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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

As núpcias de Ritinha

Autora: Meire Boni
 
Ritinha  perdeu a mãe muito jovem,  foi criada pelo pai e pelos irmãos maiores.  A  figura feminina mais próxima  era  a madrinha que morava na cidade vizinha que a visitava de vez em quando.  Era ela quem lhe ensinava a  lidar com os trabalhos domésticos e a bordar, mas nunca conversou com a menina sobre certos assuntos.  Achava  Ritinha  muito nova, quando fosse o tempo, teria a tal da conversa com a menina.   
Mas o destino se encarregou de interromper o aprendizado. A madrinha morreu , e Ritinha passou a viver em um mundo de homens, e era com eles passava a maior parte de seu tempo. Ajudava na lida com o gado, na roça e ainda nas tarefas domésticas.  No tempo livre era mais um dos vários moleques da fazenda.
O tempo passou e quando as primeiras chuvas da primavera  chegaram, Riitinha estava trepada nas grimpas de um pé de jabuticabas  quando percebeu que havia sangue escorrendo pelas pernas. Procurou por um ferimento, não encontrou nada. Sozinha, desceu rapidamente, e já em terra firme se examinou, e quando percebeu a origem do sangramento, abriu a boca a chorar.  Não sei se por falta de lágrimas ou por  entender  que o choro não faria o sangue parar, ela  fechou a boca e em soluços  pediu ao Divino Pai Eterno que não a deixasse morrer daquilo.  Correu para o banheiro e ficou lá emburrada.
Já desconfiado do que se tratava o emburramento da filha, o pai tratou de chamar a mulher do vizinho para acudir a menina. A mulher interveio, e conseguiu fazê-la abrir a porta e lá dentro mesmo deu uma aula rápida sobre o assunto. Ritinha de olhos inchados, apareceu na hora da janta , e  nos dias que se seguiram os irmãos notaram  seu andar um tanto estranho, mas  pensaram que se tratava de alguma sequela do acidente que a pobre sofrera no pé de jabuticaba.
Ritinha agora era uma mocinha. Mas apesar disso,  ainda mantinha semblante e atitudes de menina.
Na véspera de  completar  quinze anos seu pai lhe chamou na sala, depois do jantar.  Estava lá um homem que Ritinha já tinha visto algumas vezes na fazenda. Era José, filho de um conhecido da família.  Foi assim que Ritinha soube que seu destino já havia sido traçado pelo seu pai, muito antes dela adentrar-se naquela sala.  
Foi através de um aviso, não de uma pergunta que Ritinha  que a mão de Ritinha foi entregue: “Rita de Cássia, minha fia, este é Zé, fio do compadi Mané,  ele vei pidi sua mão, eu consenti, só falta agora acertar a data, modi o’cêis casá.”   Ela assentiu, e foi chamada a retirar-se.  Até que achou que seu pai falou muito, em seus quase quinze anos de vida, nunca ouviu o velho lhe dirigir mais que uma frase por vez.
Manteve sempre a cabeça baixa, mas antes  de sair, só deu uma olhada no tal do Zé, este  era todo sorriso.
Desde acontecimento  até o  casamento se passaram menos que trinta dias.  Zé arrumou tudo bem depressa,  a pedido do sogro: “Minha fia não teve mãe, a madrinha morreu, e aqui tem homi demais. Ela  pricisa casá logo, ou vai virá machi e fema.”
E tudo correu dentro dos conformes, tirando o fato de Ritinha ter se casado inocente de tudo.
Já casada  e instalada em sua casa cheirando a nova, Ritinha entrou para o quarto, tirou o vestido de noiva, vestiu sua camisola e se deitou. Estava muito cansada, só pensava nos presentes, queria abri-los o mais rápido possível,  mas combinou com Zé que deixariam para o dia seguinte.  Até que ela gostava dele, nas poucas vezes que se encontraram,  sempre foi muito gentil e educado. Mas estava com medo de ficar a sós com ele. “Ele me olha de um jeito...parece que tá me vendo pelada! Curuizz!”
Quando Zé entrou no quarto, ela ainda estava acordada, mas fingiu dormir. Percebeu que ele já havia tirado sua roupa de noivo, que tinha tomado banho, pois cheirava a sabonete e a pasta de dente. Ele se deitou ao seu lado e foi chegando perto.  Na medida que ele chegava, ela se afastava. De olhos fechados e ressonando de mentira, Ritinha chegou tanto para o lado que acabou por cair da cama. Fez um barulhão.  “Ritinha, meu amor, você se machucou?” Ela fingindo acordar naquele instante:  “Que nada, sonhei  e assustei!  É melhor a gente ir dormir, estou muito cansada!” Zé emburrado, resolveu ir dormir no sofá.
Três dias se seguiram, ou melhor, três noites, e nada. Toda noite, quando Zé se aproximava, Ritinha inventava uma desculpa, e ele acabava no sofá.  A paciência  se esgotou na quarta noite. Na primeira tentativa, quando Ritinha recuou, Zé esbravejou  “Ritinha, o que tá acontecendo com você? Nóis casó tem quase uma semana e ocê num deixa eu triscá nem no seu cabelo?  Eu tive paciência até hoje, mas assim num dá né? Sou um homem casado e quero o que é meu por direito!” Quando Zé parou de falar, Ritinha  abriu o berreiro.
Zé, sem saber o que fazer, ameaçou: “Tá bão, hoje num vou mais triscá n’ocê, mas se amanhã de noite num acontecê nada, vou devorvê ocê pro seu pai... Bem que a mamãe me avisou, que fia criada sem mãe num dá muié que presta! Amanhã..”  Disse isso, pegou seu travesseiro e foi dormir na sala de novo.
No outro dia, quando Ritinha se levantou,  Zé já havia saído. Ficou em casa amanhã inteira pensando em uma saída.  Sabia que o pai não a aceitaria de volta, teria que dar um jeito naquela situação. Mas o que deveria fazer? Tinha uma ideia muito vaga sobre a coisa, nunca teve uma amiga, com quem conversasse. “Não sou chucra, tenho educação. Estudei, sei lê e escrevê. Sempre cozinhei e até sei bordá e costurá.  Como a sogra falou isso de mim? Que  eu num presto porque num tive mãe? Eu presto sim! Veia iscumungada, eu presto mais que ela!  O que Zé quer  fazer comigo é feio e eu acho mei nojento! Será que todo mundo que é casado faz isso? Meu pai fez com a minha mãe?”  
Como sempre fazia em momentos de desespero, Ritinha se pôs a rezar e a pedir ajuda a todos os santos que sabia o nome. Criou coragem e tomou uma decisão.
Quando Zé chegou, ela já o esperava no quarto.  Antes que ele  fizesse alguma coisa, ela mandou que se sentasse. Ele se sentou, e ela falou: “Zé, você tá certo, eu não deveria ter feito isso! Sei que te devo e vou pagar.  Pensei que ocê num fosse cobrá, mas já que cobrô. Mas antes, quero que ocê me responda uma coisa.” Zé,olhou para Ritinha que se mantinha de pé, com as mãos na cintura: “Pode falar, Ritinha!” E ela soltou: “Oiá Zé, o’cê sabe que num tive mãe, que num tive ninguém pra me ensiná  essas coisas, intão como eu vou sabê fazê...  Mas é verdade que todo mundo que é casado faz isso?”
“É verdade Ritinha”
“Até sua mãe e seu pai?”
Zé engoliu seco “É, eu acho que eles ainda faz!”
“O’cê vai tê paciência de me ensiná?
“Mas é claro, eu amo o’cê!”
“Num tem outro jeito, tem?”
Ele balançou a cabeça negativamente. E ela acrescentou:
“Então hoje,quando ocê vié  num vou chegá pra lá!”
No outro dia, Zé chegou mais tarde no trabalho, e quem passasse lá por perto notaria que toda a roupa de cama recém lavada, secava no varal.
Tempo depois quando Zé foi visitar sua mãe:
“E sua muié, Zé, tá aprendendo a ser muié casada?”
“Tá sim, mãe! O que ela num sabe, eu ensino. E num é que ela aprende direitinho, tem umas coisa que já ta fazendo mió do que eu ensinei!”




