quarta-feira, 18 de abril de 2012

Mineira em terras nordestinas: Mingau de cachorro? - Autora: Celêdian Assis

Um dos grandes prazeres em minhas viagens é a descoberta de curiosidades regionais, dos hábitos e costumes, enfim, da cultura local. O Brasil, nesse aspecto, é riquíssimo, pois cada região, cada Estado e até mesmo cada cidade dentro dele, tem tantas peculiaridades que o transforma em vários “Brasis”.
Numa de minhas viagens no início de 2012 ao Nordeste, mais precisamente em Recife, fui conhecer o Mercado São José. Mercados, feiras, são similares em qualquer região do país, a surpresa fica mesmo por conta dos produtos que são diferenciados. Percorrendo as bancas, ouvindo conversas, propagandas dos feirantes (adoro também ouvir as falas regionais), passou por mim um vendedor ambulante e ele berrava: “Olha o mingau de cachorro...mingau de cachorro...mingau de cachorro quentinho...”
Segui em frente mas descontente, pois aquilo ficou martelando em minha cabeça. Voltei e quase que hilariamente corri atrás do vendedor, gritando: “Moço...moço...”  Muita gente passando por ali e alguns me olharam com aquela expressão de indagação: quem, eu? Até que o próprio percebeu que era por ele quem eu chamava. “Vai querer o mingau, dona?”. Minha filha que me acompanhava, ficou lá atrás, sem entender nada e certamente pensando: minha mãe enlouqueceu.
Confesso que não tive nenhuma vontade de experimentar o tal mingau. Afinal, o que seria aquilo? Um mingau com carne de cachorro? Não poderia ser, mas mesmo assim, senti repugnância. “Não quero não moço, apenas queria saber o que é isto e para que serve.”  Claro que senti certo desapontamento nos olhos dele, ele queria vender, mas assim meio desconfiado, como quem pensava: como pode alguém aqui no Nordeste não saber o que é mingau de cachorro? Santa ignorância! Sei lá se ele pensou isto mesmo, acho que foi a minha consciência que deduziu assim.
Veio a explicação bem econômica, sem revelar os segredos da preparação, apenas as indicações do tal mingau. Olha que são muitas e ouvi dele sobre o remedinho que parece meio milagroso: “Serve pra tosse de cachorro, coquelucha, mal do peito, inflamação da garganta, prá limpar catarro do peito, cansaço, fraqueza e desanino (assim sem acento mesmo) e prá homem que anda fraco também...”.  Essa última indicação, eu entendi como impotência.
Agradeci e saí. Satisfeita de conhecer pelo menos as indicações, mas ainda fiquei pensando, tecendo hipóteses sobre a origem do nome de tal preparação. Associei logo o nome à tosse de cachorro, um tipo de tosse irritante e persistente, como as tosses de coqueluche. Chegando à pousada fui buscar na internet mais alguma informação. Nada encontrei sobre a origem, mas achei algumas receitas, com pequenas variações. Creio que a receita original, aquela com sabor afetivo de mãe, que usa a sua sabedoria para cuidar dos filhos com as receitinhas caseiras, cada uma deve guardar seus segredos.
Bom mesmo é conhecer a diversidade da sabedoria popular, principalmente as especialidades culinárias espalhadas por esses vastos Brasis.
Continuo sem saber que gosto tem o mingau de cachorro do Mercado São José.
Celêdian Assis
Mingau de cachorro
Caldo substancial usado como remédio para pessoas enfraquecidas. Também conhecido como cabeça de galo, o mingau é muito forte e deve ser tomado quente, de preferência no jantar. Uma variação deliciosa do Mingau de Cachorro, para não enfermos, é adicionar mais pimenta, sal e uma colher de sobremesa de manteiga. Quebre um ovo dentro da mistura, quando chegar ao ponto de fervura,  continue mexendo. Deixe esfriar um pouco e tome como se fosse uma sopa. Há outra receita em que acrescentam ½ colher de chá de azeite de oliva extra virgem:
- Pegue um dente de alho, pique e coloque no liquidificador.
- Coloque 1 copo de água.
- Coloque uma colher de sobremesa de farinha de mandioca.
- Coloque uma colher de café de margarina.
- Uma pitada de pimenta-do-reino em pó.
- Uma pitada de sal.
- Bata tudo no liquidificador e depois coloque em uma panela e leve ao fogo.
- Deixe chegar ao ponto de fervura, a aparência vai ser de um mingau ralo.
- Quebre um ovo dentro da mistura e continue mexendo.
- Deixe esfriar um pouco e tome como se fosse uma sopa. 

