sábado, 29 de outubro de 2011

O côncavo e o convexo - Autor:José Cláudio Cacá

“Se queres escrever para o mundo, então canta a tua aldeia.” ”Se queres ser universal, então começa por pintar a tua aldeia.” Estas e mais algumas versões livres foram adaptações de um pensamento de Tolstoi, um escritor muito além de seu tempo. A pessoa começa a se tornar imortal por esse caminho. Não estou dizendo somente se tornar imortal falando de sua aldeia, mas de ser à frente do seu tempo também. Muitas elaborações mentais levam seus produtores a serem chamados de visionários. São na verdade, pessoas que olham com olhos de lince o que as pessoas à sua volta costumam olhar com viseira. Como desvirtuam do senso comum, acabam sendo proscritos, marginalizados pelo ridículo da ousadia ou, dependendo da cultura onde vivem, sendo ungidos pelos óleos da reverência subserviente ou da bajulação. No entanto não deixam de ser especiais, senão creio que a humanidade não caminhava. Não haveria contraponto de idéias, um pensamento único se estabeleceria e seríamos uma civilização de um só rei. Ainda bem que divergimos em muitas coisas e com isso conseguimos ter vários reis. A democracia possibilitou-nos até escolher a qual ou a quais queremos nos submeter. E assim vamos lutando para justificar nossas vidas com bastante autonomia nas nossas desculpas esfarrapadas.

Como não escapo duma idolatria, pelo menos vou escolhendo o melhor possível os meus gurus. Os da insistência comercial da mídia não me atraem nem um pouquinho. Prefiro aqueles dos contra-sensos e por isso, obrigado, Tostoi, pois eu tenho aqueles momentos de querer ficar metido a escrever umas coisas mais complexas, “me achando”, pensando que tudo aquilo que é trivial e corriqueiro já foi dito e acabo quebrando é a cara.

Se eu quiser falar de Deus, oh, meu Deus, quanta incompreensão intolerante tem sido dito em sua pretensa defesa! Falar de amor? Complexo demais, e já aprendi com o Drummond que “amar o perdido, deixa confundido este coração e que as coisas findas, muito mais que lindas essas é que ficarão”. Falar do nosso lugar no universo, já se fala especulativamente por demais, criam-se hipóteses e teses e, a despeito de toda a caminhada a passos largos da ciência, com todo respeito, fico com a definição dos poetas: Evo!

Primeiramente porque eu não tô com essa bola toda de querer complexificar a vida e em segundo lugar, é do comezinho, é do cotidiano, da observação apurada e da vivência trágica ou serena que brotam os mais interessantes conhecimentos e prazeres.

Falar das coisas simples, eis a grande sacada. Então  junto o convexo  com o côncavo no sentido de concha e me conforto na literatura mais simples que eu conseguir.

Autor: José Cláudio - Cacá - Belo Horizonte/MG

Publicação autorizada pelo autor através de e-mail de 10/10/2011 

O amor traçando destinos - Autor: Carlos Lopes

Todo dia e sempre no cair da tarde, lá estava aquele senhor sentado numa velha e surrada cadeira no terraço. Todos que passavam na calçada o cumprimentavam. Era, em pessoa, o antigo senhor da rapadura, do alfenim e de outras massas de açúcar secas. No entanto, lá estava a se balançar em sua cadeira de balanço. Sempre de olhar perdido no nada, no máximo distribuía simpatias a quem chegava. Enquanto isso, a esposa cuidava dos afazeres lá nos fundos da casa.

Material retirado para compor livro

Dia Nacional do Livro

Encontro em suas páginas:

L iberdade,
I maginação,
V iagens...
R eflexão, renascimento.
O utros livros, espelhos e outras vidas...

"Dia Nacional do Livro", 29 de outubro, em homenagem à fundação da Biblioteca Nacional, que ocorreu em 1810. O primeiro livro publicado no Brasil foi "Marília de Dirceu", de Tomás Antônio Gonzaga, em 1812.


Autora: Vanice Ferreira - Curitiba/PR

Festival de piadas - Autor: Roberto Rêgo

Da última visita que fiz à minha terra natal, o Cedro, parei como sempre no Bar do Jair Breiada, na praça principal, onde se reúnem os velhos amigos da cidadezinha, a começar  pelos  mais antigos, se bem que alguns já viajaram para  os campos superiores.