Autora: Meire Boni - Bela Vista de Goiás/GO

 

Publicação autorizada pela autora

O matador de assombração - Autora: Meire Boni


Tião passava sempre por aquela estada, ele nunca tinha visto nada, mas no fundo tinha um certo receio daquele lugar.

A estrada nasceu do calor das patas dos bichos que zigue-zagueavam  acompanhando a margem do riacho buscando o melhor lugar para tomar água fresca.  Seguia rasgando duas serras ao meio. De certa altura em diante, ganhava a companhia de um riacho, que nasce lá no alto e vem  serpenteando. Em um mesmo lugar, a estrada é cortada pelo riacho e por uma  cerca. Havia uma velha ponte e uma velha porteira.

O único barulho que quebrava aquele silêncio, como uma faca afiada era a batida da porteira. Por causa do desnível do terreno, a força da gravidade se encarregava de fechá-la. Era só abrir, passar, soltar e esperar. Geralmente eram três batidas, a primeira, um estrondo que podia ser ouvido a quilômetros de distância, depois outra menos forte, ia diminuindo até voltar ao seu estado inicial.

O lugar que não tinha um aspecto agradável durante o dia, a noite se tornava assustador. Muitas histórias estranhas o cercavam. Há os afirmam terem visto bolas de fogo saindo do rio e desaparecendo por detrás da serra. Outros juram terem ouvido vozes, choros e gritos vindos de debaixo da ponte. Até uma mulher, que aparece sentada na ponte de quatro metros de altura,  balançando as pernas e molhando os pés nas águas do riacho lá embaixo.

