bolso, pegou algumas moedas, molhou as mãos estendidas.
Deu uma olhada para o desbotamento e abandono da Cidade, ficou impressionado. Era mesmo uma tapera!
Vamos, vamos logo pessoal; vamos falar com  seu Severino.
Seu Severino encontrava-se sentado num banco de madeira, frente á casa modesta onde morava.
Alarico, mais o Caboclo e Vadim, se dirigiram ao velho, o saudaram:
Tarde, seu Severino. Este respondeu, acrescentando:
Cheguem prá adiante. Se assentem. O que desejam de mim?
Dizem que o senhor sabe de tudo o que se passou aqui em Brejo Santo. Eu venho de longe para conhecer a história desta Cidade. O senhor pode nos contar, indagou o Visitante.
Prá que? Em todo o caso entrem, foi a resposta.
Adentraram no casebre, tomaram assento e aguardaram.
O velho Severino se sentou num pranchão próximo da janela, coçou a barba, começou a contar, que fora o Juiz de Paz do Lugar, por muito tempo. Que conheceu muito a família dos Gregorios, os que deram causa para a derrocada da Cidade. Eles eram muito ambiciosos, donos de quase tudo. Os mais velhos sempre diziam que eles parassem de querer mexer com a nascente do Brejo, porque nela morava uma Jia, que era filha da Mãe D´água. Mas o Coronel Gregório Brauna, não deu ouvido a ninguém. Mandou vir umas máquinas, e meteram no brejo, procurando petróleo. Foi aí que estorou um jato d´água nunca visto.
Pois bem, desse tempo em diante, começou a morrer gente, dos mais velhos às crianças, e nunca parou.
O Governo mandou investigar.
Os técnicos e médicos, depois de examinar uns que morreram naqueles dias, fizeram um laudo assegurando que todos morreram envenenados por ARSÊNICO, um veneno fatal, e que vinha da água.
Era a única água que servia a Brejo Santo.
O Governo mandou que imediatamente as máquinas aterrassem o brejo, e ficou tudo seco.
Presentemente, os poucos que ficaram só bebem água da chuva, vivem de aposentadoria, criam umas besteiras de bichinhos, e o medo não deixa chegar mais ninguém.
Os poucos que moram aqui, tão cansados de ver o povo que morreu, andando em procissão, á noite, rezando pela Jia. Eu mesmo já vi muita coisa, mas me apego com São José, sou de Jesus, sei que vou ir mais cedo ou mais tarde. Por isso, não tenho medo. E agora os senhores me dêem licença que quero ir dormir.
Muito obrigado, seu Severino. Fique com Deus, boa-noite.

Autor: Dilemar Costa Santos - Ipirá/BA

terça-feira, 9 de julho de 2013

Meu boi da cara preta

Autor: Dilemar Costa Santos (Vô Dila)