Autora: Celêdian Assis - Belo Horizonte/MG




Publicação autorizada pela autora através de e-mail em 07/04/2012

29 comentários:

Patricia disse...

Minha cara Celêdian, tudo bem? Em primeiro lugar fico feliz que tenha visitado nossa terra e apreciado nossa cultura. Quanto a sua crônica não podia ser melhor, você escreve muito bem. No que diz respeito ao mingau de cachorro, este vejo todo dia da janela do coletivo que me leva para federal pessoas vendendo, mas confesso não saber o sabor. Cá pra nós, deve ter um gosto horrível! rsrsrsrs. Enfim é a nossa cultura e representa soluções encontradas pela população que não dispoe de uma rede hospitalar suficiente para atender a população. No entanto, não diria que vale pelo aspecto cultural somente; tem muita gente esclarecida que toma esse tal mingau (cada um faz a fórmula a sua maneira) e dizem que dá resultados. Por enquanto vou ficando com os medicamentos tradicionais. Se não fosse pelo gosto (que deve ser ruim) eu até fazia a prova. Finalmente, o mingau teve uma grande utilidade que foi você escrever esta maravilhosa crônica. Parabéns.

Carlos Lopes disse...

Quando a Celêdian Assis esteve aqui no Recife/Olinda, no início deste ano, fiz-lhe ciente que outros amigos dela e colaboradores do blog registraram algo em sua passagem pela Veneza brasileira ou Olinda, cabendo a ela tamanha responsabilidade de um registro também. Só não esperava que o tal mingau de cachorro fosse chamar tanto a sua atenção. Afinal, ela tinha tantas coisas em mente que os dias em solo pernambucano me pareciam curtos. Ela cumpriu o que prometeu e a pé ou de carro remexeu os nossos pontos turísticos e históricos. E foi justamente no Mercado São José que nossa querida Celêdian encontrou o tal xarope que tanto despertou sua atenção. E graças a ele e a ela, é um prazer receber seu texto: Mineira em terras nordestinas: Mingau de cachorro? Ele não reflete somente a tal curiosidade por conta do tal xarope e, também sua visão de vida e suas inquietudes naturais. Para aqueles que não conhecem a Celêdian (se é que tem alguém que não leu a nossa poetisa) é uma leitura e tanto; um passeio à simplicidade e ao humor descomprometido; também é uma exposição de idéias do que é aquela mulher rica em cultura e regada de um dom natural. Por fim diria que agora nós pernambucanos estamos em paz e contentes. A Celêdian registrou para eternidade a nossa terra e os costumes da nossa gente em sua crônica. Cá entre nós, ainda vem mais coisas por aí ¨... esse pessoal que já nasceu com o dom de escrever não se contenta com uma só matéria sobre aquilo que gostou¨. Poetisa, um abraço Recifense, um abraço olindense e um só meu, bem custodiense.

Celêdian Assis disse...

Olá, Patrícia! Foi um prazer receber seu comentário tão simpático. Obrigada pelas palavras e recepção tão amáveis. Minha visita ai por estas bandas foi algo espetacular e inesquecível. Além de ver todas as belezas naturais, conhecer um pouco da cultura regional, fui muito bem recebida pelas pessoas da cidade, por onde eu passava. Olinda e Recife são realmente lugares encantadores, onde pretendo voltar outras vezes. Sobre o mingau de cachorro foi mesmo uma curiosidade para mim e eu já pretendia ter escrito antes, mas só agora ao ler a crônica de Carlos é que resolvi apressar-me. Ainda tenho outras coisas para escrever sobre esta viagem que aos poucos vão aparecer. Obrigada querida e um grande abraço para você.

Celêdian Assis disse...