É lá que a confraria se abraça, ri e chora, saboreia as tradicionais postas de curimatã ensopada com batatas, toma seus goles, fala de futebol, música, mulheres, conta “causos” e as melhores piadas do seu vasto repertório.

Lá por volta do meio dia, a maioria já calibrada, alguém sugeriu uma espécie de torneio de contação de anedotas. Num círculo, o primeiro da turma (o mais velho), Joãozinho Eugênio, contava uma de padre, o sujeito à sua esquerda contava outra, no mesmo tema e assim por diante, no sentido dos ponteiros do relógio, até chegar ao primeiro contador. Caso o cidadão não se lembrasse de alguma piada sobre o tema proposto, seria automaticamente eliminado e saia da roda de amigos. E assim prosseguiram até ficarem sómente três piadistas, o próprio Jair Breiada, o Zé Catarino e este modesto escriba. Lembro-me que para nós três últimos sugeriram piadas sobre o incorrigível “Joãozinho”, sempre lembrado pelas anedotas picantes nas quais ele é o personagem central.

Aí, o Breiada contou a primeira:- “O “Joãozinho”  chegou pra sua mãe e perguntou:- “Manhêee, bunda amarrota? ...” E sua mãe, curiosa:- “Por que você pergunta, “Joãozinho?” E êle, rapidinho:- “Eu ia passando na cozinha e vi o pai falando pra Joana:- “Eita, crioula, qualquer hora dessas eu passo o ferro na sua bunda!” .

Veio o Zé Catarino e emendou outra anedota:- “Joãozinho” foi confessar e disse ao padre que comeu batatinha. Aí, o vigário mandou-lhe rezar três padre-nossos; veio o Zequinha e falou que ... comeu batatinha. O padre, intrigado, deu-lhe penitência branda. E assim todos os meninos da longa fila da confissão disseram ter comido batatinha, até que o último, um mulato gordinho, todo espevitado, ajoelhou-se e antes de falar qualquer coisa o padre lhe disse:- “Não vai me dizer que você também comeu batatinha, né?...”  E  o  moleque  rebateu  de  pronto:- “Não,  seu  padre, eu  sou o “Batatinha”! ...”

Aí chegou a minha vez e lembrei-me daquela em que o “Joãozinho” fazia aniversário e pediu ao pai uma bicicleta, logo no café da manhã. O velho fixou-lhe os olhos, seríssimo e respondeu:- “Prometo a bicicleta, mas só se você ficar de agora até à noitinha sem falar um palavrão sequer, combinado?” – e o pivete concordou.

O dia passou devagar, “Joãozinho” foi à escola, não quis papo com ninguém, evitou as brincadeiras, sempre pelos cantos, mudo, capiongo e macambúzio. Voltou pra casa depois das aulas, enfurnou-se no seu quarto e nem pro jogo da pelada vespertina ele quis sair. Quando seu pai chegou à noitinha, sua mãe colocou os pratos e talheres à mesa do jantar e a prole se aboletou. Dona Rita abriu a tampa de um panelão enorme e o cheiro duma saborosa sopa de macarrão com legumes, a preferida deles, exalou pelos ares, mexendo com as narinas e os paladares de todos. O pai começou a saborear a sopa, a mulher e os filhos o acompanharam e o “Joãozinho”, sempre cuidadoso, curvou-se para a primeira colherada quando veio um casal de moscas voando agarradinhas, em direção ao seu prato e ... tibum, caiu na sua sopa! Aí o moleque jogou a colher pra cima e vociferou, fulo da vida:- “Puta que os pariu, perco bicicleta, perco tudo na vida, mas fuder dentro do meu prato eu não admito! ...”  

Precisa dizer quem foi o campeão desse torneio???...

Autor: Roberto Rêgo - Belo Horizonte/MG

Publicação autorizada pelo autor através de e-mail de 26/10/2011

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Palavras que encantam o mundo... - Autora: Vanice Ferreira


O mundo flutua no Universo, em companhia do Tempo e do Destino. Para não perder o equilíbrio e a esperança de entendê-lo, contamos com as palavras do poeta; “Teus ombros suportam o mundo...”

O artista da palavra encanta e sustenta o mundo, com a força da imaginação, de seus versos e da sabedoria... Com esta emocionante, porém difícil Arte de escrever sobre sentimentos como amor, alegria, saudade e decepção... Ele consegue transmitir a beleza, a dor e a magia que vê refletida em uma lágrima, uma gota de chuva, um raio de sol, um sorriso ou um sonho!