Morávamos num sítio, chamado “sossego’”.
Sendo o mais velho dentre os filhos homens, cabiam-me as tarefas mais puxadas.
Eu não reclamava, quando eram para ser desempenhadas no campo. Sentia-me bem, em contato com a natureza.
Aprendi a me alimentar com frutos silvestres, que permitiam eu percorrer longas distâncias;  bebia água de gravatá, e outras coisas que a cerrada caatinga oferece.
Sentia-me bem! Conhecia todos os animais que habitavam a região.
Olhávamos-nos com desconfiança, e quando nos víamos muitas vezes, até despontava certa intimidade.
Nosso sítio era pequeno. Por isso, só três vaquinhas povoavam a propriedade. Não podia ser mais porque nosso campo não oferecia alimentação bastante.
Nossa família era pródiga: Doze filhos, Pai, Mãe, Avó, duas Irmãs de criação, e uma Empregada doméstica, que também era nossa família, sem nenhum preconceito.
As vaquinhas eram conduzidas por nós, crianças, até o curral, para tirar o leite, apartar os bezerros. Eram muito mansas.
Os bezerros atendiam ao chamado, pelo nome que nós colocávamos, desde quando nasciam.
Assim, havia uma estima enorme pelos animais.
Ora, o bezerro crescia, e a vaca ficava velha. Assim, nem um, nem a outra, podiam permanecer no nosso sítio, porque significava excesso de ocupação.
Nós crianças, não entendíamos dessas razões, e quando ia ocorrer o desbastamento do rebanho, ocorria também uma torrencial chuva de lágrimas, com lamentos que se podia ouvir de longe.
Por outro lado, tão humanizados ficavam esses animais, que nenhum vaqueiro, montando cavalo, se atrevia a chegar perto deles.
Tornavam-se umas feras, e chifravam os que se atrevessem a insistir chegar perto.
No momento dessas fúrias, eu era o infeliz remédio. Digo infeliz, porque ia conduzi-los, aos prantos, sabendo que muitas vezes marchavam para o abate.
Meu touro Cara-preta, chegou ao ponto de ser vendido, e não havia alternativa; nem Papai admitia ser contestado.
Numa tarde, chegou um açougueiro montado a cavalo. Papai o recebeu, e indicou onde estava o touro Cara-preta. Isso significava que ele fora vendido.
O Cara-preta estava calmamente pastando. Ao pressentir a presença do estranho, levantou a cabeça, juntamente com os outros do rebanho, entortou-se todo, começou a fungar, e cavar com as patas dianteiras. Baixou o cangote, e partiu que nem um raio pra cima. Ireno desistiu de levá-lo naquele momento.
Mais tarde voltou com outro companheiro.  Então os dois, em grande vantagem para com meu valente bichinho, jogaram laços, dominaram-no e amarraram uma corda prendendo os chifres a uma das mãos; colocaram uma careta – um artifício que deixa o animal sem enxergar para frente -. Quando terminaram a empreitada já era noite, e não seria possível levar Cara-preta. Então o deixaram junto aos demais do rebanho, para que ele se acalmasse, e no dia seguinte virem buscá-lo.
Eu trazia os olhos inchados de chorar, e fiquei grande parte da noite escondido nas proximidades da casa, acariciando meu bichinho, que também parecia chorar comigo, porque seus olhos gotejavam e escorria pela cara, enquanto das ventas, saia uma espessa baba.
Mais Tarde, entrei pela porta da cozinha, e fechei-a com a tramela, indo direto para o quarto. Depois, ouviu-se um grande ruído vindo da cozinha. Acenderam os lampiões e fomos cautelosos verificar o que estava acontecendo. Chegando, com toda a cautela, vimos que lá estava o Cara-preta deitado em meio do cômodo.
Foi um verdadeiro alvoroço, e ninguém mais dormiu.  Nós crianças, desatamos na choradeira. Eram cinco horas da manhã, do dia seguinte,quando Papai me acordou, e disse:
– Filho, compreenda, eu também sinto pelo seu Touro; mas não podemos ficar com ele, nem com as outras crias que já estão grandes, porque os pastos não comportam.
Pegue uma faca, corte essa corda que o imobiliza parcialmente, e conduza-o para fora da casa.
Assim fiz, e não tomei meu desjejum. Embrenhei-me na caatinga, fui me acalentar com meus amigos bichinhos, meus pássaros, companheiros diários, dos quais tanto gostava.
À tardinha, acabrunhado, fiquei sentado em baixo da pinheira.
Um pássaro, nunca visto por mim, movimentou-se calmamente de um galho para o outro.
Como posso descrevê-lo? Creio não saber dizer, tanto quanto vi.
Eu conhecia todas as espécies de pássaros que povoavam nossa região. Pássaros, e aves! Imitava quase todos eles, com perfeição; a tal ponto que os trazia para perto de mim, quase podendo tocá-los. Mas, aquela coisa divina, que estava à minha frente, manso, induzindo a que eu o tocasse, eu nunca tinha visto. Não havia nada semelhante!
Da cauda, pendiam penas longas, que se assemelhavam a um ramo, coberto com arminho, cor azul-profundo; no corpo, a plumagem era matizada, de extremo fulgor.
Fiquei embevecido! Imaginei que era encantado, mandingueiro, como aqueles que povoavam as estórias contadas por minha Avó.
Pensei que ele estava ali para me libertar de todos os males, e que então eu deveria segui-lo, por onde quer que fosse.
Naquele momento me senti o Rei dos meninos. O Poderoso!  Tornaria-me invisível no momento que quisesse. Poderia voar como ele. Mas, para tanto – pensava eu-, era preciso tocá-lo. Ele Parecia me convidar a que fizesse isso. Continuava, saltando, de um galho para o outro, no mesmo arbusto.
Concentrei o pensamento, chamei as forças invisíveis, e levei a mão. Ele, como que sorrindo para mim, iniciou uma brincadeira, que durou todo o restante do dia:
- Deixava quase tocá-lo, e pulava para o próximo galho. Foi assim por toda à tarde.
Os tempos se passaram, e ainda me recordo com tanta clareza esse episódio da minha infância.
Com a vivência, faço um pouco de associação, entre o Pássaro, e meu boi Cara-preta:
- É que, naquele único dia, única vez, que eu vi aquele Pássaro e amei tanto, naquele mesmo dia, uma terça-feira, meu Cara-preta foi abatido e nunca mais haveria de vê-lo, e com ele brincar de amizade.