Carlos, amigo querido!
Não poderia deixar de registrar a minha emoção ao ler este seu gentil, amável e sincero comentário. Obrigada pela dimensão desse carinho e atenção que dispensa aos meus textos. Sim, é verdade, ainda tenho outras coisas para contar desta que foi uma viagem fantástica. Apreciei muitas coisas na sua terra, nem sempre só com aquele olhar típico de turista voltado apenas para as belezas naturais da região, para a rica história registrada, mas também voltado para as coisas simples, coisas de gente, do dia a dia. Certo é que me encantei e pretendo voltar. Novamente obrigada, fiquei muito feliz com sua demonstração de carinho, o que só reforça a minha certeza de que o povo pernambucano é muito especial. Um grande abraço, meu amigo.

Carlos Costa disse...

Olá, Calêdian, afora seu desapontamento por não saber o que era minguau de cachorro porque você era apenas uma Mineira em terras nordestinas, devo informá-la que tenho um hábito terrível de visitar cemitérios e ver tumbas quando estou em outras cidades. Os cemitérios também ontam histórias políticas, sociais, sociológicas e antropolígicas. Pelas famílias sepultadas, já cheguei a descobrir a raíz de muitos nomes de pessoas. Com isso, companheira, quero dizer-lhe que em meu livro científico O CAMINHO NÃO PERCORRIDO - a trajetória dos assistentes sociais masculnos em Manaus, de forma muito indireta, pelas pesquisas que fiz para publicá-lo, sou capaz de, por um sobrenome apenas, identificar a origem de uma pessoa, mesmo que não tenha 100% de certeza no que afirmo. Mesmo sem conhecê-la, pelo seu sobrenome "Assis" ariscaria dizer que a amiga tem ascendência portuguêsa, com sangue nordestino e pouco mesmo de mineiro porque seus pais ou o pai de seus pais não eram mineiros, mas foram colonizar MG há muitos anos passados! Um grande abraço,

Celêdian Assis disse...

Olá, Carlos Costa, obrigada pelo seu comentário e achei muito interessante o seu hábito de visitar cemitérios, no mínimo inusitado, mas que pode ser muito útil para esta investigação que faz sobre genealogia, além do resgate da História. Certamente seu livro é algo diferenciado do que há de registros nesse sentido e creio que deve ser de muito interesse científico. Sobre a origem de minha família, até a terceira geração acima da minha, digo, meus bisavós maternos e paternos são todos mineiros, da Zona da Mata. Nunca soube nada mais além dessa geração, mas é possível sim que além dela haja alguma descendência européia, afinal, o Brasil foi colonizado por portugueses e houve também a presença de espanhóis, holandeses e sabe-se lá quantos mais. Sobre o sangue nordestino, não sei lhe dizer, mas tudo é provável. Parabéns por este trabalho e também por todos os outros livros, textos, artigos que vem escrevendo. Um grande abraço.

Carlos Lopes disse...

Amiga Celêdian Assis, agradeço pelo seu amável comentário. Como é bonita a vida! Um simples xarope (mingau de cachorro) está envolvendo a todos que fazemos este blog. Ou seja, o ser humano só precisa de um incentivo para se relacionar e despertar o gosto pelas coisas simples. Quando pensei em escrever o texto o Castelinho, lembrei da sua emoção ao se deparar com o tal remédio(?). Como disse, nunca se falou tanto nesse mingau. O seu texto: MINEIRA EM TERRAS NORDESTINAS: MINGAU DE CACHORRO? No entanto, desde já fica o convite para que a amiga retorne ao meu Pernambuco o mais rápido possível, pois esta terra tem encantos mil. Por fim, quero externar a todos a atenção que a amiga tem pelo blog, desde que foi criado. Foi através da sua credibilidade que tenho conseguido muitos colaboradores que sem a sua participação nem sei se os teria conhecido.

Artemisa disse...

Olá gente! Adoro meu estado, minha região. Também gosto desse blog e o que a Celêdian Assis escreveu do Recife/Olinda muito me agradou. A pergunta que não quer calar: Que sabor tem esse mingau de cachorro?

Fernando Alberico disse...