Os ombros que sustentam o mundo são largos, sensíveis e críticos, formados por poetas de diversas nacionalidades, reconhecidos e admirados. Os poetas sentem o peso do mundo, travam duelos com as palavras, com as páginas em branco. Muitas vezes torturando-se com a força e a realidade destas.

Por possuírem e aperfeiçoarem a sensibilidade de observar as pessoas, de conversar com a natureza escrevem versos dando vida, emoção e cor as palavras!

- Homenagem a Carlos Drummond de Andrade (31/10/1902-1987), e  a todos os poetas conhecidos, ou não, que encantam o mundo com suas palavras e ideais.

Autora: Vanice Elizabeth Ferreira - Curitiba/PR

Poema de minha descoberta recente - Autora: Flávia Marques

Agora sei
que não nos pertenceremos jamais.
Que sua boca nunca será minha,
que minha cabeça
nunca descansará sobre teu peito
que suas mãos não me consolarão,
que meus cabelos nunca
deslizarão entre seus dedos.
Agora sei que não te abraçarei
quando te aborreceres,
que não enxugarei suas lágrimas,
que não riremos juntos de nossa escandalosa felicidade.
Agora sei
que meus cabelos não
embranquecerão ao teu lado,
e que não serás testemunha
de minhas caduquices.
Agora sei,
que não teremos netos,
e que nem seremos infelizes juntos.
Não terei de ti o que quero,
não terás de mim o que tenho a oferecer,
e saber disso me enche
de uma saudade
de tudo o que
agora sei
que não viveremos jamais.



Autora: Flávia Marques - Campos dos Goytacazes/RJ
Blog da autora: www.luanaetrintaalmas.blogspot.com/
Publicação autorizada pela autora através de e-mail de 13/10/2011

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Cinéfilo - Autor: Ricardo Garopaba Blauth

Sou um leitor voraz, um otimista incorrigível, adoro documentários da TV paga, teatro de boa qualidade, música , mas acredito que num filme tudo isto, com uma boa história, um roteiro bem feito. um diretor competente e um editor sensível tem-se o prazer completo.

Vou a cinema desde o tempo dos filmes preto e branco, assistindo ainda adolescente extasiado a chegada dos filmes coloridos. Guri , nas matinês de domingo assistíamos dois filmes por tarde , sendo um seriado que continuava por três domingos. Claro que a cena final de um episódio era sempre aquela em que o “mocinho(a)” estava em total perigo de vida.

Chegávamos cedo ao cinema com os braços carregados de gibis, revistas de histórias em quadrinhos, que vendíamos ou trocávamos por outros que não tínhamos lido. Entre um filme e outro continuávamos a comercialização e a troca de gibis até que o segundo filme começasse.

Os filmes chegavam a nossa pequena cidade industrial , anos depois de lançados. Poucos eram os filmes europeus. Novo Hamburgo-RS tinha quatro cinemas , sendo um deles construído especialmente e com capacidade para mais de 1.500 pessoas. Claro que hoje é uma Igreja Universal........rsrsrsrsrssrr

Onde Novo Hamburgo “nasceu”, Hamburgo Velho, uma cinéfila que ganhou uma loteria sozinha construiu um prédio especialmente projetado para ali instalar um cinema ao lado da sua casa. O prédio existe até hoje e é um dos patrimônios da cidade.

Nunca me preocupei em calcular quantos filmes já vi até hoje. Devem ser milhares. Apesar de termos vários cinemas na cidade só havia uma sessão por dia em cada um, as 20 hrs e o filme era o mesmo durante a semana inteira. O novo filme chegava aos sábados e nos domingos alem das matinês com dois filmes e a noite duas sessões ,as 19 e 21 horas.

O cinema era uma opção cultural real e diariamente disponível. Hoje, septuagenário, continuo acreditando que o cinema reúne tudo para quem gosta de histórias, criatividade e de “viajar”. Mesmo com bons filmes cada vez mais raros são uma excelente fonte de cultura , prazer e entretimento.

