domingo, 18 de dezembro de 2011

Um presente de natal - Autor: Nêodo Ambrosio de Castro

Muitos são os desencontros nessa vida. Muitas coisas tristes acontecem. De muitas nem chegamos a tomar conhecimento.
Pessoas brigam, desfazem-se casamentos, amizades terminam, desgostos e amarguras de todos os tipos consomem e partem  corações.
Alguns sofrem mais que outros. São mais sensíveis ou frágeis, mas no fundo todos sentem uma bola dentro do peito que chamam de mágoa e a conservam por muito tempo.
Essa atitude é sempre danosa e destrói sentimentos de esperança de amor. Projetos, sonhos e planos são abandonados. Enfim, é uma lástima.
Por que as pessoas brigam? Por que se desentendem? Será falta de diálogo? Pode ser intolerância ou as duas coisas. Também pode ser diálogo demais. Não sei o que acontece.
A fadiga do trabalho e as decepções do dia a dia. Deixam as pessoas irritadas e basta uma desaprovação inocente, dentro de casa, para desencadear uma situação muitas vezes irreversível.
Minha história começa com um casal jovem, sem filhos, ambos com uma vida profissional promissora, os dois muito dedicados e competentes, Caio e Alice.
Um dia, inesperadamente, ao chegar no seu local de trabalho, Caio é chamado à sala do seu chefe. Como fazia sempre que era chamado, muniu-se de sua agenda e caneta e dirigiu-se para lá. Bateu, entrou cumprimentou o chefe com um bom dia e disse: Às suas ordens Chefe. Então seu chefe, um pouco constrangido, anunciou a demissão. Estamos fazendo contenção, você tem um dos salários mais elevados e tenho certeza de que encontrará, no mercado, uma empresa que o receba. Gostei de ter trabalhado com você, mas são ordens de cima.
Caio sentiu a cadeira afundando no piso, e ficou certo tempo ausente, querendo entender ao mesmo tempo se negando a entender.
Sem dizer uma palavra, saiu dali, dirigiu-se à rua e começou a andar sem destino.  Imaginava: Como isso foi acontecer? E agora o que vou fazer?  Fez essas perguntas milhares de vezes e não conseguiu responder. De repente notou que já era noite e lembrou-se que devia voltar para casa. Mas nem sabia onde estava. Foi quando um táxi vinha bem devagar e vazio. Fez o sinal, entrou, deu o endereço ao motorista e dirigiu-se para casa.
Alice já estava inquieta e preocupada. Foi logo perguntando porque o atraso e o que fazia na rua até àquela hora.
Caio, simplesmente engasgou-se e não conseguiu responder. Dirigiu-se ao banheiro e lá ficou um certo tempo, enquanto Alice batia à porta pedindo uma explicação.
Quando saiu, só disse uma palavra: Fui demitido. Após essa resposta, Alice se enfureceu começou a falar alto reclamar e culpar o marido pelo insucesso.
Diante desse quadro, Caio, do jeito que estava, abriu a porta do apartamento e saiu. Alice ainda gritava quando Caio decidiu que não a ouviria mais.
Já na rua, sem saber que direção tomar, começou a andar até que não conseguia mais dar um passo de tanto cansaço e dores nos pés. Sentou-se na calçada e acabou deitando. Ali passou a noite. De repente assustou-se com aquela luz forte em seu rosto e o calor do sol, levantou, se ajeitou olhou para os lados e começou a andar sem destino. Foi parar em um posto de gasolina, onde tomou café e comeu um pão, ainda lhe restava algum dinheiro no bolso, portanto não parou, continuou sua caminhada para lugar nenhum.
Pediu carona, trabalhou, por uns dias em um posto de gasolina. Depois em outra cidade passou alguns meses lavando pratos e o chão de um restaurante de beira de estrada. Sempre procurando chegar a algum lugar, sem saber onde, Caio não parava em lugar nenhum, sempre de cidade em cidade, trabalhando um pouco aqui ou ali, ganhava o suficiente para não passar fome e ter um lugar para dormir.
