domingo, 2 de março de 2014

A Saga de um Pedro – Impressões de Leitura

Autora: Marina Alves

Carlos, acabo de ler “A Saga de um Pedro” e corro pra escrever, ainda sob a emoção da leitura, um pouco das impressões que me deixou esta obra maravilhosa. Este livro foi escrito com o coração, tenho certeza. Qualquer leitor com o mínimo de sensibilidade não ficará imune a toda essa prova de amor e vida aqui descrita em palavras. Ri, chorei em muitas partes, e depois que fechei a última página fiquei, por muitos minutos, profundamente emocionada.
Gostaria muito que seu pai ainda estivesse por aqui, para dizer-lhe o que me despertou em emoção conhecer um pouco da sua História. E que História, meu caro amigo! Acho que você conseguiu algo maravilhoso: captar nos mínimos detalhes toda esta saga intensamente vivida por seu pai. Penso que o Cinema teria material de sobra pra produzir um belíssimo filme sobre a vida deste cidadão memorável Seu “Zé das Máquinas”, figura, com toda certeza, ímpar.
Não é todo dia que se encontra um Pedro igual ao que encontrei nestas suas linhas! Fiquei impressionada com a trajetória e a movimentação deste nosso personagem vivo, intensamente vivo, em cada decisão, em cada iniciativa, em cada momento da vida. Destemido, corajoso, ávido por viver, sempre a recomeçar, sempre a continuar, sempre lutando pelo que queria, como no caso do casamento com dona Celeste. Creio, meu amigo, que poucas pessoas na vida tenham experimentado tudo do que ele foi capaz. Que legado pra vocês, a presença desse homem tão especial, à frente do seu tempo, inteligente, sagaz, empreendedor, a viver seu espírito livre e aventureiro, sem se prender às convenções, buscando ser feliz a qualquer preço.
Como você bem disse, ao se referir ao livro, um homem com seus problemas, dificuldades e falhas, mas um homem que buscou o tempo inteiro os seus caminhos, ainda que isso tenha significado também muitos desvios. Bacana demais a fé em Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que no pensamento dele, era quem o guiava. Daí, a certeza de que havia naquele coração fervoroso a vontade de acertar, mesmo quando tudo dava errado. Percebi no caráter singular, o grito do homem que primava pela justiça e não se deixava calar ante preconceito ou tratamento desigual que lhe ferisse a dignidade.
Saindo de uma comunidade pequena, ganhando o mundo, percorrendo as grandes metrópoles, fazendo de um tudo, Seu Zé não teve medo do trabalho e das adversidades. Tanta gente tem medo de tudo. Nasce e morre sufocado no mesmo lugar, com receio de enfrentar mudanças! Isso nunca foi coisa pra ele, não é? Fiquei admirada daquela coragem toda. Em tempos tão diferentes dos atuais, nada representava empecilho para quem sabia o que queria. Não mediu distância, nem o desconhecido, para ver o mundo de perto e correr atrás do que queria: no fundo apenas buscar o melhor para si e a família. Tanto que nunca abriu mão desta família, sempre seu porto seguro, e para a qual sempre retornava.
Sinceramente, acho que este homem que foi seu pai (e continua sendo, vivo à sua maneira) não poderia jamais ficar sem ter sua vida registrada. Ainda bem que isso foi feito com toda a sensibilidade e habilidade literária deste filho, Carlos Lopes, que muito teve para contar através do próprio pai. Agora fica ainda mais evidente o sentimento que o invade como filho, quando já não o tem mais ao seu lado. A força e vontade de viver que Seu Zé trazia consigo eram realmente incríveis.
O livro está muito bem escrito, com um quê de fidelidade impressionante, preservando as expressões, conservando a originalidade dos acontecimentos, trazendo a riqueza deste glossário que é um mundo de conhecimento. Só posso dizer que você me deu um presente imenso. Para quem gosta de ler, o maior presente é ser surpreendido pela emoção. E você conseguiu (profundamente) fazer isso.
Parabéns ao Seu José por ter cumprido seu destino com luta e amor, e por isso mesmo ter merecido tão bela homenagem; parabéns a você por tê-la escrito de forma tão bela, parabéns aos amigos, Celêdian e Carlos Costa que deram um toque perfeito ao, respectivamente, apresentar e prefaciar essa obra que certamente fará parte da História dos Pedro e de todos que tiverem o privilégio de conhecê-la. Impossível não se deixar arrebatar pelo fascinante universo desta história real que, com toda honra e orgulho, é a sua história e a de sua família.