Tenho em minha memória de cinéfilo cenas memoráveis, diálogos preciosos, musicas maravilhosas e imagens inesquecíveis. Gostaria de um dia poder reunir em DVD as cenas que mais me impressionaram. Claro que é mais um dos inúmeros sonhos que tenho e que talvez nunca se efetivem, pois para isto teria que transformá-las num projeto o que envolveria tempo, grana e o que fazer com o resultado depois,

Assim sonho, e é um sonho maravilhoso que agora estou repartindo com vocês, que se estão lendo até aqui, são cinéfilos como eu.

Então , abraços e bons filmes a todos.

Autor: Ricardo Garopaba Blauth - Garopaba/SC
http://cronicasetextosrblauth.blogspot.com/
Publicação autorizada pelo autor através do e-mail de 20/10/2011.

Chegou a primavera - Autor: Geraldinho do Engenho

Hoje 21 de setembro dia da ÁRVORE, uma data  significativa edificada por um ideal simbólico muito especial homenageando o que há de mais sagrado em nosso planeta. ”A MÃE NATUREZA” De onde desabrocha todo o sistema de vida do universo. A primavera ponto venal das flores, tão bem representada por uma Árvore-, pautada na harmoniosa convivência do homem do campo com o  essencial provedor do ar que respiramos "o meio ambiente". Da respeitosa parceria destas raízes, com seu esforço e dedicação provem os alimentos, sustentando o mecanismo social, que gera riquezas e desenvolvimento na comunidade universal.

Foi com este pensamento e inspirado nesta maravilha que tivemos a felicidade de criar o símbolo da Associação Comunitária do Engenho do Ribeiro (A.C.E.R.) no longínquo ano de 1986 no século XX.

Uma bela Árvore ostentada em nossa bandeira simbolizando a comunidade universal, onde podemos visualizar suas raízes representando o homem do campo, que lavrando a terra vai captando o sustento para todos os demais seguimentos, cujo tronco representa o poder econômico dando suporte a sua galhada e simbolizando o setor empregatício composta pelo grande numero de operários concentrados na área urbana, que são as folhas purificando e colocando no ar o oxigênio que nos proporciona  a  vida.

Um conjunto de seguimentos, que se isolado individualmente se torna incapaz de sobreviver por si próprio. Sem suas humildes raízes e a singela folha uma arvore jamais sobreviverá, no entanto são os seguimentos que maior desprezo recebe das partes mais fortes onde se concentra o maior poder, político econômico.

Parabéns a toda a comunidade universal, em especial aqueles que já tiveram a felicidade de plantar uma arvore, ou que a partir desta data tomará esta iniciativa!


Publicação autorizada pelo autor através de e-mail de 10/10/2011
Autor: Geraldinho do Engenho - Bom Despacho/MG

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Poema para um amigo distante ... - Autor: Carlos Costa

Silêncio,
preciso escrever um poema!
É para um amigo distante.

Silêncio,
não sei o que escrever
para um amigo distante
mas preciso escrevê-lo.

Silêncio,
peço mais uma vez
porque meu amigo distante
nunca ficou distante de mim
e eu preciso escrever um poema
mas não sei o que dizer ou escrever!

Que saber?
Não vou dizer nada porque, para o amigo
distante qualquer palavra que eu escreva
será muito pouco para medir a felicidade que
tenho por me saber amigo d´ele.

Isso já me basta, amigo Jorge Tufic!
Autor: Carlos Costa - Manaus/AM

http://carloscostajornalismo.blogspot.com/
Publicação autorizada pelo autor através de e-mail de 20/10/2011 

A Líbia em 1389 ou 1980 - Autor: Jorge Tufic

Moammar El Kadhadafi – LE LIVRE VERT
Neste livro, espécie de calendário alusivo ao ano de 1980,
Kadhafi  proclama:

O Povo Árabe recupera seus direitos pela revolução.
O nome oficial da Líbia será República Líbia Popular Socialista.
O Corão é a lei da sociedade na República Árabe Líbia Popular Socialista.
O poder popular direto é a base do regime político na República Árabe Líbia Popular Socialista.

Havia um Conselho para decidir os atos do governo. Baseado, como se vê,
na palavra maior do Profeta. O sagrado e o profano nas instituições oficiais,
e a palavra final sob as ordens ditatoriais do jovem Coronel que acabava de
ascender ao ¨trono¨da Líbia.

Como conciliar o céu e a terra nas mãos ainda tintas de sangue dos insurretos
contra o terror que acabava de tombar pelas armas do povo?

É a hora da mudança, mas também da reflexão.

Publicação autorizada através de e-mail de 20/10/2011