quarta-feira, 18 de abril de 2012

Mineirim na ferroviária - Autor: Eurico de Andrade

Esta história todo mundo conta, mas ninguém imagina que ela foi de fato acontecida com o Expeditão, na única vez que o moço viajara a Belo Horizonte. Comprou sua passagem de volta pra Tabuí e, ao encontrar um seu amigo que vinha da Bahia, sujo e mal arrumado, que nem sabia conversar direito com o povo da cidade, ofereceu-se para ajudá-lo. Foi comprar a passagem pra ele também.


- Óia, moço, agora me dá passage pro Esbuí patabuí.

- Ãhn? Cê qué passagem pra ondé? – perguntou, distraído, com a educação característica, o homem do guichê da estação ferroviária.

- Passage pro Esbuí patabuí...

- Olha, moço, presse lugá aí tem passagem não.

- Causdiquê qui num tem?

- Ó, cê qué sabê? Pra Esbuí não tem passagem e nem trem!

Expeditão, chateado da vida com a desfeita do moço, volta ao seu amigo e dá a notícia:

- Óia, Esbuí, o bietero avisô que procê num tem passage não. E que nem no trem ocê entra.



Autor: Eurico de Andrade - Brasília/DF




Publicação autorizada através de e-mail de 07/05/2012

4 comentários:

Patricia disse...

Parabéns pelo conto, muito divertido. Já havia lido outros contos de Eurico. Ele é muito bom, bom até demais.

geisa disse...

kkk êta minerim danado... ri demais, muito bom.

Eurico de Andrade disse...

Obrigado, Patricia e Geisa. Abração procêis de um caipira mineiro.

Carlos Costa disse...

kkkk. Muito engraçada! Como dizem os caboclos aqui no Amazonas: "vote"! Um abraço. Adorei.