Era um dia de seca,  chovia fuligem do céu, pois uma grande queimada ainda ardia lá no alto da serra. Tião estava na cidade, como era de costume,  tinha ficado até tarde na jogatina e na bebedeira, pegou seu cavalo que de tão ensinado já sabia o caminho de casa, e seguiu pela velha estrada. O álcool agia em Tião como um escudo, era só beber que ele ficava metido a valente. Era acostumado a passar naquela estrada, falava nas rodas de conversa que tinha vontade de se encontrar a tal da mulher de pernas compridas, dizia isso enquanto batia a mão em seu trinta e oito na cintura.

O único barulho que se ouvia era o que o casco do cavalo fazia ao tocar o chão batido e o  estalar da vegetação que era engolida pelas labaredas no cume da morro. Tião passou pela ponte, pela porteira e a soltou. O barulho estrondoso de sua da batida ecoou serra acima.  Antes da segunda batida, Tião ouviu um barulho anormal. Alguma coisa descia a serra em sua direção. Antes que a porteira batesse pela terceira vez,  arrancou o revólver da cintura e esperou até que o barulho chegasse mais perto. Nada se via.  Não havia como mirar, acertar ou errar era questão se sorte.  Não dava para esperar mais, Tião apontou em direção ao barulho  e descarregou sua munição em seja lá o que for que  já estava a poucos metros dele, bem a sua frente.

Estava tão escuro que não fazia diferença ficar de olhos abertos ou fechados. Ele preferiu a segunda opção. Cavucou a espora em seu machador, queria sair dali o mais rápido possível. Depois dos tiros pode ouvir o barulho de alguma coisa tombando. E se houvesse outros? Não tinha mais munição, só lhe restava rezar o Credo e correr. Assim o fez.

Chegou em casa muito assustado, o efeito do álcool já tinha passado, e a coragem também.

Ao clarear do dia, quem passou por aquela estrada pode ver um enorme tamanduá bandeira caído, com uma ferida mortal na cabeça.  O danado estava fugindo do fogo, e se assustou com a batida da porteira.

Autora: Meire Boni - Bela Vista de Goiás/GO
Publicação autorizada pela autora


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Totõem trançador de couro e de histórias

