sexta-feira, 11 de julho de 2014

A menina que contava histórias - Autor: Augusto N Sampaio Angelim


A pequena menina, já vestida para dormir, chamou o pai e disse que, hoje, ela é quem contaria uma história.
Conduziu o pai até o quarto que dividia com a irmã maior, aonde já se encontrava esta e o filho caçula da casa. Depois de mandar todo mundo se deitar, apagou a luz do quarto, deixando apenas uma luzinha acesa e ajoelhada sobre uma das camas se preparou para contar sua história. Com o dedo indicador da mão direita na boca, intimou todos a ficarem em silêncio.
Seriamente, como se fosse uma professora do pré-escolar, falando para seus pequeninos alunos, iniciou sua narrativa dizendo: ¨Era uma vez¨, mas logo ficou pensativa a procura de um enredo para entreter a diminuta assistência familiar. Como as idéias não lhe acudiam, repetiu novamente: ¨Era uma vez¨. Depois dessas palavras quase mágicas desfiou uma história entrecortada de “ai” e “a”, na qual uma bruxa malvada, que se dizia boazinha, pegou três criancinhas, sendo duas meninas e um menino e levou-as para sua casa, situada no meio da floresta e lá, colocou brasas nos olhos delas.
Diante da perplexidade do pai e do medo dos irmãos, a contadora de histórias, logo emendou outro e “ai”, desta feita acalentador, falando que “ai”, apareceu a mãe deles deu uma paulada na bruxa e salvou as crianças. “E ai, todos foram felizes para sempre”.

Autor: Augusto N Sampaio Angelim - São Bento do Una/PE
Publicação autorizada através de e-mail de 04/03/2012

6 comentários:

Celêdian Assis disse...

Augusto, seu texto guarda com fidelidade a inocência e simplicidade de uma criança e a sua sensibilidade para perceber o sentido mais completo de momentos assim, em que a família é o esteio e o espelho que se afigura frente às crianças. Belo e leve texto.
Um abraço, amigo.

Augusto disse...

Cara Celêdian, muito obrigado pelo comentário. De fato, a menina do texto é uma figura graciosa.

Patricia disse...

Uma leitura gostora. Parabéns Augusto Angelim pelo seu textro lindo.

Augusto Sampaio disse...

Patrícia, muito grato pelo comentário. Visita minha página no Recanto das Letras.

Marina Alves disse...

rs... Que delícia essa ingenuidade maravilhosa das crianças. Adorei o texto.

geraldinho do engenho rodrigues da costa disse...

A inocência das crianças tem uma magia tão sublime que até os corações de pedras dos piores carrascos se rendem aos seus encantos!Aplausos meu amigo!