segunda-feira, 14 de março de 2016

Um Amor interrompido pelo preconceito

Autor: Geraldinho do Engenho

O amor é o sentimento mais importante e sublime entre todos os seres criados por Deus. Sejam racionais ou irracionais. Ele pode ser impedido de se realizar entre duas pessoas que se amam, mas sua magia nunca morre. Sua essência é divina e perene, cedo ou tarde em parceria com o destino, poderá entrar em ação corrigindo uma injustiça cometida.
Olívia, ou melhor, Livinha como carinhosamente era conhecida, sofreu um terrível golpe quando seu pai despediu a família de Alfredo, seu grande amor. Percebendo o grande afeto que a filha única nutria pelo filho do empregado, o poderoso coronel tratou logo de arquitetar a separação. Fundamentado no dizer popular "antes que o mal cresça corte sua cabeça”, decidiu que este deveria ser transferido para seu longínquo latifúndio. Colocaria assim, milhares de quilômetros entre os dois jovens.
Naquele sertão remoto os dois jamais se encontrariam. Alfredo sabia de suas limitações. Ficou amargurado, mas obediente seguiu os pais que recusaram a proposta do coronel de se mudarem para o sertão. Tornaram-se nômades, de fazenda em fazenda pelo sertão afora. Trabalharam vários anos até decidirem tentar a vida na cidade grande.  
Alfredo, com sua simpatia e carisma, não tardou conseguir um bom emprego. Iniciou como servente de pedreiro numa grande e conceituada empresa. Em pouco tempo destacou-se, subindo de posição e passando a supervisor. Logo se casou, dando-se bem na vida, deixando no passado aquele amor impossível.           
Livinha também casou-se com um rico empresário escolhido pelo pai. Apesar de não amá-lo, honrou seu casamento. Obedecendo ao princípio que a posição familiar exigia. Mas uma peça pregada pelo destino interrompeu sua tentativa de ser feliz no matrimonio... O avião em que o marido viajava sofreu uma pane, caiu na floresta e ninguém se salvou. Grávida, na tentativa de ser feliz, Livinha apegou-se àquele bebê como sua tábua de salvação na tentativa de ser feliz.            
Nasceu uma linda menina; contrariando a expectativa do avô ansioso por um rebento para dar seqüência ao seu orgulho machista. Apesar dos pesares engoliu seu preconceito e criou-a, cercada de conforto e mimos como uma verdadeira rainha. “Neide seu nome, em homenagem a sua avó”.
Estudando nas melhores escolas custeadas pelo avô, a garota correspondeu. Sempre a melhor da classe em todas as matérias, fez o colegial, prestou vestibular e ingressou na faculdade.
Dedicada aos estudos cursando medicina conheceu Joel, um jovem médico, professor recém formado que a faculdade não abriu mão, após sua formatura. Requisitando-o para lecionar, em se tratando de um superdotado.   
Desde os primeiros contatos, os dois jovens notaram uma atração muito grande um pelo outro. Entre ambos havia algo incomum, além da relação de aluno e professor.            
Enamorados, tornaram-se perdidamente apaixonados. Por ocasião das férias, Neide comentou com o avô e a mãe sobre seu namoro. Enciumado, logo o velho coronel quis fazer oposição sobre a escolha da neta, querendo impor, julgando-se com poder absoluto na sua escolha. No que foi contestado por Livinha, dizendo que sua história jamais iria repetir-se com a filha.
Os tempos mudaram e a escolha não caberia mais a eles e sim a própria filha. Argumentou Livinha. Extremamente nervoso e irredutível na sua imposição, o velho que há tempos andava mal do coração, sofreu um enfarto vindo a falecer.  A neta sentido-se culpada, foi consolada pela mãe que lhe contou sua história com Alfredo, o grande amor de sua vida, renunciado por imposição do velho. Motivo pelo qual, recusara inúmeros casamentos arranjados e propostos por ele após sua viuvez.
Retornando aos estudos, Neide comunicou a Joel sua decisão em colocar um fim no romance, devido ao remorso pela morte do avô. O que logicamente não foi aceito pelo namorado. Mostrando-lhe sua isenção de culpa na morte do velho.
O tempo correu rápido e chegou o tão sonhado dia da formatura. Neide aguardou ansiosa pelo encontro das famílias. Parecia prever que algo sublime estava por acontecer. Apesar de já conhecer o pai de Joel que praticamente foi pai e mãe ao mesmo tempo, pois perdera a esposa quando o filho ainda uma criança, cursando o primário.
Terminada a cerimônia de formatura, chegou o tão esperado momento de os pais se apresentarem e se conhecerem. E qual não foi à surpresa quando Joel disse à futura sogra, com quem tivera apenas raros contatos.
—Dona Livinha este é Alfredo meu pai.  —Pai esta é Dona Livinha, minha futura sogra, de quem Neide tanto tem lhe falado.
Frente a frente, o casal emudecido pela emoção se abraçou e não resistindo os impulsos do amor que falou mais alto. Seus lábios se uniram num longo beijo de amor —, o único de sua vida, até aquele momento. Teria inicio o mais lindo romance, depois de decorridos anos de separação.
Boquiabertos o casal de filhos logo entenderam que o amor e o destino também trabalham em silencio, desempenhando o papel de cupido.
Alguns meses se passaram e a centenária fazenda do coronel, registrava a maior festa de sua história. A celebração de dois casamentos promovidos pelo amor e o destino. Eternizando a felicidade de um casal interrompida pelo preconceito.

Autor: Geraldinho do Engenho
Engenho do Ribeiro - Bom Despacho/MG

4 comentários:

marina Alves disse...

O que o destino marca ninguém pode mudar. Uma história de amor para provar. O conto está ótimo, com relevante destaque para o desfecho. Parabéns ao autor!

Anônimo disse...

Muito bom texto, perfeitamente dentro dos parâmetros do concurso. Leitura agravável e final surpreendente. Parabéns a quem o produziu.

Alberto Vasconcelos

Denise Coimbra disse...

O texto me emocionou. Tão verdadeiro e belo como a vida e o amor o são! Parabéns ao autor.

Anônimo disse...

Estive por aí...Permita-me escritor Geraldinho,além de lindo conto,o texto revela também uma história envolvente no amor.Parabéns...17/03/2016.João Batista Silva