quinta-feira, 22 de maio de 2014

Kika, uma eterna lembrança

Autor: Carlos Costa

Kika, brincalhona e tagarela embora fosse um periquito do Amazonas, era grande o suficiente para ser diferente de outros de sua mesma espécie, talvez por ter sido alimentada com versos e estrofes do poeta Jorge Tufic, acreano de nascimento, mas hoje Cidadão do Amazonas, de quem a recebi  como presente de aniversário, dentro de uma gaiola imensa,  que a aprisionava  em minúsculo espaço.

Isso se deu quando os poetas Jorge Tufic e Aloísio Sampaio, este já falecido, estiveram em minha residência para comemorar comigo meus pouco mais de trinta anos que carregava às costas. Muito uisque rolou nesse dia, até que o poeta Aloísio Sampaio dormiu na cadeira.

Foi um presente maravilhoso sem dúvida, mas meu filho do primeiro casamento, naépoca com pouco mais de 10 anos de idade, começou a dizer-me que bicho era para ser criado solto na natureza e não preso em gaiola. Tentei argumentar o contrário com ele, mas não tive qualquer sucesso. Com aquela idade, já era ecologista!

Já criava periquitos australianos, duas cachorras e também um jabuti que era alimentado com folhas de couve ou alface! Na realidade, a Kika era alimentada commuito amor, carinho e versos do poeta.

Mais tarde, adquiri uma cachorra da raça “pastor alemão”, pelagem preta, e passei a chamá-la de Madona. Depois, um “podle” foi morar em minha residência também.

- Pai, quando é que o senhor vai libertar esses periquitos da gaiola, onde eles vivem como prisioneiros? – inquiriu-me meu filho.

- Nunca! – respondi, acrescentando que “o poeta foi morar em Fortaleza  e ele ainda pode querê-la de volta”, refindo-me à Kika, só para justificar, porque não tinha qualquer notícia de meu amigo na época,  até que o reencontrei pela internet.

Um dia, meu filho acordou cedo, foi no quintal e soltou todos os meus pássaros, inclusive a Kika!

-Pai, venha aqui no quintal? – chamou-me.

Fui. Observei que não havia pássaros nas gaiolas, que os criava com tanto carinho e muitas caixas de alpistes!

- Que aconteceu, meu filho? – perguntei.

- Não sei, pai! Acho que o senhor deixou as gaiolas abertas e eles voaram rumo à liberdade!

Entendi que meu filho estava mentindo, mas devido sua imensa alegria por tê-los soltados, como sempre fora seu desejo, nada falei. Mas não sei dizer se a Kika ou os outros periquitos australianos ainda vivem! Mas que sinto saudades, ah, isso é verdade!

Autor: Carlos Costa - Manaus/AM

3 comentários:

Anônimo disse...

(Padrão usado em todos os textos comentados para dar a todos um tratamento igual). Fazendo pois uso dos critérios apontados no regulamento, deixo aqui minha impressão: ortografia, gramática e pontuação indicam que o texto precisa de pequena revisão, detalhes que não prejudicam a narração da lembrança nem as boas associações à poesia que o texto traz, é bom que se destaque. Um relato simples e convincente e embora eu não tenha me sentido totalmente envolvido pela história, outros leitores provavelmente terão uma medida de envolvimento maior, já que o texto não se distancia da proposta do concurso (observando o requisito de demonstração de afeto pelo animal). Avaliação pessoal: bom. Parabéns à autora ou ao autor. (Torquato Moreno)

Anônimo disse...

Assim como acontece com as pessoas a quem amamos, os animais também se tornam eternas lembranças.Tanto que, naturalmente, os incorporamos às nossas histórias de vida, e vez em quando nos pegamos presos às suas lembranças. Taí, Kika é um amor! Boa leitura! Marina Alves.

Alberto Rocha disse...

A historinha de Kika é um alerta aos ecologistas porque de nada adianta manter os animais soltos se seus habitats são sistematicamente degradados. O texto é de agradável leitura pela simplicidade das imagens sugeridas. Parabéns à autora ou autor.