Autora: Marina Alves - Lagoa da Prata/MG

Página da autora:

http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=64920

Publicação autorizada pela autora





11 comentários:

Carlos A. Lopes disse...

Hoje ao chegar ao meu interior por ocasião da semana santa vi o texto da amiga Marina Alves sobre o meu modesto livro A Saga de um Pedro. Imediatamente convidei minha mãe, minha irmã e o meu sobrinho e li o texto em voz alta para eles. De minha parte me contive e disfarcei em algumas ocasiões pois não gosto de derramar lágrimas em público; quanto a minha mãe esta não conteve as lágrimas. Meu pai está fazendo muita falta a todos nós, sentimento que sei que outras pessoas sentem quando vivem uma situação de perda. A você amiga o seu texto será eterno para nós e por isso só temos que lhe agradecer por mais este gesto de gentileza da sua parte. Um abraço.

Celêdian Assis disse...

Marina, ao ler sua maravilhosa resenha, a intensidade com que você expressa a emoção de quem viveu intensamente a leitura, absorvendo dela cada nuance da veracidade dos sentimentos que estão latentes ao longo de toda a narrativa, fizeram-me igualmente emocionada, ao relembrar a minha primeira leitura da Saga de um Pedro, bem lá no início, ainda na fase de gestação. Hoje, diante da dor da perda de nosso amigo Carlos e de sua família, fica ainda mais evidente o quanto a saga de Seu Zé das Máquinas foi marcante em suas vidas e quanto é verdadeiro o que você descreveu muito bem " Sinceramente, acho que este homem que foi seu pai (e continua sendo, vivo à sua maneira) não poderia jamais ficar sem ter sua vida registrada. Ainda bem que isso foi feito com toda a sensibilidade e habilidade literária deste filho, Carlos Lopes, que muito teve para contar através do próprio pai.". Por toda a fidelidade com a qual você descreveu a sua emoção, esse texto é realmente esplêndido e creio eu que, para o escritor, nada seria mais gratificante e acrescento que Carlos merece, indubitavelmente, toda a nossa admiração.

Obrigada pela referência à minha apresentação, a qual fiz com grande prazer e como você o faz em sua resenha, com muita emoção.

Ao meu amigo Carlos, parabéns por essa belíssima e merecida homenagem e além de toda a gratidão que lhe tenho, a minha eterna admiração.
Um abraço carinhoso para ambos.
Celêdian

Carlos Costa disse...

MARINA ALVES, COMO APRESENTADOR DESSA OBRA MAGNÍFICA, ASSINO EMBAIXO SOBRE TUDO O QUE VOCÊ ESCREVEU, COLEGA. O CARLOS LOPES FOI ALÉM DO QUE ELE PRÓPRIO IMAGINA, E SE SUPEROU, PEGANDO DETALHES DO SEU "ZÉ DAS MÁQUINAS" QUE RECEBEU ESSA OBRA AINDA EM VIDA. FIQUEI EMOCIONADO TAMBÉM, COLEGA, COM A BELA DECLARAÇÃO DE AMOR QUE VOCÊ DECLAROU AO COMPANHEIRO CARLOS LOPES!

Angeline Nascimento disse...

A SAGA DE UM GUERREIRO...tu também meu querido chefe/amigo és um guerreiro! Admiro-te demais pelo ser humano que poucos entendem que tu és, esse teu jeito truculento de nos falar na forma mais inusitada que nos gosta te AMO! Obrigada por ser meu chefe!

Anônimo disse...

Carlos, dizem que é muito bom poder terminar a leitura de um livro do qual se gostou demais e ter a oportunidade de dizer isso ao autor. Certa vez, no tempo das cartas, tive vontade de escrever ao Jorge Amado dizendo a ele o quanto tinha gostado de um dos seus livros que acabara de ler. Não o fiz, pois não tinha a menor ideia de como fazê-lo. Os tempos mudaram e aqui estamos podendo ter essa chance. Foi ótima a leitura de "A Saga de um Pedro", foi ótimo poder lhe fazer saber disso. Que bom que estamos crescendo a cada dia neste nosso universo Literário, encontrando novos nomes, trocando nossas impressões com os amigos, divulgando nosso trabalho, conhecendo o trabalho do outro. Obrigada pela publicação destas impressões, e tomara que venham outras. Abraço da Marina.

Anônimo disse...