Autora: Meire Boni

Totõem  nasceu cego e nunca pode ver a luz do dia. Criança pobre, criada na roça, se adaptou ao mundo, pois a falta de um dos sentidos, fez com que outros se desenvolvessem de forma extraordinária. Para viver, além da aposentadoria trançava couro e transformava-o em belíssimos laços. Cortava as tiras do couro devidamente preparado e prendia-as no dedão do pé e ia trançando. Quatro, cinco,  até oito tiras, dependia da preferência do freguês. Vaqueiros e fazendeiros  vinham de longe fazer encomendas. Totõem tinha até uma lista de espera.  
Mas não era só pelo trabalho com o couro que Totõem era conhecido. Muitos iam lá só para encomendar um conjunto de laços, chegavam, e logo eram pegos pelos seus causos. Tomavam um café, ou uma dose de cachaça e se perdiam no meio das histórias do velho. Quando percebiam o andar das horas, se despediam,  seguiam viagem. Lá na frente se lembravam que  haviam se esquecido de fazer a encomenda e voltavam.
Contava o mesmo causo inúmeras vezes, ma sempre  de um jeito diferente. Mudava o final, os personagens. A única constante em todas as suas histórias era o cenário: uma pequena  vila  às margens da estrada de  Barrossequim. Uma comunidade com várias casas, comércio, igreja  que se tornou famosa por ter sido abandonada por todos os seus moradores,  se tornando uma vila fantasma, habitada somente pelas lagartixas e morcegos. Totõem  conhecia muitas histórias advindas desse lugar, pois afirmava ter nascido lá, e descrevia-o tão detalhadamente, que muitos duvidavam  se a sua cegueira era mesmo de nascença.  
Eram conhecidas várias versões do motivo que veio a fazer daquela vila, outrora com até certa prosperidade, ser abandonada pelos seus moradores, mas não havia mais ninguém  que pudesse confirmar ou desmentir os fatos, pois não sabiam ao certo para onde haviam ido os outros habitantes dali. O único conhecido nas redondezas, que dizia ter morado lá era um velho cego chamado Totõem,  que graças a sua criatividade, atribuía destinos dos mais diversos aos seus conterrâneos.   As hipóteses  levantadas pelo velho iam das mais absurdas como abdução, maldições,  pestes,  até as mais plausíveis como a  seca, conflitos de interesses políticos e religioso e migração em massa.  Como o espírito popular  tende a se interessar  pelo inacreditável, eram as histórias mais absurdas as mais conhecidas. Uma das mais contadas e repetidas era  a hipótese das abduções:
“Seu Totõem, é verdade que o povo daquela vila foi tudo raptado pelos ETS?”
“É verdade sim. Seu Catimbau dono do restaurante foi o primeiro a desaparecer. Eu era pequeno mais me lembro bem daquele dia. Ele ficou no bar até mais tarde, e quem estava acordado naquela noite, disse ter ouvido um barulho estranho vindo lá pelas bandas do morro. Não houve grito, nem nada. Só uma luz. O homem nunca chegou em casa. Dias depois o mesmo barulho, tardão da noite e  foi o rapaz do posto de gasolina, e depois outro e mais outro. Quem restou nem saia mais de casa a noite. Muitos foram embora pra capital. Meu pai queria me mandar pra casa do meu avô, mas não deu tempo.  Uma noite, estávamos todos na cama, e vi meu pai falando que tinha um clarão lá fora, acompanhado de um barulho esquisito,  ele foi lá ver e não voltou mais.   Fiquei em estado de choque e fui encontrado pelo meu avô dias depois. Ele disse que eu era o único que estava na vila. Não havia mais ninguém. Acho que a luz hipnotizava, e eu só fui salvo porque não enxergo. Muita gente que passa por lá a noite diz ver a tal da luz , que ainda aparece lá pelas bandas do morro.”
A história saiu dali e se espalhou. Tanto que batizaram a vila abandonada como Vila dos Ets. Muitos que passavam por lá a noite afirmavam ter visto luzes estranhas. Isso até Seu Totõem decidir mudar a versão.
Outro freguês chegava e a prosa logo chegava ao mesmo assunto:
“Seu Totõem, passei lá na estrada de Barrossequim de noite.  Fiquei morrendo de medo de ver a tal da luz.”
“O povo fala que essa luz existe, eu não posso afirmar nada, como você sabe. Mas acho que não deve ter luz nenhuma.”
“ Mas se não tem luz, pra onde é que foi todo mundo?”
“Você nunca soube da história da peste que prega pelos zóio?”
“Já ouvi falar, mas será que é verdade mesmo?
“Aqui a prova trançando laço na sua frente. Todo mundo morreu, menos eu, porque eu não enxergo. A doença chegou com um caixeiro viajante. E foi passando de um  pro outro, menos eu. Se não visse,  não pegava.”
“Mas se todos morreram, onde é que foram enterrados?”
“ Os primeiros que morreram foram sepultados lá mesmo, no antigo cemitério. Quem ia ficando vivo ia enterrando. Quando o governo chegou queria abafar o caso e recolheu tudo. Os mortos e os moribundos. Meu avô dizia que eles me devolveram pra ele aqui depois de fazer uns exames.”
A história dos “ETs” ficava meio esquecida e agora todo mundo falava em epidemia de “Vê-morre”.  Até o velho enjoar e inventar que todos foram embora por causa de uma maldição.  Quando a história se espalhava, era mudada de novo e de novo. E assim, Totõem  trançava o couro e as mais diversas histórias. Vendia seus laços e fazia amigos, e até hoje quem passa por aquela estrada e vê a vila abandonada se lembra do velho cego e de suas histórias e fica se perguntando qual delas será a verdadeira, ou se nenhuma tem relação com os verdadeiros fatos, ou se todas possuem  seu pé de verdade.  Vá se saber...


