sexta-feira, 20 de maio de 2016

Entrevista: Carlos Costa

Carlos Costa


¨Escrever não pode ser somente colocar palavras no papel. Escrever é uma arte. É uma forma de espalhar conhecimento e formas de pensar. Tudo o que se escreve tem um propósito. Escrever é tornar os sonhos reais, ou seja viajar pelo mundo da imaginação traçando veredas, desvendando mistérios. Ao brincar com as palavras corremos o risco de descobrir quem realmente somos!¨

Carlos Costa é jornalista, assistente social, ex-professor universitário de serviço social, aposentado por invalidez desde novembro de 2009, autor de 13 obras. Nascido em Manaus, AM, em fevereiro de 1960. Foi criado na comunidade de Varre-Vento até os 8 anos e retornou para Manaus a fim de continuar seus estudos no grupo Escolar Adalberto Valle, onde começou a escrever no jornal escolar O PIRILAMPO, criado pelos próprios alunos e mimeografado. Era distribuído de graça aos alunos.

1 - Quando e como surgiu seu interesse pela leitura e escrita?
Carlos Costa -  Aos 14 anos, no curso de 1º a 4º série, quando comecei a escrever poesias no jornal mural da Escola O Pirilampo.
2-   Quais foram seus livros preferidos quando era criança e os livros favoritos atualmente?
Carlos Costa -  Lia de tudo na época, de Tio Patinhas, Tarzan, Texas Ranger, Recruta Zero, Zé Carioca à coleção aos livros escritos por Santilana, da espiã Brigith Montefor. Mais tarde, na quinta série, adquiri a coleção dos GRANDES ROMANCES HISTÓRICOS, editado pela Roder’s Digest de uma professora de biologia do Ginásio Dorval Porto, editado pela Rodder’s Diges’t e comecei a ler os clássicos e agora, leio os filósofos.   
3 - Quais escritores são suas fontes de inspiração?
Carlos Costa -  Rubens Braga, Paulo Mendes Campos e as crônicas de Carlos Drumond de Andrade e de Vinicius de Moraes. Em determinado tempo da minha juventude, era conhecido como seguidor e era chamado escritor “rubensbraguiano”
4 - De que forma o conhecimento adquirido, seja pelo senso comum, ou pelo meio acadêmico,  ajuda na hora de escrever?
Carlos Costa -  De todas as formas. A crônica é a colorização de uma foto antiga em preto e branco. Com as palavras certas, nos locais certos, tudo dá uma boa crônica.
5- Segundo o escritor Rubem Fonseca, “a leitura, a palavra oral é extremamente polissêmica. Cada leitor lê de uma maneira diferente. Então cada um de nós recria o que está lendo, esta é a vantagem da leitura". É isso mesmo? Concorda com essa proposição?
Carlos Costa -  O universo do autor se revela quando  escreve, porque escrever é uma arte e os escritores são artistas que pintam com palavras coloridas o que se via em preto e branco. Nenhum escritor cria do nada. A crônica tem a magia de ser atemporal. Ela pode ser lida hoje e se for boa, daqui a 20 anos ela continuará atual. Toda obra literária tem por trás o próprio universo escondido do autor, mesmo em ficções, elas são um pouco de realidade.
6- Ainda segundo o Escritor Rubem Fonseca: “um escritor tem de ser louco, alfabetizado, imaginativo, motivado e paciente.” É o suficiente para ser um bom escritor? 
Carlos Costa -  De sábio e de louco, todo escritor tem um pouco. Mas é preciso saber usar as palavras no tempo certo e não se tornar chato com rodeios desnecessários. Alfabetizado, imaginativo, motivado e paciente são necessários para ser um escritor. Mais a boa palavra escrita de forma correta e com seu sentido exato, mostra a perfeição de um texto de crônica.
7 - Para qual público se destina sua criação?
Carlos Costa -  Todos os públicos. Não tenho um público específico. Muitas vezes escrevo um texto bom para mim, mas o leitor não gosta. Outros, não gosto, mas os leitores gostam. Isso é complicado para mim, até hoje. Embora o blog carloscostajornalismo tenha mais de 300 acessos por dia e um total de 243 mil acessos em três anos, sem qualquer propaganda ou divulgação, não sei para quem escrevo e sinto falta dessa interação com os leitores.
8 - Como funciona o seu processo de criação? Quais sãos suas manias (ritual da escrita)?
