sábado, 17 de setembro de 2011

Com que roupa eu vou - Autora: Zélia Maria Freire




Ora, pois, cá penso...Depois do gesto insultante da luva no meu rosto, não me restava outra alternativa, a que não fosse de me bater em duelo. Mas espera ai, com que roupa eu vou? A caráter? Fantasiada de esgrimista? E as armas... Florete, sabre ou espada? E os padrinhos? Ai!– que me perdoe a expressão chula, canhestra - mas vou mandar aqui um ai que saco!!! Melhor não ir... ou ir...? Afinal, nada vale a pena quando a alma é pequena... Ou eu troquei as bolas ... é tudo vale a pena quando a alma não é pequena? Cadê o mano Caetano para me tirar a dúvida, já que o Pessoa foi-se.

Confesso, sem falsa modéstia, que, nada mais admirável na minha pessoa do que o meu fair play... ou flair play? Dirime a dúvida aí Marília Paixão, já que és versada na língua do monstro sagrado que pôs na boca do Hamlet a célebre frase: To be or not to be, that’s the question (  que mania pedante esta minha de citação! ). Mas, como eu ia dizendo... ou ia dizer...? primo por um comportamento civilizado entre os humanos, inclusive os animais, e assim sendo, não vou duelar, estou sabendo de uma festinha à fantasia  na casa de um casal amigo meu e é pra lá que eu vou. E mais uma vez me pergunto: com que roupa eu vou?

Autora: Zélia Maria Freire - Natal/RN
Publicação autorizada por escrito pelo autor da obra

2 comentários:

Nêodo Ambrosio de Castro disse...

Olá Zélia, gostei da brincadeira que faz com suas citações. Muito bem pensado. Acho que vou copiar. Brincadeirinha.
Mas quando citou Fernando Pessoa, deu arrepio e me lembrei desta poesia. Tive que interpretá-la, em uma de minhas avaliações. Mas foi gostoso. Parabéns pelo belo texto. Abraços fraternos.

Patricia disse...

Zélia, li todas as suas crônicas do blog ... como faço para adquirir livros seus?