Certo dia, sem saber onde estava, notou que as ruas estavam enfeitadas, as casas todas iluminadas e as pessoas falando alto, conseguiu entender que era noite de Natal.
Lembrou das ceias que tinha em casa de seus pais e depois de casado sempre havia um parente que o convidava. Foi lembrando dos tempos de criança, até que entendeu que estava fugindo, mas não entendia porque. Assim pensando, viu uma casa humilde, mas bem cuidada, com todas as luzes acesas, a diferença é que esta estava em silêncio. Parecia que ninguém morava ali. Curioso, resolveu aproximar-se e quando percebeu, estava na varanda da casa quase batendo na porta de entrada, quando esta, repentinamente abriu-se e na soleira apareceu uma criança a qual lhe disse: Oi eu sou Liliam, entre. Caio ficou surpreso. Como uma criança que nunca o tinha visto o convida para entrar em sua casa. Ficou parado à porta até que apareceu uma jovem que a menina chamou de mãe dizendo: Olha mãe o meu pai chegou e ele é exatamente como você descreveu. Mais surpreso ficou Caio. A jovem o convidou a entrar e lhe disse:
- Entre, eu sou Lúcia, venha cear conosco a mesa já está posta. Deseja se lavar?
Caio não estava acreditando, mas como o convite foi feito de forma tão convincente, entrou, foi encaminhado ao banheiro onde lavou as mãos e o rosto, enxugando-se, voltou e sentou-se à mesa.
Liliam fez questão de sentar-se ao seu lado e dizia à sua mãe, com uma alegria enorme: Mãe ele veio mesmo. Bem que você disse que a porta iria abrir-se e ele entraria. Só que não me tomou nos braços e nem me beijou como a Sra.  Disse que faria. A moça, sem uma palavra, dirigiu seu olhar para Caio, querendo explicar alguma coisa, mas ele entendeu, abraçou e beijou a pequenina e lhe disse Feliz Natal, filha. Sendo uma casa Cristã, Lúcia, pediu que fizessem uma oração, então começaram a cear.
A menina muito feliz não casava de chamar Caio de pai ao mesmo tempo que pedia:  - Você não vai mais embora não é? Nós precisamos de você. Pedi ao Papai Noel que o trouxesse, mas para ficar.
Após a ceia, a criança encostou-se em Caio e dormiu. Pegando-a no colo perguntou a mãe onde era seu quarto. Colocou-a na cama e falou baixinho: - Boa noite minha filha.
A mãe emocionada chamou Caio para conversar. E assim passaram toda a noite de Natal. Conversando.
A moça havia ficado viúva antes da filha nascer, mas vivia lhe dizendo que um dia seu pai voltaria e em cada Natal a criança esperava. Por isso a casa estava tão silenciosa. Durante muitos anos a mesma cena se repetia a menina pedia em sua oração que Deus trouxesse seu pai de volta. Esperavam até a meia-noite. Como ninguém aparecia, ceava com a mãe depois ia dormir. Mas naquela noite foi diferente.
Caio contou também sua história e diante das circunstâncias foi ficando na casa, para onde voltava todas às noites, jantava e dormia, para no dia seguinte voltar ao trabalho.
Com o tempo, Caio e Lúcia casaram-se e Lílian ganhou seu pai que por tantas noites de Natal esperou.
Natal, dia de presentes, de confraternização de rever passados e consertar e remover mágoas e transformar a vida.  O Natal convence a humanidade que o amor existe. Quando se quer tudo se renova, a vida refloresce e a esperança renasce.
Assim é o Natal.

Autor: Nêodo Ambrósio de Castro - Eugenópolis/MG

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Publicação autorizada através de e-mail de 18/12/2011

3 comentários:

Anônimo disse...

Bonita história. Muito bem ambientada e que serve de exemplo de vida. Quando Deus fecha uma porta deixa outra aberta.
José Elias Farias
Casa Amarela/Recife Pernambuco

José Elias farias disse...

Parabéns ao autor. Além de uma mensagem de natal muito bonita, a história criada foi oportuna.

Nêodo Ambrosio de Castro disse...

Obrigado pelos comentários.
Abraços fraternos.