Autora: Meire Boni - Bela Vista de Goiás/GO
Publicação autorizada pela autora

domingo, 4 de agosto de 2013

Fraguinha na panela

Autora: Meire Boni

Marcinha  não gostava de brincar de boneca, nem de casinha. Passava o seu tempo livre cuidando de pequenos animaizinhos.
Ela e Lurdinha, sua irmã mais velha,  ganharam de presente um porquinho, que recebeu o nome de Tuíca. As duas cuidaram dele como se fosse gente. Quando cresceu ficou muito assanhado,e queria por tudo namorar. Tentava com o cachorro, com a  vassoura,  e até com as pernas de quem estivesse por perto. Não deu outra, o pobrezinho acabou castrado. Recuperou-se rapidinho e depois disso só queria comer. Comia tudo o que via. O pai disse uma vez que ele só não comia as donas porque elas não ficavam deitadas perto dele.
A comilança e a  boa vida o fizeram muito gordo, e o inevitável  aconteceu: o Tuíca acabou indo para a panela. Desde então, ficaram proibidas de criar porco. Lurdinha passou a cuidar de gatos, e Marcinha de pintinhos órfãos.
 Lurdinha já mocinha, adotou uma gata. Que pouco tempo depois já tinha rendido outras cinco cabeças.Marcinha arrumava pintinhos e mais pintinhos. Na fazenda havia sempre algum caso de abandono por parte de alguma galinha desnaturada. Quando não havia, Marcinha mesma se encarregava de separar o bichinho da mãe. 
Seus pintinhos levavam vida de rei. Ela andava longe atrás  de um cupim do cerrado bem fresquinho. Era só quebrá-lo e dar como banquete para os pintinhos. Diziam que era fortificante. 
A maioria morria nos primeiros dias da adoção. Muitas vezes por  excesso de zelo. Para substituir as  penas maternas, empacotava-os com tanto esmero , que  de tão aquecidos, acabavam sufocados.  No dia seguinte quando abria a caixa que servia de dormitório,  estavam duros. Chorava litros de lágrimas, ficava sem comer,  e  isolava-se no quarto por algumas horas. Na casa todos já estavam acostumados, sabiam que o luto e o choro passariam logo. 
Os sobreviventes eram soltos durante o dia, e a noite ela os recolhia  Quando uma tempestade se anunciava, Marcinha saia louca procurando seus filhotes que passeavam pelo quintal. Chamava-os, e todos vinham rapidamente. Já pegou muito resfriado, correndo debaixo de chuva a fim de recolher algum desgarrado.
A maioria dava para a sua mãe quando estavam fora de perigo, já grandinhos.  Mas sempre tinha os especiais. Aqueles que morriam de velho no terreiro.
A fim de protegê-los da panela,  ela os marcava.Marquinha esta, era a diferença entre virar jantar ou ter uma vida tranqüila até a velhice. Os reis, ou rainhas vitalícios do terreiro usavam uma argolinha no pé. Sempre que  precisava se ausentar, deixava mil e uma recomendações para que cuidassem de seus rebentos.
Certo dia, acompanhou a mãe à cidade e  quando chegou em sua  casa, algumas  visitas e  um jantar prontinho as esperavam. Seu pai fazia sala a um compadre e sua família, enquanto seu  irmão, metido a cozinheiro, que adorava  brincar com as panelas  fazia um jantar muito cheiroso e  caprichado.
Marcinha chegou cansada e com fome, só depois do jantar  foi conferir seu bando, como fazia toda vez que se ausentava.  Sabia exatamente onde eles se empoleiravam,  contou e notou a falta de uma de suas frangotas. Contou de novo e nada. Marcinha não quis pensar, não quis acreditar. Seu estômago deu uma revirada e a fez lembrar do prato principal do jantar: frango ao molho.  Ou melhor, era franga.  Como gostaria de estar enganada. Mas não estava. Nem precisava ter contado, sabia exatamente qual delas estava faltando. Segurando o choro foi conferir onde o irmão havia jogado as penas. E não deu outra.  Reconheceu na hora, ali estava jogado o que restava de sua franguinha,  aquela que atendia pelo nome, era só chamar Tuti, que ela vinha correndo. A sua frangota tinha virado jantar!
E o pior de tudo é que sem saber havia comido uma coxa.   Enfiou o dedo na garganta e tentou se livrar da culpa, e dos restos da franguinha.  Não conseguiu. Marcinha soltou um grito de raiva, e como uma  galinha choca, saiu em defesa de sua franguinha.  Foi tirar satisfação com o irmão, nem se importou com as visitas. Ele tinha o dobro do seu tamanho,  pegou-o desprevenido e  conseguiu lhe dar umas unhadas.   Sem saber o que havia acontecido, a mãe perguntou: “O que é isso minha filha? Cadê o respeito?” Engasgada  e cega de raiva ela só conseguiu dizer: “O Jorge cozinhou a minha Tuti, e vocês comeram ela, tadinha! E ainda deixaram que eu comesse também!” Sua  pediu licença para as visitas e levou  Marcinha para o quarto.  “Chega de frango com pulseira e fique aí no  quarto, vou lá na sala tentar limpar a sua bagunça, tentar explicar o que aconteceu.” Só o que restava a Marcinha era chorar. Abriu o bocão e chorou enquanto tinha lágrimas. Só parou quando pegou no sono. Enquanto dormia, sonhou que sua Tuti tinha ido para o céu das galinhas e lá estava feliz, voando de verdade, como um passarinho.
No dia seguinte, após mais uma bronca da mãe, seu pai chegou do cerrado com filhote de papagaio dentro do chapéu: “Aqui filha, esse nenhum de nós vai comer!” Marcinha olhou maravilhada para aquele bichinho peladinho que sacudia a  cabeça para cima e para baixo, ela já o amava.  Jorge deu uma risada e disse: “Nós não comemos perequito, mas os gatos da Lurdinha...”



Autora: Meire Boni - Bela Vista de Goiás/GO




Publicação autorizada pela autora

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Duas irmãs: uma azeda e uma doce - Autora: Meire Boni

Totõe entrou na puberdade precocemente.  De uma hora para outra mudou suas prioridades. Enquanto todos os garotos de sua idade corriam atrás de carrinhos feitos de loba¹, ele corria atrás de rabo de saia.  Sua mãe achava que era cedo demais para ele invocar com mulher, mas o pai puxava um saco danado de seu único filho homem. Além de apoiá-lo, dava umas diquinhas. Não era segredo para ninguém que Seu Bento, de bento só tinha o nome, pois eram muitas as histórias dele “bulinando” quanto tinha a idade do filho. As más línguas diziam que até hoje ele dava lá suas escapadinhas, que só não eram de grande proporção, por causa de Dona Luzia, que era muito centrada e trazia o marido a rédeas curtas.
 
