terça-feira, 24 de abril de 2012

Eu e os bichanos - Autor: A J Cardiais

             Se não fosse o meu neto, eu nunca teria me aproximado tanto de um gato. Não é que eu não goste do felino, mas justamente por saber da minha preocupação com os animais, eu sempre evitei criá-los. Quando meu neto perguntava por que eu não criava um cachorro, eu dizia que era porque não tinha condição. Dizia que um cachorro precisava de espaço e de muito cuidado. E quando a gente resolvia criar um animal, teria que dar-lhe muita atenção. Dizia para ele que, criar um cachorro, não era só colocá-lo em casa, e pronto: Está criando. Não adiantavam os meus argumentos, ele sempre insistia. Às vezes citando um animal que ele viu alguém criando. Quando não era um animal “doméstico”, o meu “discurso” era maior. Daí o meu neto mudou de estratégia: Em vez de pedir, ele já chegou em casa com um gatinho... Disse que, quando ele vinha da escola, uma senhora que criava muitos gatos, deu-lhe. E já chegou providenciando uma caixa para colocá-lo. Imaginem o rebuliço aqui em casa... De um lado minha esposa: Dizendo que não queria saber de gatos, que o bicho suja tudo, e que isso, e que aquilo... Do outro lado o meu neto: Dizendo que cuidaria do gatinho, que faria isso, faria aquilo... Juro que não me lembro onde eu fiquei nessa hora. Devo ter ficado do lado de fora. Então ficou acertado que no dia seguinte o gatinho seria devolvido à antiga dona. Aconteceu que no dia seguinte, além de ter obrado no banheiro, o gatinho (feio) amanheceu tremendo e vomitando... Aí foi aquela agonia: O que será que ele comeu? Dá leite pra ele! Ele vai morrer! Dá um chá! Chá de quê? E lá vai a agonia... Minha mulher brigava de um lado, por causa da sujeira do gatinho, e se apiedava do outro, por causa do estado dele. A minha filha, que estava em casa nessa hora, aumentou o lado da piedade. Esse rebuliço todo ganhou até um poema: “O Gatinho Está Doentinho”. O certo é que, nessa confusão toda, o gatinho (feio) acabou ficando.

           Com toda reclamação de minha esposa por causa da sujeira que o gatinho fazia no banheiro; com toda minha gozação dizendo que ele era até educado, pois ia satisfazer suas necessidades no lugar apropriado (quem acabava limpando era eu); com toda preocupação de minha filha em comprar vasilhas para o gato comer, vasilha para fazer as necessidades dele; com todo dengo do meu neto; o gatinho (feio) foi crescendo e transformou-se num bonito gatão. Resumindo: O gatão (Pepe) morreu envenenado. No mesmo dia meu neto trouxe outro “gato”. Eu vi logo que era gata, mas fiquei calado. Quando minha mulher descobriu, começou a reclamar. Entre fica e não fica, a gata ficou (Lara). Lara engravidou, teve três gatinhos. Dois nasceram mortos, só um vingou (Vivi). Lara apareceu grávida outra vez. Minha esposa começou a dizer que botaria ela para fora... Resultado: Lara sumiu. Ninguém sabe o que aconteceu. Minha esposa ficou com remorso, achando que foi por causa das ameaças que ela estava fazendo. Nós percebemos que Vivi ficou sentindo o desaparecimento da mãe por algum tempo, mas depois se acostumou. Agora ela reina absoluta. Minha mulher, que não queria saber de gatos (principalmente de gatas), agora a enche de carinhos. Até ovo de páscoa para Vivi, ela comprou. Quando eu olhei, espantado, ela me disse: O que é? Ele também tem direito! Que mudança...
Autor: Antônio Jorge Dantas – Salvador/BA
Publicação autorizada pelo autor através de e-mail de 21/04/2012

2 comentários:

Carlos Lopes disse...

Seja bem vindo ao blog Antonio Jorge Danats ou A J Cardiais.

Carlos Costa disse...

Antônio Jorge, tudo fica bem quando acaba bem. Excelente narrativa! Se desejar, leia crônicas minhas aqui publicadas também ou, então visite meu blog carloscostajornalismo.blogspot.com. Um abraço e seja bem vindo amigo.