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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Porque as pessoas se amontoam nas capitais? - Autor: Zéduardo

Até hoje, mesmo com tanta violência, toda capital tem esse privilégio. A criança cresce um pouco e escuta que lá na capital do estado ou do país tem mais chance de crescer. Lá, depois de dormir sozinha, comer um bife duro ou um ovo podre, ganhar uma cantada de um colega de quarto, começa a valorizar mais a vida. Então, como existe a estatística, todo ser humano que passou pelo menos dez anos numa capital de qualquer lugar é mais experiente e menos provinciano. Até hoje me pergunto quem nasceu primeiro: a capital do estado ou o capital do capitalismo. Andam juntos, angariados por políticos que tentam trazer do interior, através de falsas fantasias, pessoas que realmente tem alguma coisa para dar. É como se cada virgem que chega na capital fosse mais uma árvore plantada na nascente de seu rio cheio de lama. Chegam simplórios, humildes e com o decorrer do tempo se transformam em um deles. Outra falsa vantagem de um jovem se mudar para a capital é a liberdade, longe dos olhares sempre protecionistas dos pais e da sociedade do interior, que sempre tem menos o que fazer e se preocupa mais com a vida alheia.


De jovens viram pais, avós, tataravós e não conseguem retornar ao seu lugar de origem. Conheci muita gente que nem se lembrava do rosto da mãe. “Esmiudada, muito doente, talvez já tenha morrido.” Muito triste.

Escrevo isso porque vi uma reportagem dizendo que na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, um só ser humano tem no máximo, 4.7 metros quadrados para viver. Para quem é ruim em geometria é a mesma coisa que viver com os braços abertos e pronto. Se soprar muito forte estará invadindo o espaço do outrem.

Será que quantidade é melhor que qualidade? Sei que os políticos responderiam no quesito quantidade, mas eu, como ser humano? Responder o quê? Todo mundo é humano.

Meu “inimigo” da internet responderia que todo mundo procura seu próprio caminho. Sei não. Não nasci lá para dizer alguma coisa. Se tivesse nascido lá, se fosse um herói que conseguisse escrever alguma coisa, escreveria o quê? Meus dedos estariam dormentes.

Autor: José Eduardo Antunes - Boa Esperança/MG
Publicação autorizada através de e-mail de 24/03/2012

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Casamento - Autor: José Eduardo Antunes

O Brasil globalizado de hoje faz com que os casamentos acabem logo. O casal, sempre metralhado por notícias de corrupção, falta de emprego, falta de dinheiro para comprar o bem desejado; sempre a televisão comandando a moda, no bonzinho ou no ruinzinho fazendo nas novelas fictícias um falso exemplo de vida real. De repente o marido começa ir para o boteco “discutir futebol” ou para as “quebradas”. A mulher, também estressada, acha na traição a salvação de seus tormentos. Só tanto ele como ela não sabem que a outra ou o outro são instrumentos da mesma filosofia.
Como se diz no popular: Casamento é igual quebra molas; um mal necessário. E é verdade. Quando estamos só ficamos parecendo uma abelha perdida do enxame. Principalmente os homens, que na grande maioria perde a guarda dos filhos. Com raras exceções conheci algum homem que se separou e não afundou na vida, tanto física como financeiramente.
Independente desse pormenor, deveríamos cultivar mais o casamento porque sei que não é fácil. O dia a dia juntos nos faz cépticos com a gente mesmo. Se não tiver uma injeção de amor no dia a dia, viramos inimigos irmãos. Daí vem a idiota idéia da traição. O longe fica mais belo, o perigoso fica mais atraente, como se a gente não soubesse que se juntar com a amante ou amante, os quebra molas virão novamente e talvez com mais freqüência.
Termino esse artigo com a frase de um grande amigo que quando viu que seu casamento estava por um fio, chegou perto de sua mulher  e disse: “Olha aqui mulher, nós nem parentes somos! Se a gente acabar com nosso casamento vai ser ruim para todo mundo, inclusive para nossos filhos. Porque não tentamos o seguinte: Ninguém é igual, então você aceita meus defeitos, eu aceito os seus e quem sabe depois da gente acostumar viver desse jeito possamos  nos amarmos novamente”.
Autor: Zeduardo - Boa Esperança/MG
Publicação autorizada por escrito pelo autor da obra