Seu Bento era vizinho de fazenda de Seu Joaquim. Os dois estavam entre os mais ricos da região, eram amigos, mas muito diferentes um do outro. Seu Bento era um homem de paz, tratava bem os empregados, a família. Enquanto o vizinho administrava a família e a fazenda com mãos de ferro. Na sua fazenda tinha até jagunço e muitos de seus desafetos sumiram de uma hora para outra. Todo mundo sabia, mas ninguém falava. Nem Seu Bento, que era amigo, comentava esses assuntos. Seu Joaquim tinha três filhos, duas meninas e um menino. As meninas tinham ido para a cidade estudar, moravam com a avó, só vinham para casa nas férias de final de ano. O menino Quinzinho estava sendo criado para continuar o legado do pai.
 
Totõe era muito amigo do filho de Seu Joaquim. Brincavam dizendo que iam trocar as irmãs. Um ia casar com a irmã do outro. Nas últimas férias, quando as meninas vieram, se juntavam e formavam um bando de moleques. Quinzinho tinha duas irmãs Maria e Mariana. Maria a mais velha era rabugenta e azeda. Inzibida andava e se portava dura, como uma estaca de arame. Totõe gostava de Mariana, que era um doce de menina, mais bonita, mais educada.  Totõe não se cansava de brincar com o amigo:
 
-Você tem duas irmãs, uma doce e uma azeda, então eu posso escolher qual é a melhor! Como eu só tenho a entojada da Sebastiana, você não tem jeito de escolher. – Dizia isso e os dois riam. Todo mundo já sabia que Quinzinho era apaixonado por Sebastiana.
 
Os dois amigos iniciaram o ano meninos e terminaram homens. Não era a toa que viviam lá para as bandas das casas dos agregados quando todos os maridos estavam para o trabalho.
 
Era dia da lavagem das roupas. As mulheres iam uma vez por semana ao rio para lavarem roupa. Entravam no rio seminuas, e com água até o joelhos batiam as roupas nas pedras.  Os dois nunca perdiam esse acontecimento.  Ficavam amoitados só olhando, e depois apareciam como se fosse por acaso e acabavam todos dentro do rio.  Ainda em casa, Totõe recebeu através da mãe um recado:
 
-Filho, o Quinzinho mandou dizer pro’cê que vai na cidade buscar as meninas, elas chegam hoje, no trem das 10. Imagine o tamanhão que elas devem de estar, heim?
 
As palavras da mãe ecoaram muito tempo na cabeça de Totõe: “o tamanhão que elas devem de estar...” Não parava de pensar em Mariana, teria encorpado, devia de estar com corpo de mulher.  Muito mais bonita muito mais doce... E o tamanho do azedume da Maria só deve ter crescido. Pensou isso e riu.
 
Foi sozinho, não podia deixar as mulheres do rio na mão. À tarde, tomou um banho, se perfumou todinho e seguiu para a casa do amigo.
 
Quem lhe abriu a porta foi Maria, se olharam e tocaram um cumprimento forçado. Totõe viu que o tamanho da antipatia de Maria tinha realmente aumentado. Ela se sentou como uma estaca de arame, toda retinha e disse que o irmão estava no quarto.
 
Mas não tinha ninguém lá. Não quis perguntar para Maria, saiu pela mesma porta que entrou, passou pela “estaca azeda”, viu que ela o seguiu com os olhos, e balbuciou alguma coisa que ele não entendeu. Sentou-se no alpendre, logo apareceria alguém que lhe diria onde o amigo estava. Se encontrasse ele, encontraria Mariana. Eram pregados. Ouviu umas vozes vindas lá do fundo do quintal, reconheceu a voz do amigo. Seguiu o som e se deparou com uma imagem de sonho. Mariana, ali na sua frente, linda, com um vestido cor do céu, que deixava suas formas ainda mais exuberantes. Ela estava com o irmão, embaixo de uma mangueira. Encostada numa cerca com as mãos e a boca lambuzadas de manga madura. 
 
Mariana reconheceu logo Totõe:
 
-Agora chegou quem vai acertar com a primeira pedrada aquela manga que você, Quinzinho, tentou até o braço doer e não conseguiu pegar para mim. – Disse sorrindo, tentando esconder com a mão a boca suja de manga.
 
Totõe pegou uma pedra do chão e pediu que Mariana lhe mostrasse qual manga queria. Ela, no intuito de mostrar a fruta lá no alto, chegou tão pertinho, que ele sentiu o cheiro de seu cabelo.  Totõe derrubou a manga, e ao entregá-la a sua dona, deixou seus dedos roçar de leve nos dela. Totõe assistiu extasiado Mariana devorar a fruta. Ficou imaginando como deveriam ser doce os beijos daquela dona, e pensou: “É com Mariana que vou me casar.”
 