Olha, tomei algumas vezes mingau de cachorro. Na maioria das vezes tomei depois de alguma farra regada a bebidas. Nesse caso o objetivo era eliminar a ressaca. Tenho um amigo que tomou também com a finalidade de eliminar fraqueza ... enfim, tem mil e uma utilidades. Quanto ao sabor, predomina o alho, tanto que se utiliza a canela com o objetivo de suavizar o gosto.

Celêdian Assis disse...

Tem razão, amigo Carlos Lopes, toda a beleza da vida se resume na simplicidade em que a captamos, em quaisquer situações. E é da forma mais simples que posso agradecer-lhe por toda a sua amabilidade, obrigada! Que bom que um simples texto possa despertar a atenção para um fato, um objeto, uma situação e que de alguma forma serviu para divulgar um pouco dos costumes de sua terra. Ahhh...pode esperar, é claro que voltarei ai.
Sobre seu blog, tenho imenso prazer em estar aqui e apresentar-lhe autores que muito admiro. Os seus leitores só têm a ganhar com a chegada deles por aqui.
Um grande abraço, amigo.

Celêdian Assis disse...

Olá, Artemisa!
Obrigada pela sua leitura e por apreciar o meu texto. Quanto ao gosto do mingau, ficarei lhe devendo tal informação, pois não tive coragem de experimentar. Entretanto, já tenho muitas informações de pessoas que o consomem ou já consumiram, que é um gosto bem forte, mas bom.
Um abraço e seja bem vinda.

Celêdian Assis disse...

Olá, Fernando Alberico!
Obrigada pela sua leitura e pela informação. Pelo jeito o mingau de cachorro é, como dizemos por aqui, um verdadeiro "levanta defunto". Creio que deve ser tão forte, quanto é o caldo de mocotó que as pessoas consomem muito aqui em Minas e em geral com as mesmas finalidades que você citou.
Um abraço e seja bem vindo!

Carlos Lopes disse...

Então amiga Celêdian, voltando (ou continuando) ao tal mingau de cachorro,o colega aqui do trabalho Fernando Albérico atestou ter curado suas ressacas. Diria que só por isso paga o investimento. Tem coisa pior do que ressaca? No entanto, outras pessoas já me disseram que é só alterar a fórmula e resolve todo e qualquer problema. Bom, até aí tudo bem. O que quero mesmo dizer é que sou do tipo ¨deixa o próprio organismo desempenhar suas funções¨ ... bom, isso com a minha idade já não é tiro e queda. Toda essa conversa mole é só pra dizer: EU VOU COMPRAR NAS PRÓXIMAS HORAS UM VIDRO DE MINGAU DE CACHORRO E INGERIR ...Se eu não vir a falecer, conto a você amiga Celêdian e aos amigos que gosto tem.

chagoso disse...

Minha mãe, nordestina do Ceará, nos fazia o tal mingau. Mas conhecíamos por outro nome: "caldo de caridade" . Levantava até defunto, se tomado logo após o último suspiro, como brincava meu pai. Será que a amiga Celêdian já ouviu falar do "chá de burro"? Pode parecer gozação minha, mas não é. Outra iguaria senão do Nordeste, pelo menos do Ceará, feita com milho em grãos. Uma espécie de mingau, salgado; pelo menos a versão que meus pais conhecia.

Celêdian Assis disse...

Olá, Chagoso!
Obrigada por passar por aqui e acrescentar mais uma iguaria nordestina ao nosso conhecimento. Não conhecia o "chá de burro" também. Agora me chamou a atenção o nome "caldo de caridade". Sabe de onde surgiu tal nome?
Preciso depois lembrar de alguma coisa que também me acendeu a curiosidade , quando estive no Ceará.
Um abraço amigo e obrigada pela atenção.

Aleatoriamente disse...

Celêdian,
li teu texto e confesso que ri imaginando o teu jeito de chamar o moço para perguntar do tal mingau rsrsrs.Achei lindo.Já estive em Fortaleza-Ce e aprendi alguns costumes por lá.Mas o tal mingau eu conheço aqui no Amazonas como "cabeça de galo".
Aqui também passei a conhecer muitas coisas interessantes.

Um beijo querida.

Carlos Lopes disse...