Carlos Costa -  Às vezes tomo remédio para dormir e começo a pensar no que escreverei ao acordar. Às vezes consigo fazer de primeira, outras vezes deixo por terminar e depois o texto. Enfim, não tenho um ritual único para escrever. Sempre escrevo de uma coisa boba porque o importante não é a inspiração é como se coloca no papel a inspiração que se teve.
9 - Em geral, os seus personagens são baseados em pessoas que você conhece, ou são ficcionais?
Carlos Costa -  Já usei muitos nomes de pessoas que conhecia no início de minha carreira, em 1978, quando comecei a escrever crônicas no JORNAL A NOTÍCIA, na coluna domingueira CRÔNICAS DE CARLOS COSTA, ao lado de Chico Anísio e Guido Fidellis. Depois, passei a criar personagens imaginários, mas sempre escrevo o que quero e como quero...Não gosto de escrever contos e em toda minha vida, só escrevi um, mas tenho romances de ficção e realidade publicados no blog carloscostajornalismo.
10 - No seu processo de criação já atravessou alguma crise de falta de inspiração?
Carlos Costa -  Sim, chamo essas crises de “diarréia mental”. Quando estou com ela, nada escrevo. Até porque tenho diarréias constantes devido aos remédios que tomo para fingir que combato as bactérias hospitalares que se apossaram de meu cérebro em 2006, durante cirurgia para tratar de empiema cerebral, para que as bactérias não me matem antes que eu morra.
11 - Você tem outra atividade, além de escrever?
Carlos Costa -  Fui professor de Serviço Social na Faculdade e diretor regional do SEST/SENAT em Manaus, mas estou aposentado por invalidez desde novembro de 2009. Sou formado em comunicação social e serviço social.
12 - Você faz parte das Coletâneas Gandavos. Qual a sensação de participar ao lado de escritores de várias regiões do país?
Carlos Costa -  Desde o primeiro número, sempre participo. O desafio mais difícil que enfrentei foi quando fui desafiado a produzir um Conto e consegui. Mas foi difícil! Muito difícil mesmo. O conto é complicado. A crônica é a descrição colorida de uma imagem que se via em preto e branco, só com a força das palavras.
13 - O financiamento coletivo e a publicação independente têm se mostrado a opção das publicações Gandavos.  Quais são os pontos positivos e negativos desse tipo de publicação?
Carlos Costa -  Só participo hoje na Coleção Gandavos, embora tenha sido solicitado a participar de várias outras Antologias também.
14 – Você já fez publicação de livros sozinho, seja impresso ou virtual? Quais e como o leitor pode adquiri-los?
Carlos Costa -  Hoje, não, mas fiz algumas publicações. Especificamente o livro O HOMEM DA ROSA, lançado em 1978 na Bienal Internacional do Livro, no RJ, era um monólogo e foi transformado em livro e alcançou tanto sucesso que foi indicado ao prêmio Jabuti de 1979. A Editora era pequena e não quis arcar com todos os custos. O livro foi escrito para eu mesmo lê-lo depois e vê-lo em monólogo na voz do ator David Almeida, um dos melhores atores de monólogo de Manaus na época.
15 - Qual mensagem você deixaria para autores iniciantes, com base em suas próprias experiências.
Carlos Costa -  Nunca desistir, participar de concursos, expor seus trabalhos à crítica, melhorar e ler muito.

5 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns Carlos Costa. Gostei muito de "ouvir" a sua versão sobre a arte de escrever. Parabéns a Carlos Lopes pela iniciativa. abraço

Alberto Vasconcelos
Santo André/SP, 21/05/2016

Maria Mineira disse...

É sempre bom saber dos motivos, opiniões e sugestões de cada escritor. Tudo isso nos serve de incentivo. Parabéns, Carlos Costa!

Willes S. Geaquinto disse...

Ótimo Carlos, escrever é uma aventura. Gostei também da referência ao meu conterrâneo Rubem Braga, também sou rubembraguiano.

Ana Bailune disse...

Parabéns ao jornalista Carlos Costa pela sua bem sucedida carreira! Parabéns a Carlos pela entrevista.

Anônimo disse...

Parabéns Carlos Costa, bom conhecer os "gandavianos"! Abraços, Michele