Chegou em casa conversou seriamente com o pai e a decisão foi tomada. Fariam o pedido.
 
Seu Joaquim não se opôs, e marcaram logo a data.
 
E chegou o dia. Era o casamento de Totõe e Mariana. Não teve namoro, nem noivado. Os pais combinaram tudo, Seu Joaquim organizaria a festa, o enxoval, e Seu Bento providenciaria a casa e os móveis.  A cerimônia seria celebrada na fazenda do pai da noiva. Seria um festão, como poucos. Os filhos dos fazendeiros mais importantes da região iam se casar. Eles se amavam.  Desde a chegada de Mariana, Totõe nunca mais foi ao rio, nem lá para o lado das casas dos agregados.
 
Totõe mandou vir um terno lá da capital. Todo engomado. Estava tudo pronto. Quando chegou a hora, a família toda, seguida pelos parentes e agregados, se dirigiu para a fazenda vizinha.
 
Totõe chegou e se posicionou no local a ele designado, perto do altar. Esperava ansioso. Estava contando os minutos para finalmente ter Mariana nos seus braços. Desde o dia em que a viu debaixo do pé de manga, voltou a vê-la umas duas vezes, Seu Joaquim, muito severo, disse que não ficava bem os dois ficarem se encontrando. Totõe sabia que se quisesse ter Mariana, tinha que seguir os desígnios do futuro sogro.
 
De braços dados com o pai, a noiva encoberta pelo véu caminhou até o altar. O coração de Totõe acelerava a cada passo que ela dava. Até que o momento chegou. Seu Joaquim lhe deu a filha, e os dois seguiram em direção ao padre. Sem tirar o véu, a noiva olhou o tempo todo fixo como uma estaca, para o padre, não se virou nenhuma vez para o noivo. Ele de vez em quando de rabo de olho, conferia se aquilo tudo era verdade, se estava mesmo ali do lado de sua noiva se casando.
 
Terminada a cerimônia, o padre disse:
 
-Agora o noivo pode tirar o véu da noiva e beijá-la.
 
Totõe delicadamente levantou o véu de sua, agora, esposa.  E viu algo que o pegou de surpresa. A surpresa foi tão grande que o noivo teve um treco. Caiu desmaiado. Ninguém entendeu nada. No meio da confusão a noiva saiu rapidamente, e o noivo desmaiado foi levado para um quarto dentro da casa, onde o padre tentava lhe reanimar.
 
Na festa todos culparam o calor, o terno que não estava acostumado a usar, a emoção do momento, mas Totõe no quarto quando recobrou os sentidos dizia repetidamente:
 
-Cadê Mariana? O que fizeram com ela? Onde está Mariana?
 
Foi quando Seu Joaquim pediu que todos saíssem do quarto, queria conversar com o genro. Quando ficaram a sós, o velho despejou:
 
-Mariana está no quarto dela. Você vai para casa, não acho bom que fique na festa, pode desmaiar de novo. Quando você chegar lá, sua esposa já estará esperando por você. - Totõe apesar da confusão que se instaurava em sua cabeça, tentou dizer ao sogro o motivo do desmaio, mas foi convencido pelo velho que era o calor.
 
Totõe foi levado por um dos capangas do sogro, quando chegou em casa, já era noitinha, entrou na casa meio tonto ainda e viu que de sua noiva já o esperava na cama. Na penumbra do quarto, as núpcias aconteceram e o casamento foi consumado.
 
Só no outro dia, ao acordar se deu conta que o que havia de seu lado não era a doce Mariana, mas a irmã rabugenta e azeda: era a Maria.
 
Ele bem que teve uma impressão quando levantou o véu. Mas foi convencido pelo sogro que era o calor, que era a maquiagem. Afinal eram irmãs. Uma muito mais bonita do que a outra, mas afinal tinham suas semelhanças.  O velho Joaquim havia lhe enganado.
 
Saiu sem fazer barulho, quando abriu a porta, deu de cara com o jagunço que tinha ordens de levá-lo a ter com o sogro.
 
A família de Totõe tinha um imenso respeito pelo Seu Joaquim, eram quase da família, por mais que estivesse contrariado, não ia fazer nada sem falar com seu pai antes. Seu Bento saberia como resolver amigavelmente esse terrível engano. Mas não pode ir até o pai, seguiu para a sede do sogro, escoltado pelo jagunço.
 
Seu Joaquim o esperava no alpendre, com mais dois de seus capangas recebeu-o com muita cortesia:
 
-O que trás meu genro aqui logo cedo, não deverias estar em núpcias?
 
