Percorria várias cidades do Moxotó e Pajeú. Era visto com freqüência em Custódia, Sertânia, Iguaraci, Afogados da Ingazeira, etc. Não sei exatamente sua origem, porém sabe-se que era muito conhecido na região. Tanto que Maciel Melo, o grande compositor natural da cidade de Iguaraci, cita seu nome em uma de suas músicas.
Como todo doido, Pedro Maraváia era diariamente atacado pela molecada das cidades. Quando zangado, largava a sanfona e corria atrás de todos, atirando pedras a esmo, por vezes atingindo inocentes.
Lembro de Pedro Maraváia já nos seus últimos tempos de vida. Velho, alquebrado pelo tempo, já não corria atrás dos meninos. Mal se arrastava carregando seus trecos, sacos, sua sanfona, um lençol e um velho bastão, única ameaça a quem se atrevesse a lhe importunar.
Esse foi um dos personagens mais marcantes da infância de muitos custodienses. A exemplo de tantos outros, na sua demência certamente ajudava a formatar a paisagem das cidadezinhas do interior. Afinal, já se disse que toda cidade que se preze tem que ter seu “doido oficial”. Se Pedro Maraváia não era o doido oficial de Custódia, era mais ainda: era o Doido Oficial da Região, pois seu instinto aventureiro o levava a uma permanente peregrinação por sítios, fazendas, povoados e cidadezinhas do sertão.
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Um comentário:
Admiro a memória desse meu conterâneo. Zé Melo é uma pessoa que tem muitas histórias para contar. Continue nos presenteando com suas lembranças.
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