sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Viagem ao meu passado no RJ: Inesquecíveis recordações - Autor: Carlos Costa

Carregando meus leves vinte dois anos às costas, visitei, “sem lenço e sem documento”, a praia de Copacabana, nos anos 80, quando uma cigana me parou e pediu para ler minha mão. Disse-lhe que estava desprovido de qualquer dinheiro.

- Eu a leio de graça – respondeu-me a cigana, vestida com saia longa, típica das ciganas.

Estendi a mão e ela fez uma previsão que se confirmou:


- Você vai ter dois casamentos e dois filhos homens – previu a cigana!

Mas como? Namorava uma moça em Manaus há mais de cinco anos e nem pensava em casar-me com ela!

Em uma festa de inauguração, conheci a que viria a ser minha primeira esposa. Casei-me com ela em pouco tempo. Era uma pedagoga. Com ela, não tive filho; já tinha um filho de outro relacionamento!

Separei-me 12 anos depois e não pensava em outro casamento. Decidi morar com meu filho. Quando comecei a namorar a minha atual segunda esposa, uma advogada, ele se rebelou, não aceitou e decidiu morar com a mãe que ele convivera. Saiu de casa.

Tive um segundo filho homem com minha atual esposa, embora desejasse uma mulher!

Estou narrando isso porque assisti com muita atenção ao programa “Globo Repórter”, apresentado pela Rede Globo, que falou sobre o tema abordando-o sobre os seus vários aspectos.

Concluída a Faculdade de Jornalismo, nesse período, tinha ido fazer especialização ao Rio de Janeiro em Assessoria de Comunicação e Marketing Empresarial com bolsa de estudos oferecida pelo saudoso superintendente da Suframa, Ruy Alberto da Costa Lins. Comecei morando com oito outros alunos, mas me mudei! Sempre fui meio rebelde!

Não existia ainda a estátua de bronze de Carlos Drumond de Andrade no início da praia de Copacabana – da qual roubaram os óculos, uma maldade! Como Drumond veria o mar de Copacabana sem os óculos, sua marca registrada?

Inicialmente, morei no Hotel Brasil, um dos mais baratos, logo depois me mudei para outro hotel, onde funcionava no seu porão a Boate Barbarella. Hoje não sei ainda existe.

Com amigos, frequentava restaurante de “Prato Numerado”, no qual se podia fazer variadas combinações: era só pedir pelo número e misturar tudo em um prato só.

Nessa época, conheci muitos artistas e jornalistas, como Sérgio Souto, de origem Acreana, que acabara de ganhar o “Festival Brahma” com a música composta por Amaral Maia, “Falsa Alegria”, ambos muito jovens ainda.

Do compositor de “Falsa Alegria”, recebi um livro autografado de poemas que publicara. Acho que o nome dele era Amaral Maia (mas não tenho absoluta certeza porque os anos já foram tantos, muitas coisas aconteceram e minha memória não é mais tão precisa), bem novinho e cheio de entusiasmo!

Com o jornalista Anibal Júnior, convivi bastante. Ele era separado e tinha um filho, que hoje deve ter um pouco mais de 30 anos! Como o tempo passa, hem, mas lembranças boas nos marcam?

Muitas vezes, com o jornalista Anibal Júnior, na sua Brasília, ia ao estacionamento da Petrobrás, onde se reuniam as “moças” que não levavam uma vida nada fácil. Quando os carros da polícia se aproximavam, fugíamos em disparada.

A outros cantores fui apresentado por Sérgio Souto, mas não lembro o nome; prefiro não citá-los para evitar falhar o de alguém. Lembro-me apenas do sambista João Nogueira, pai do hoje cantor de samba Diogo Nogueira.

Frequentei muito o “Bola Preta” e, mesmo com pouco dinheiro, que eu nunca tinha, vivi intensamente no Rio de Janeiro, estudando.

Essas lembranças me vieram à memória depois que assisti ao programa sobre adivinhações, apresentado por Sérgio Chapelein, pela Rede Globo de Televisão. Ah, que viagem fiz em um tempo que passou tão rápido e deixou em mim tantas saudades!

Autor: Carlos Costa - Manaus/AM


Publicação autorizada através de e-mail de 18/01/2012

2 comentários:

Carlos Lopes disse...

Como o amigo disse em ¨Viagem ao meu passado no Rio de Janeiro: ¨Lembranças boas nos marcam.¨ Belo texto composto de vida de estudante, rebeldias, credices e da chegada da responsabilidade de homem feito. Parabéns Carlos Costa, sua crônica é uma salada de frutas das boas.

Augusto Sampaio disse...

Esses textos, marcados pela saudades, são bons e revelam o passado de seus autores. Gosto deles, quando bem escritos, assim.