Obrigada, Celêdian, por toda a atenção e carinho dispensados às minhas modestas impressões aqui publicadas pelo Carlos. Gostei demais da apresentação que fez em "A Saga de um Pedro" pois acho que captou com perfeição a proposta da obra. Ficou tudo ótimo, do começo ao fim. Foi uma leitura muito boa que me emocionou demais, e sabemos o quanto é especial (e nem sempre comum) a obra capaz de mexer com a emoção do leitor através das palavras. Parabéns a todos vocês que fizeram parte deste projeto. Um abraço da Marina.

Anônimo disse...

Obrigada, Carlos Costa, pelas palavras gentis e carinhosas. Também só posso parabenizá-lo pelo belo prefácio que, com certeza, representou um motivo a mais para instigar o interesse do leitor. Acho que Carlos Lopes foi muito feliz em suas escolhas para acompanhá-lo neste belo projeto. Que venham outros e que todos nós possamos ganhar com isso. Realmente um belíssimo trabalho desta turma muito competente. E Seu Zé, com toda certeza mereceu esta bela homenagem, da qual ainda pôde desfrutar com vida e saúde. Missão cumprida! Parabéns a todos que fizeram parte desta história. Abraço da Marina.

Carlos A. Lopes disse...

De tanto o amigo Carlos Costa dizer-me que não tive ideia da dimensão do meu livro só agora percebi que ele estava certo. Vou editar uma segunda edição primando pela lapidação para que o resultado seja melhor ainda, sobretudo porque quero incluir um último capítulo: a morte do personagem. No entanto, a maior glória do modesto trabalho é saber que o homenageado leu seu próprio livro em vida. Este é o meu maior conforto. Ele autografou o seu próprio livro para muitas pessoas lá mesmo no hospital, esta foi uma forma de incentivá-lo a continuar aguentando o dia a dia de um hospital. O livro conta a história do meu pai e ajudou ele a se confortar com minutos de fama no final de sua vida. Ele adorava autografar o livro... Isso não tem preço! E agora numa outra dimensão o livro continua a lhe render homenagens, desta vez, a de vocês que estão relembrando as coisas dele... Onde quer que esteja ainda está vivendo seu momento de fama. Obrigado a vocês, carinho de amigos não tem dinheiro que compre.

Maria Mineira disse...

Belo texto! Desde o ano de 2.013, quando li o livro tive a certeza que era um dos melhores que Carlos Lopes havia escrito. É sem dúvida uma bela homenagem ao Senhor José. O melhor é que ele teve oportunidade de saber o quanto foi, é e sempre será querido e admirado por toda a família e também pelos amigos de seu filho. Abraço a todos e parabéns à comadre Marina!

Helena Frenzel disse...

Ainda não li A Saga de um Pedro, mas acho que estou para receber o meu exemplar pelo correio. Carlos, onde quer que esteja, seu Pai deve estar curtindo esse momento como você. Tem gente que não acredita numa continuação além dessa vida, mas eu sim. Até mesmo porque já estive do outro lado e me mandaram voltar, por certo para encontrar com pessoas como você, que acreditam e lutam por um ideal. Marina, que palavras gentis e verdadeiras. Eu agradeço muito ao Carlos ter me dado a permissão para editarmos juntos um Ebook com alguns de seus textos para o Quintextos. Sempre me lembro daquele verso que diz que um profeta não é valorizado na sua terra natal, é mais fácil um estrangeiro perceber as riquezas de um povo do que o povo mesmo e acho que muitos brasileiros, desde a época de Lima Barreto, seguem desprezando o que o Brasil tem de mais rico: a sua gente e suas histórias e continuam perseguindo um tipo de literatura feita para elites, uma literatura sem cor, morta e repetitiva, na minha opinião. Por isso admiro pessoas que, como Carlos Lopes, têm garra para passar suas histórias adiante sem grandes pretensões. Espero que meu exemplar não demore, assim poderei falar também das minhas impressões. Abraços a todos os colegas aqui do Gandavos, tudo de bom e sigam contando histórias!

Carlos A. Lopes disse...

Obrigado, amiga Helena Frenzel, como sempre muito centrada.
Helena, entendo que Santo de casa não faz milagres considerando alguns fatores, destaco dois: Inveja (já que quem pode propagar sua obra o faz muitas vezes de forma contrária); segundo porque são exigentes demais, muito mais que eles próprios podem alcançar. Quando comparam seu feito buscam verdadeiros gênios (Machado de Assis, etc, etc...). Ao contrário, leitores de outras regiões buscam o que há de melhor naquele trabalho, mesmo percebendo as imperfeições. No meu caso, desde o início, não contei com o público do meu lugar evitando perder o estímulo. Não me arrependi, até agora.