Autor: Dilemar Costa Santos (Vô Dila) - Ipirá/BA

http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=126482

Publicação autorizada pelo autor

sábado, 11 de maio de 2013

A raposa do rabo de pom-pom

Autora: Vô Dila


Era uma vez uma raposa, muito bonita muito garbosa. Aparecia sempre no campo, bem arrumada, com o pelo lustroso, os dentes muito brancos, bem afiados, as orelhas em pé, uma gracinha.

Muito paquerada pelos raposos, vivia uma vida folgada na floresta, com a família Raposina. Todas as raposas têm na floresta os alimentos que necessitam para viver.  Por isso, é difícil vê-las perambulando.  Porém, nem tudo o que parece, é como parece.  E a raposa Rabo de Pompom, apesar de tão bonita, tinha um grande defeito, que ela escondia das outras raposas: é que ela fugia à noite, para furtar galinhas!  Furtava em todos os galinheiros que havia nos sítios perto da floresta.  Estava tão gordinha e lustrosa, mas era de tanto furtar e comer galinhas gordas.

Numa noite, como de costume, ela saiu para furtar, mais uma vez.  Havia dado uma vontade muito grande de comer galinha gorda. Andou, andou, foi no primeiro galinheiro, porém o galo estava acordado tomando conta das suas fêmeas, e deu o alarme:

- Cocorocó, có co, co cooó.

Os donos da casa acenderam as luzes do quintal.  Com essa reação inesperada, não havendo como praticar o furto, a Rabo de Pompom desistiu desse galinheiro e foi em procura de outro.

Entrou por uma estradinha, andou, andou, até que encontrou outro galinheiro, que também ela estava habituada a furtar. Nesse galinheiro nada encontrou, pois o dono, cansado de tanto ser furtado, vendeu as galinhas que restaram, e desistiu de criar as aves.

A Rabo de Pompom não desanimou.  Agora nem só estava com vontade de comer galinha gorda, como também estava com muita fome, porque havia caminhado bastante.

Lembrou-se de outro galinheiro que ficava num sítio, não muito longe dali, e para lá seguiu.  Chegando ao local, nada!

Os donos haviam fechado o galinheiro com um grande cadeado, e ela não sabia como abrir.  Já estava quase desistindo, quando se lembrou de que a velha, dona Tutonha, criava duas galinhas e um galo.  Sabia também que uma das galinhas, a carijó das pernas curtas havia chocado e estava criando os pintinhos.

A outra não!  Essa - a vermelhona das pernas calçudas, estava bem gorda e botando ovos todos os dias.

Então Rabo de Pompom disse, na linguagem dos bichos:

- É ela, é ela, a vermelhona calçuda, que vou furtar e comer todinha.

O que a Pompom não sabia, nem desconfiava é que a velha Tutonha havia montado uma armadilha na entrada do galinheiro, para pegar ladrões.

A Velha Tutonha gosta muito das suas galinhas e de todos os animais domésticos que vivem em seu sítio da casa de palha pobrezinha. Pois bem, Rabo de Pompom levou adiante o plano de furtar a vermelhona, e foi: - Pé, ante-pé, na maior treita ela foi indo; quando passou na entrada do galinheiro, a armadilha.

Funcionou, e zaapt!  Cortou o rabo da Pompom. Ela recuou e voltou correndo aos gritos, desesperada, dizendo na linguagem dos bichos:

- Ai, ai, ai, me acudam, tá doendo. Uai, ui, ui, perdi meu rabo, agora estou cotó! ...  Nenhum raposo vai me querer assim... Qual apelido vão me botar? ...  Uai, ui...

Nesse desespero correu de volta, mas não queria se apresentar na matilha sem seu famoso rabo; ainda por cima - como dizem -, uma cotó! E, pensando alto, dizia na linguagem dos bichos:

- Oh!...  Que humilhação, que humilhação, grande humilhação.

Desse modo, se lamentando seguiu estrada afora, sem destino certo, em total desespero. Aí, lembrou-se de uma amiguinha muito esperta, uma baixinha que tem o nome de Fuinha.

Foi procurá-la na toca. Chegando ao local, bateu palmas; Fuinha veio 
atender e convidou-a para que entrasse na toca. Após - muito 
admirada perguntou na linguagem dos bichos:

- O que é que foi isso, amiga Raposa?  Cadê seu bonito rabo de Pompom?