Amiga Celêdian Assis, obrigado pelo seu amável comentando em meu modesto texto: ¨Somente você, Otávio¨. Como sempre tenho dito, sou apenas um curioso no assunto. No entanto, o que tenho escrito de melhor tem a sua participação. Considerando o antes e o depois, hoje me sinto mais a vontade para escrever. De modo que me faz bem externar meu agradecimento a você, minha amiga Celêdian.

Carlos Lopes disse...

A amiga tem total razão, Otávio tem se cuidado. O dono é que devia seguir os seus conselhos e o exemplo dele. Tenho um enorme carinho com os meus animais. No texto busco o disfarce para confundir o leitor sendo um pai desatento; senão ficava sem graça a surpresa no final do texto. O objetivo era esse mesmo, apenas uma situação engraçada sem necessariamente se transformar em uma piada esticada.

Carlos Lopes disse...

Amiga Celêdian Assis ... que posso falar diante de tanta amabilidade de sua parte em relação ao meu modesto texto? Dizem que elogio de amigo não vale. Pra mim vale! Diante do meu pouco talento só posso contar mesmo com o encorajamento daqueles que a cada dia me ensinam um pouco mais. Obrigado! Amiga, aguardo por uma conversa nossa. Não se preocupe não é nenhum problema com relação ao livro. Diria que se trata de coisa boa. Um abraço.

Marcio JR disse...

Demorei, mas cheguei.

E cheguei rindo do nome da crônica. rsrs. Mas, sabe? Nessas minhas andanças, já vi muita coisa de deixar qualquer um de queixo caído. Já vi gente com galinhas e porcos dentro de ônibus de viagem, já vi bodes e cavalos habitando casas, já vi os pratos mais (argh!) exóticos que existem, enfim, vi tanta coisa que se fosse para listar, escreveria um livro.

Adorei a crônica, Celêdian, e fiquei imaginando a cara de desapontamento do vendedor de mingau. rsrsrs.

Abraços, minha querida amiga.

Marcio

Celêdian Assis disse...

Márcio, meu querido amigo!

Sabe que adoro receber seus comentários e imagino a sua carinha rindo aqui do meu título...rsrss...Não sei se você já havia lido algum texto meu em prosa antes, já que a minha praia é mais a poesia. Então, saber que você a leu e gostou é muito gratificante para mim, pois é a opinião de um exímio cronista, embora, suspeitíssima...rsrrs...porque é do meu querido amigo.
Obrigada, Márcio e um abraço carinhoso para você.
Celêdian

Marcio JR disse...

Celêdian, teu talento extrapola qualquer estilo. Como diz a molecada, você "manda bem" em qualquer que seja a escrita. rsrs.

Eu já havia lido uma crônica sua sim. Aliás, mais de uma. Não me recordo o nome, mas quando lancei uma crônica sobre meu avô, onde eu fazia referência ao tal "coisa ruim", você me deu uma indicação de um texto seu onde falava também dos contos que seu avô contava, e das experiências de criança que você teve. Me corrija se eu estiver errado, mas era Murunga (ou Morunga), e me recordo que foi de uma leitura agradabilíssima. E li por aqui também mais crônicas tuas.

E no tocante a esta crônica aqui, ela é fantástica e detalhada. Teu estilo é solto e você passeia pela locação como se estivesse lá naquele momento. O humor é natural em você, e chega aos olhos como um elemento do texto que envole e faz a leitura ficar deliciosa.

Devia escrever mais crônicas. É um exercício excelente, e faz com que tenhamos uma interação precisa do "tudo" a nossa volta. Existe uma cronista maravilhosa dentro de você, tanto que a crônica acima fala por sí só.

Bjs, minha querida amiga. E eu, mesmo suspeitíssimo para falar também, dada a reverência que tenho por você e por ser tEu fã de carteirinha, afirmo e reafirmo: não tem estilo que você não dê um show.

Augusto Sampaio disse...

Celêdian, nessas terras nordestinas se faz remédio prá tudo quanto é de doença. É uma tradição antiga, cultuada principalmente nos pequenos lugarejos. Nas feiras do interior, vc encontra um verdadeiro laboratório. Gostei do seu texto, pois o assunto é interessante e vc escreve bem, menina. Engraçado é que ontem, como vc sabe, fiz uma resenha sobre um filme cuja temática é a culinária. Gostei mesmo e reforço o apelo de outro comentarista prá que vc escreva mais. Um afetuoso abraço. Augusto

chagoso disse...

