domingo, 18 de maio de 2014

Texto: 03 (do concurso) - Travessuras de Flor

De repente Pat a vê amuadinha debaixo da mesa da sala de jantar, os olhinhos parados, ganindo baixinho.
— Corre Mô, a Flor tá mal!
Mô surge voando do banheiro.
— Pat! A Flor tá morrendo!
Flor não é Flor! É uma bola. Uma perfeita bola de futebol, a barriga estufada, redonda e durinha. “Papai” e “Mamãe” cuidando da vida, dando duro no trabalho e Flor aprontando. Que beleza, hein? O que teria sido dessa vez?
Ah, Deus meu! Se algo mais grave se dá com Flor, Pat morre! Mô também! Eles morrem, com toda certeza! Flor nos braços de Mô e Pat atrás de pistas. Chi! Cadê os dois bolos esquecidos sobre a pia, de manhã? As embalagens no chão e um rastilho de farelos até a despensa. Nem um pedaciquinho sequer de dois bolos enormes e inteirinhos! Tava explicada a barrigona totalmente redonda, parecendo uma pedra...
Veterinário! Flor, inerte nos braços da dona, não reage. Puro desespero! A tragédia explicada entre rios de lágrimas...
— Por favor, doutor ela vai morrer?
Ai! A cara do doutor tá esquisita. Nem precisa dizer nada. Os “pais” concluem: Flor já é uma alminha a mais no ceuzinho dos bichos! Pat, desolada. Mô, de olhar inconformado, despista o choro fingindo interesse por uma avenca pendurada num vaso. Ô meu Deus, que tristeza! E agora como é que vai ser a vida? Como é que vai ser amanhecer sem os latidos, as lambidas, as brincadeiras e o enjoamento de Flor? O veterinário sumido lá pra dentro em busca de seus aparelhinhos... Que demora!
De repente, o susto! O gato preto pula do muro, e Flor, dos braços de Pat. Lá vai a cadelinha feito um corisco atrás do bichano. Atropela tudo pela frente, colide com o doutor que se detém sem reação, todo embaraçado no seu estestoscópio! Uma dúvida: o bichinho semimorto e aquele furacãozinho peludo são o mesmo ser? Não pode ser! Mas é! Agora é ir atrás da fujona! A estas alturas já zanza lá pela cozinha da clínica à cata de mais algum bolo enorme e inteirinho esquecido sobre a pia por algum desavisado...
Ah, esta é só a milésima vez que Florzinha vai parar no veterinário por causa de alguma trapalhada...

4 comentários:

Maria Mineira disse...

Maravilhoso! Eu acompanhei como se estivesse ali junto na correria para levar a Flor ao doutor veterinário. Bicho é assim, dá tristeza, sustos, alegria e muita diversão! Parabéns a quem tiver escrito esse conto!

Anônimo disse...

(Padrão usado em todos os textos comentados para dar a todos um tratamento igual). Fazendo pois uso dos critérios apontados no regulamento, deixo aqui minha impressão: ortografia, gramática e pontuação mostram que o autor ou a autora tem domínio dos mecanismos da língua e consegue transmitir idéias de modo compreensível e criativo – se há erros de linguagem, não detectei durante a leitura. Trata-se de uma narrativa cuja leitura me envolveu bastante, cria um certo suspense e apresentou um desfecho surpreendente. A trama é simples e me convenceu sem esforço. A narrativa parece aproximar-se bastante da proposta do concurso (observando o requisito de demonstração de afeto). Avaliação pessoal: um ótimo texto, parabéns à autora ou ao autor. (Torquato Moreno)

Willes S. Geaquinto disse...

Gostei porque acabei me envolvendo na história, essa é uma boa qualidade: envolver o leitor, torna-lo cumplice.

Alberto Rocha disse...

Texto magnífico, perfeitamente dentro dos parâmetros do concurso. Há perfeito domínio na técnica do suspense e o desfecho é surpreendente e hilariante. Parabéns a quem o produziu.