A Raposa, muito triste, contou tudo o que havia acontecido e pediu ajuda. Fuinha ouviu com atenção; após, pensou, pensou, e disse na linguagem dos bichos:

- Tá bem, eu vou te ajudar; sou esperta, entro em qualquer buraco, conheço a velha Tutonha, sei onde é o sítio dela. E te prometo ir até lá procurar. Vou encontrar e trazer teu rabo. Com cuidado vou costurá-lo no lugar. Porém, não tenho linha nem agulha.  Terás que ir à casa do Bicho-da-seda pedir a ele um fio do seu novelo. Depois irá procurar o Porco-barrão, e pedir a ele uma cerda do seu lombo, para eu fazer uma agulha.  Feito isso, e aqui chegando com esses apetrechos, pegarei a cerda do Porco-barrão, e com ela farei uma agulha; na agulha enfiarei o fio do Bicho-da-seda, e remendarei teu rabo.  Agora vai logo, procures chegar antes do sol se por, porque senão o rabo apodrece, e aí não tem mais jeito.

A Raposa sabia onde encontrar o Bicho-da-seda, e foi à sua casa. Lá chegando contou tudo o que aconteceu e fez o pedido.  Bicho-da-seda disse:

- Só dou um fio do meu novelo se você trouxer folhas de amora para eu comer.

A raposa concordou e saiu correndo em busca da iguaria.  Entrou na mata e quando voltou trouxe um galho bem folhudo de amora, entregando-o ao Bicho-da-seda.  Bicho-da-seda puxou das costas um fio bem grande do seu novelo, enrolou e deu para a Raposa.

Rabo-de-pompom guardou o fio, agradeceu e partiu à procura do Porco-barrão.  Nisso, o sol já havia declinado muito; passavam das quinze horas; era grande o perigo de não poder cumprir a tarefa a tempo. O rabo, se apodrecido, não mais poderia ser implantado. Saiu em disparada.  Depois de muito percorrer, perto de um alagadiço, encontrou Porco-barrão fuçando o chão à procura de alimento. Ela chegou até ele, contou tudo e pediu uma cerda do seu lombo.

Porco-barrão parou de fuçar e disse, na linguagem dos bichos:

- Só dou minha cerda se você me trouxer uma jaca bem grande para eu comer.  Há horas que futuco todo esse chão e ainda não encontrei nada para comer.

A Raposa disse:

- Está bem, e partiu à procura de uma jaca. Entrou na floresta, andou, andou bastante, e tendo encontrado um vale muito fértil, nele avistou uma jaqueira. Correu para ela.  Felizmente a fruteira estava bastante carregada. Então ela colheu um jaca, bem grande e madura, colocou sobre o lombo e voltou a toda carreira, para satisfazer a exigência do Porco-barrão. Ele ainda estava a fuçar a terra à procura de alimento quando a Rabo-de-pompom chegou, ofegante, e lhe entregou a jaca.

Pouco faltava para o final da tarde.

O Barrão recebeu o fruto pedido, comeu, comeu até fartar-se. Após deitou, arrepiou-se todo e disse:

- Vamos agora você pode colher tantas das minhas cerdas quantas necessitar!.

A raposa colheu só uma que precisava; agradeceu na linguagem dos bichos, e partiu de volta a toda pressa, pois o dia estava se acabando, e o rabo poderia apodrecer.

Depois de ter corrido muito, enfim alcançou o buraco da casa da Fuinha, que já estava esperando, muito nervosa - soprava o rabo da amiga para esfriar e assim conservá-lo, foi logo perguntando:

 - Trouxe tudo que encomendei?  A resposta foi sim.  Então, disse:

- Deite-se aí no chão, tome estas folhas, vá esfregando no traseiro para desinfetar; olhe para o lado e nada de dar chilique.

A Raposa obedeceu, e a amiga começou o trabalho enfiando o fio do novelo do Bicho-da-seda na cerda do Porco-barrão; depois pegou o rabo da Pompom enfiou no lugar, enquanto ela gemia de dor.

- Cale essa boca - disse a Fuinha. Termino com isso num minuto! 

 Continuou o trabalho, costurando, costurando, com muito cuidado até que terminou a operação.

- Vai agora balança aí esse teu rabo-de-pompom para eu ver se ficou firme.

A paciente sacudiu o rabo, abanou para um lado abanou para o outro, para cima, para baixo e concluiu:

- Meu rabo está novinho em folha; está ótimo!  Deu um beijo de agradecimento na amiga Fuinha, despediu-se e voltou para o raposal. Nunca mais furtou galinha.  Já se casou, tem muitos filhotes raposinhos.

  
Autora: Vô Dila - Ipirá/BA


Publicação autorizada

Nota:
Eu fico criança nos dias de Lua-cheia.
Porém,  não encontrando parceiros para.
Brincar ofereço meus folguedos aos adultos.
A “massa” não se importa se a mula manca!