O caldo de caridade que minha mãe fazia se parecia muito com o desta receita: http://papjerimum.blogspot.com.br/2011/08/caldo-da-caridade-ou-cabeca-de-galo.html, mas nem sempre tinha tuto isso. Outra versão mais acondimentada é esta:http://tvg.globo.com/receitas/maisvoce/caldo-de-caridade-4d50704552e0b252bc001135
Parece ser de raízes africanas. O nome acho que surgiu pelo fato de ser de grande utilidade quanto as pessoas estavam enfermas...

Débora Andrade disse...

Querida, bom dia! Estou tomando um mingau de cachorro, enquanto lia o teu maravilhoso texto! Estou com uma gripe daquelas, sabe?! Promessas de melhoras, ouvi. Sou de Recife e, portanto, sou suspeita de falar, mas a culinária daqui é ótima, concorda? O mingau de cachorro, com certeza, não está nos mais gostosos pratos, mas entre os mais característicos, sim. E por incrível que pareça, o tal do mingau não é ruim. Papai, quando eu era menor, fazia um diferenciado... Além desses ingredientes, colocava verdurinhas. Era mais gostoso do que os que ele compra, vez ou outra, hoje em dia. Bem, prefiro uma boa massa! Mas hoje, estou preferindo o que der um jeito nesta gripe, rs. Grande abraço, meu bem. Adorei o seu blog!

Celêdian Assis disse...

Olá, Débora!
Obrigada pelo seu gentil comentário.
Concordo com você, a culinária dai é realmente ótima e só não posso dizer mesmo é do mingau de cachorro, mas vou experimentar em minha próxima viagem por ai. E claro que vou voltar outras vezes, pois apaixonei-me por Recife e Olinda.
Um grande abraço.

Anônimo disse...

Olhe , Como por Prazer , Sou Paulista Adotado e Voltei para recife depois de 19 anos, e agora em Recife á 3 anos e me apaixonei por essa iguaria e logo aprendi á fazer... Por sinal estou comendo 1 agora mesmo... Com bastante Pimentinha do Reino...
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Servida??
Um Cheiro Querida
E volte sempre ...
Thiago Coutinho

Clarissa Araujo disse...

Olá, Celêdian, eu sou pernambucana e tomo mingal de cachorro sempre! O sabor é ótimo. Como você disse aqui existem receitas de familia e na minha nós colocamos:
6 dentes de alho laminado
1 cebola grande cortada em cubos
1/2 pimentão
1 tomate
Pimenta do reino a gosto
Sal a gosto
Cominho 1 colher de chá
1/2 maço Coentro
1 Caldo de carne
4 ovos
1 litro de água
Farinha de mandioca quanto baste para ficar na conistência desejada.
Azeite quanto baste.
Doure todas as verduras no azeite depois adicione a coloque a água, reserve apenas os ovos e a farinha de mandioca. Depois de 10 min de cozimento adicione a farinha aos poucos como se fosse fazer um pirão eu gosto mais consistente. Quando a farinha cozinhar quer dizer aproximadamebte 2 min depois que para de adicionar é hora de colocar os ovos nesta etapa tampar a panela e ñ mexer faz toda a diferença. 1 min. Para o ovo cozinhar e pronto. O ideal é tomar bem quente mesmo. É muito forte e pode ser tomada sempre que desejar. Se quiser pode colocar um pouco de carne moida na hora do refogado. Mais o tradicional da minha familia é assim só com o ovo mesmo.
Espero que goste!

João Batista Stabile disse...

Boa noite Celêdian, tudo bom?
É uma das melhores coisas da viagem é conhecer cultura e costumes diferentes eu quando estive em Montes Claros, fiquei impressionado com o enorme mercadão que tem la, ali se encontra de tudo que possa imaginar, gostei demais tirei muitas fotos. Gostei do seu texto que fala do Nordeste, pois ainda não conheço. Abraço.