-O senhor sabe muito bem o motivo de eu estar aqui. Onde está Mariana, o que o senhor fez com a minha noiva? – Disse meio gaguejando, em tom de voz alterado:
 
-Sua mulher, a Maria deve de estar em sua casa neste momento, mas Mariana seguiu com a mãe e o irmão para a capital, voltou para a casa da avó, vai ficar por lá por mais um tempo. – disse o sogro, enquanto enrolava calmamente um cigarro de palha.
 
-Vocês não tem o direito de fazerem isso com a nossa vida. Eu e Mariana... -Totõe não conseguiu terminar a frase, o sogro mirando o cigarro, o colocou no canto da boca, sem acender e falou:
 
-Não existe mais “Eu e Mariana”, agora é só você e a Maria. Vocês se casaram, com a benção do Nosso Senhor, consumaram o casamento, agora Maria é sua mulher e não se fala mais no assunto. Não adianta choramingar, você sabe que não tem como voltar atrás. Esqueça Mariana, você tem a Maria, é tudo a mesma coisa. Logo você vai se acostumar e vir que eu fiz a escolha certa. Vocês são muito novos, não sabem o que pensam. Eu o compadre Bento acabamos de conversar, ele acabou de sair daqui. Não adianta você ir pedir ajuda, ele concorda comigo – o velho repetiu: – Vocês se casaram perante Deus e já fizeram o que tinha de fazer a noite toda que eu sei o Fulô, meu capataz ficou de butuca atrás da janela pra ouvir se... bem você sabe!
 
-O senhor se certificou de tudo mesmo, né?-Falou isso e deu as costas para o sogro, e saiu.
 
-Não pense em fugir, você se casou com uma das minhas filhas, não me decepcione, ou vou esquecer que é filho do meu compadre! – Interrompeu seu trago e berrou o velho em tom ameaçador, no meio de um trago.
 
Totõe não tinha saída, pensou de todo jeito e viu que estava encurralado. Foi quando se lembrou do padre. Será que ele estava envolvido nisso?
 
Foi a pé até a igreja, que não era muito longe dali. O padre parecia que o estava esperando.
 
-Padre, o senhor já ficou sabendo? O senhor já sabia? – Perguntou Totõe, engasgado.
 
-Meu filho, todo mundo já sabe do acontecido. Quem veio marcar o casamento foi Seu Joaquim, eu nunca soube mesmo diferenciar as meninas, nomes parecidos. Agora você está casado perante Deus, só a morte pode separá-los. - Até o padre sabia que o casamento já fora consumado. Mas que casamento? Em casa, aquela “estaca azeda” o estaria esperando. Totõe ficava com náuseas só de lembrar que teria que aturá-la até que a morte os separasse.
 
Totõe foi para a casa do pai e o que ouviu dele, já sabia:
 
-Casamento que Deus faz só a morte separa se ao menos você não tivesse... Mas você é como eu, não pode ver mulher!
 
O que restava a Totõe era ficar com a azeda e pensar na doce... E assim o fez. O casamento durou dez anos. Maria foi feliz, apesar de nunca ter tocado no assunto com o marido. Foi ela quem se lembrou de dizer ao pai que não se casa uma filha mais nova antes da mais velha. O pai que atendia a todos os seus caprichos, não se importou com o amor. E atendeu ao capricho da filha, por conveniência, pois Mariana a mais nova, poderia casar com algum político da capital, e Maria já estava passando da idade de arrumar um bom partido.
 
-Ninguém se casa por amor mesmo, compadre! – Foi umas das frases que Seu Joaquim usou para convencer Seu Bento, e os demais.
 
          Mariana voltou à fazenda poucas vezes durante esses todos esses anos, e evitava ficar a sós com o cunhado, sabia que ele também não a tinha esquecido. Sebastiana, irmã de Totõe se casou com Quinzinho, e Maria morreu no parto da segunda filha.
 
Mariana não se casou o pai lhe arrumava pretendentes e ela sempre via algum defeito que o fazia desistir.
 
Apesar de ser uma estaca de arame farpado, Maria fazia de tudo para agradar Totõe, que acabou se acostumando com seu azedume, e de certa forma a fez feliz. Vale acrescentar que ele abandonou as visitas ao rio no dia da lavação de roupa e também a as visitas nas casas das agregadas.
 
Já viúvo, depois do luto, deixou as filhas aos cuidados da irmã e do cunhado, e foi procurar Mariana, sabia que ela nunca o dera esperanças, mas que continuava linda e doce...
 
Aos depois os dois se casaram em um altar erguido debaixo da mangueira. Ele só fez um pedido:
 
-Não use véu no rosto, Mariana.
 
Autora: Meire Boni - Bela Vista de Goiás/GO
 
Publicação autorizada pela autora


1-       Carrinho de loba: brinquedo muito comum entre as crianças da época uma espécie de carrinho feito através da junção de três frutas de lobeira, arbusto comum no cerrado, através de um eixo, e com um cabo que servia para empurrar o brinquedo ladeira abaixo.